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Fábio Seixas

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Pasmaceira de Bottas volta a incomodar Mercedes

Valtteri Bottas em Interlagos, onde largou na pole position e terminou em terceiro lugar  - Alex Farias/GP de São Paulo
Valtteri Bottas em Interlagos, onde largou na pole position e terminou em terceiro lugar Imagem: Alex Farias/GP de São Paulo
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Fábio Seixas

Fábio Seixas é jornalista com mestrado em Administração Esportiva e passagens por veículos como Folha de S.Paulo, SporTV e TV Globo. Cobriu mais de 170 GPs de F-1, esteve em duas temporadas da Indy e chegou a pilotar um Benetton em Paul Ricard. Voltou para os boxes rebocado.

Colunista do UOL

27/11/2021 10h52

A F-1 publicou nesta semana a pontuação que cada piloto obteve na desgastante sequência de três GPs encerrada no domingo passado.

O "campeão" da série México-Brasil-Qatar foi Hamilton: 68 pontos. Verstappen veio logo atrás, com 64. Completando o pódio, Pérez, que marcou 40 pontos. Mas a notícia está mais abaixo...

Leclerc é o quarto, com 24 pontos, um a mais do que Sainz, seu companheiro na Ferrari. Em sexto surge Alonso (!!??), com 19 pontos.

Sentindo falta de alguém? Sim, Bottas é apenas o sétimo colocado.

Apesar de ter um foguete nas mãos, o finlandês marcou só 18 pontos nas três corridas, mesma marca de Gasly, com um carro que não é páreo para o seu.

Ok, no México ele foi tocado por Ricciardo na primeira volta e só terminou em 15º enquanto no Qatar sofreu com um pneu estourado, que afetou o chassi e causou seu abandono. Mas na primeira situação, com o carro que tem, poderia ter escalado e pelotão e chegado aos pontos. E, na segunda, é preciso lembrar que ele despencou de sexto no grid para 11º já na largada.

E é isso o que mais impressiona neste fim de passagem de Bottas pela Mercedes: sua falta de combatividade. De contrato assinado com a Alfa Romeo para as próximas temporadas, o finlandês não parece muito disposto a interferir na luta entre Hamilton e Verstappen pelo título.

Já se tornou um clássico desta temporada: Wolff entrando pelo rádio para motivar seu segundo piloto, num tom não muito agradável. No Qatar, a mensagem foi "vamos, Valtteri, pegue esses carros", quando ele sofria para se aproximar de Sainz e Ocon. Foi humilhante.

A situação chegou a um ponto incômodo, em que o chefe da equipe alemã voltou a se defrontar com uma pergunta que era comum no início da temporada: não seria melhor já colocar Russell no lugar?

Garoto-prodígio da Mercedes, o inglês vai substituir Bottas a partir da próxima temporada. Não, não tem a experiencia do finlandês. Mas está cheio de vontade.

"Isso não acontecerá nesta equipe", respondeu Wolff.

Vamos imaginar a seguinte cena... Abu Dhabi, última etapa do Mundial, Hamilton vencendo a prova, seguido por Bottas e Verstappen. O holandês precisa chegar em segundo para ser campeão. Ele se aproxima e tenta a ultrapassagem. Você consegue enxergar o finlandês dificultando? Eu não. E digo mais: essa situação já aconteceu algumas vezes no ano, e Verstappen não teve o menor problema em ganhar a posição.

E se fosse Russell?

Não estamos falando de um piloto estreante e desmiolado.

O inglês já tem 58 GPs no bolso do macacão e no ano passado, na chance que teve de substituir Hamilton, no Sakhir, só não venceu porque a Mercedes fez uma lambança nos boxes.

Eu trocaria o (comodismo) certo pelo (impulso) duvidoso.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL