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Marília Ruiz

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Marília Ruiz: Vidas brasileiras importam?

Marília Ruiz

Tenho 20 anos de jornalismo esportivo: 5 Copas do Mundo, 4 Olimpíadas, muitos Brasileiros, alguns Mundiais e várias Copinhas. Neste blog seguirei fazendo isso: escrevendo sobre futebol. Sem frescura. Sem mimimi. Para versões oficiais dos clubes e atletas, recomendo procurar as assessorias de imprensa.

09/06/2021 10h00

Tudo tem limite. Inclusive a (suposta) neutralidade.

Modesto, raso e impreciso, o esperado "Manifesto da Seleção Brasileira" é um não manifesto. Não há nenhuma causa. Não há nada.

Já que estamos em um inevitável Fla x Flu, o documento frustrou os apoiadores de Bolsonaro e os críticos do presidente.

O dito manifesto aponta "razões humanitárias e profissionais" são contra a organização da Copa América, mas blá blá blá...

Perguntar não ofende:

Quais razões humanitárias? Seria a descontrolada pandemia? Seria a falta de vacinas? Seria a morte de mais uma mulher negra por bala perdida no Rio? Quais razões humanitárias, senhores?

Também citam razões profissionais. Desculpe, mas quais? Direito a férias? Direito de brigar em paz na Justiça contra a fornecedora de material esportivo?

Não sabemos. Não saberemos.

Ficamos com esse amontoado de letrinhas vazias e com a ausência marcante de outras letrinhas: "C", "B"e "F" não aparecem no manifesto.

Pedem que não se politize a Copa América, politizada por Conmebol + CBF + Governo na semana passada.

Casemiro, na sexta, e Marquinhos, ontem, esvaziaram algo que ensaiaram e, de alguma forma, chegou ao conhecimento de muitos colegas que se esmeraram na apuração. E esse esvaziamento do discurso, ente outras coisas, frustra uma possibilidade de mudança na entidade que controla o futebol no Brasil

O jogo de silêncio e pressão de Tite e seus jogadores passa a impressão de que a "causa" é menos importante do que as conversas de bastidores com chefes e patrocinadores nos últimos dias. Claro que é compreensível que haja temores, cálculos e desconforto.

De tudo, para mim, causa maior estrago o silêncio ensurdecedor sobre o combo denúncias + provas de assédio sexual e moral contra Rogério Caboclo por uma colega de trabalho deles - afinal, na hierarquia citada da empresa privada, eles têm (ou tinham) o mesmo chefe, não?

Não se trata de carregar culpa por dizer não a Seleção. Trata-se da culpa por não dizer nada.

PS: Quem sabe Lewis Hamilton ou Lebron James têm algo a dizer? Bem mais provável...

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL