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Fábio Seixas

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Hamilton vence, empata com Verstappen e dá contornos épicos ao Mundial

Max Verstappen passa Lewis Hamilton por fora da pista na segunda largada do GP da Arábia Saudita  - Fórmula 1
Max Verstappen passa Lewis Hamilton por fora da pista na segunda largada do GP da Arábia Saudita Imagem: Fórmula 1
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Fábio Seixas

Fábio Seixas é jornalista com mestrado em Administração Esportiva e passagens por veículos como Folha de S.Paulo, SporTV e TV Globo. Cobriu mais de 170 GPs de F-1, esteve em duas temporadas da Indy e chegou a pilotar um Benetton em Paul Ricard. Voltou para os boxes rebocado.

Colunista do UOL

05/12/2021 16h41

O melhor Mundial de F-1 dos últimos anos ganhou contornos épicos na Arábia Saudita.

Após 21 corridas, Verstappen e Hamilton chegarão à última etapa do campeonato, em Abu Dhabi, empatados na pontuação: 369,5 pontos para cada.

Desde 1974 um campeonato não chegava à última etapa com os duelistas empatados nos pontos.

A vitória em Jeddah foi de Hamilton, seguido por Verstappen e Bottas.

É a 103ª vitória do inglês na F-1, a oitava na temporada. E, certamente, uma das mais atribuladas.

A 21ª etapa do Mundial, a primeira experiência da F-1 em solo saudita, teve três largadas, diversas intervenções do safety car e, claro, polêmica entre os dois duelistas pelo campeonato.

"Foi uma corrida bastante confusa. Agora tudo vai ser decidido em Abu Dhabi", disse Verstappen, na entrevista após o GP.

Hamilton estava muito emocionado: "Eu já corro há muito tempo, mas esta foi muito difícil. Tentei ser sensato nas minhas atitudes, como em toda a minha carreira".

Lewis Hamilton (Mercedes) e Max Verstappen (Red Bull) durante GP da Arábia Saudita - Reprodução/Twitter - Reprodução/Twitter
Lewis Hamilton (Mercedes) e Max Verstappen (Red Bull) durante GP da Arábia Saudita
Imagem: Reprodução/Twitter

A corrida começou com tensão no ar. Pouco antes da largada, na F-2, uma série de acidentes decretou o encerramento da disputa. Entre as batidas, Enzo Fittipaldi acertou em cheio a traseira do francês Theo Pourchaire na primeira tentativa de largada. Ambos foram para o hospital, onde foi constatada fratura no tornozelo do brasileiro _ficou barato.

Até por isso, a largada da F-1 foi comportada. Ninguém abusou, ninguém tentou nenhuma loucura, as primeiras voltas aconteceram sem incidentes.

Hamilton saiu bem, manteve a ponta e contou com os serviços de Bottas logo atrás: o finlandês bloqueou qualquer tentativa de ataque de Verstappen. Um pouco mais atrás, Ricciardo deixou Tsunoda e Giovinazzi para trás e saltou de 11º para 9º.

Ao fim da primeira volta, o top 10 tinha Hamilton, Bottas, Verstappen, Leclerc, Pérez, Norris, Ocon, Gasly, Ricciardo e Giovinazzi.

Com vento na cara e um escudeiro na proteção, Hamilton tratou de acelerar para abrir vantagem. Na quinta volta, já tinha 1s2 sobre Bottas e 2s4 para Verstappen.

Logo ficou claro que a Mercedes estava com a corrida na mão, controlando o ritmo.

"Informe se você não estiver feliz com o ritmo do Lewis", disse o engenheiro de Bottas. "Eu poderia acelerar com um pouco mais de espaço à frente", retrucou o finlandês.

Dito e feito. Na oitava volta, Hamilton estava a 2s de Bottas, que tinha 1s7 para Verstappen. Na volta seguinte, a folga do inglês para o companheiro subiu para 2s9.

Na décima volta, a primeira pancada da corrida. Mick Schumacher perdeu o controle e estampou o Haas na curva 22. Bandeira amarela, safety car. Muita gente aproveitou para passar pelos pits e trocar pneus, entre eles Hamilton, Bottas, Leclerc, Pérez, Norris e Alonso.

Mick Schumacher (Haas) teve carro parcialmente destruído com a batida no GP da Arábia Saudita - Reprodução/Twitter - Reprodução/Twitter
Mick Schumacher (Haas) teve carro parcialmente destruído com a batida no GP da Arábia Saudita
Imagem: Reprodução/Twitter

Verstappen não parou. Sem ritmo para alcançar as Mercedes, partiu para uma estratégia diferente para ver no que dava. A aposta era por uma bandeira vermelha.

Deu certo, muito certo.

Diante do trabalho para refazer a barreira de proteção, a direção de prova acionou a bandeira vermelha e suspendeu a prova. Em um clique, Verstappen se viu na ponta do grid e com possibilidade de trocar pneus. Tudo virou de cabeça pra baixo.

"Por que essa bandeira vermelha? A barreira parece estar bem. Descubram o motivo para essa decisão", reclamou Hamilton, irritadíssimo, pelo rádio.

A nova largada veio 18 minutos depois. O grid tinha Verstappen na pole, seguido por Hamilton, Bottas, Ocon, Ricciardo, Leclerc, Gasly, Pérez, Sainz e Giovinazzi.

Na volta de aquecimento, os rivais trocaram acusações. Hamilton disse que Verstappen simulou a largada no pit lane. Já o holandês acusou o inglês de retardar demais o ritmo a caminho do grid, o que prejudicaria o aquecimento dos seus pneus.

Hamilton tracionou melhor, tomou a ponta, mas Verstappen jogou duro e passou o rival por fora da pista. Ocon veio junto e também superou o inglês.

Verstappen ultrapassou Hamilton por fora da pista e foi punido pelos comissários do GP da Arábia Saudita - Reprodução/Twitter - Reprodução/Twitter
Verstappen ultrapassou Hamilton por fora da pista e foi punido pelos comissários do GP da Arábia Saudita
Imagem: Reprodução/Twitter

Mas durou pouco. Pérez sofreu um toque de Leclerc e bateu. Logo atrás Russell e Mazepin se enroscaram e também foram parar no muro. Nova bandeira vermelha.

"Eu tive que evitar uma batida ali", disse Hamilton.

Nos 19 minutos de intervalo entre a segunda e a terceira relargadas, muita comunicação entre a FIA e as equipes. No fim, como esperado, Verstappen teve de devolver a posição para Hamilton. O novo grid teve Ocon na pole (!!), Hamilton e Verstappen.

Sim, tudo virou de cabeça pra baixo de novo.

A terceira largada do dia viu Verstappen endiabrado. Com pneus médios, o holandês passou Hamilton por um triz, viu Ocon espalhar e pulou pra ponta na primeira curva.

Começou então um clássico desta temporada: os rivais se perseguindo pela pista.

Na 20ª volta, Verstappen tinha 1s2 sobre Hamilton, que seguia com os pneus duros.

Volta a volta, curva a curva, o inglês foi chegando, se aproximando, armando o ataque. Mas teve que levantar o pé na 23ª volta: Tsunoda abalroou Vettel e deixou seu bico pela pista, exigindo safety car virtual.

A disputa foi retomada na 24ª volta, e Hamilton voltou à sua missão.

Na 27ª, encostou. Na 28ª, Verstappen abriu. Na 29ª, abriu mais ainda. Na 30ª, mais um safety car virtual: havia pedaços de carros por toda a pista após a batida de Tsunoda e um choque entre Vettel e Raikkonen.

"Algo precisa ser feito. É a pior situação em todo o fim de semana", chiou Alonso pelo rádio.

A bandeira verde veio na 33ª volta. Verstappen apertou o ritmo, ciente de que suas chances de Mundial dependiam muito daquelas voltas. Hamilton fez o mesmo, provavelmente com ideia idêntica em mente.

Na 35ª volta, Hamilton voltou a encostar, ficando a menos de 1 segundo do rival.

Na abertura da 37ª, mergulhou para passar na primeira curva, mas Verstappen endureceu: ambos se tocaram, o holandês foi pra fora da pista, Hamilton teve de recolher.

"Ele é louco", disse pelo rádio.

Veio então o momento mais tenso da corrida. Na 38ª volta, Hamilton preparava novo ataque, exatamente quando a Red Bull pedia pelo rádio para Verstappen ceder a posição.

Quando Hamilton tirou pro lado, o holandês já estava reduzindo a velocidade. Resultado: os dois voltaram a bater, desta vez arrebentando parte da asa dianteira do inglês.

Na 42ª, Hamilton passou, Verstappen deu o troco. Na 43ª, Hamilton passou de novo. Foi quando o holandês foi informado de uma punição de 5 segundos por não ter devolvido a posição para Hamilton seis voltas antes. Fim de papo.

"É o que é. Tentei tudo", disse o holandês, pelo rádio, ao cruzar a linha de chegada.

"Não concordo com todas as decisões que foram tomadas", completou, já fora do carro, na entrevista pós-GP. "Eu deixei ele passar, mas nos tocamos. Não entendi exatamente o que aconteceu neste momento."

Hamilton insistiu na tese de que o rival freou no episódio em que arrebentou sua asa. "Não entendi porque ele fez aquilo."

Foram sete viradas no campeonato até agora.

Neste momento, tudo está igual. A 72ª edição do Campeonato Mundial da F-1 já é histórica.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL