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Fábio Seixas

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Motor de Hamilton preocupa Mercedes para fim do Mundial

Lewis Hamilton, nos boxes da Mercedes, durante o fim de semana do GP da Rússia, em Sochi - Mercedes
Lewis Hamilton, nos boxes da Mercedes, durante o fim de semana do GP da Rússia, em Sochi Imagem: Mercedes
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Fábio Seixas

Fábio Seixas é jornalista com mestrado em Administração Esportiva e passagens por veículos como Folha de S.Paulo, SporTV e TV Globo. Cobriu mais de 170 GPs de F-1, esteve em duas temporadas da Indy e chegou a pilotar um Benetton em Paul Ricard. Voltou para os boxes rebocado.

Colunista do UOL

28/09/2021 10h35

A festa pela centésima vitória de Hamilton foi entusiasmada como tinha de ser. O dia seguinte foi de homenagens ao inglês e de lembranças de sua impressionante trajetória até aqui. Mas agora a Mercedes olha para o futuro. E há uma grande preocupação no horizonte.

A pergunta que a F-1 faz é: o motor de Hamilton vai aguentar até o fim da temporada?

O inglês já está no limite de motores permitido pelo regulamento desde 2018: três. O último foi colocado no seu carro em Spa, 12ª das 22 etapas do Mundial. Parece improvável que aguente 11 corridas sem necessidade de troca.

A Mercedes pode em algum momento até voltar ao segundo motor, ainda em condições de uso e que correu apenas seis etapas _do Azerbaijão à Hungria. Mas pode não ser suficiente contra um Verstappen que estreou unidade de potência na Rússia, cumpriu punição, largou em último e mesmo assim chegou em segundo lugar.

Mais: a fase final do campeonato tem duas corridas na altitude, os GPs do México e de São Paulo, situação que exige mais dos equipamentos.

"Ainda há questões abertas e estamos numa fase de investigação. Para tomar uma decisão, precisamos ter certeza de que resolvemos todos os pequenos problemas que tivemos", disse Wolff, chefe da Mercedes, ainda na Rússia. "É sempre confiabilidade versus performance. É sempre uma linha muito tênue, um equilíbrio muito preciso que precisamos buscar."

Numa temporada tão equilibrada, já com quatro viradas na liderança e com apenas dois pontos separando os rivais pelo título, tanto Mercedes como Red Bull sabem que um abandono pode ser fatal.

hamrus - Bryn Lennon/Getty Images - Bryn Lennon/Getty Images
Lewis Hamilton durante o Grande Prêmio da Rússia, em Sochi
Imagem: Bryn Lennon/Getty Images

"Seria um golpe para as chances no campeonato. Simplesmente não pode acontecer", completou o austríaco.

Hamilton engrossa o coro do chefe e diz que está tentando ter o máximo de cuidado com seu motor há alguns GPs: "Estou cuidando muito bem dele, tentando controlar os giros, tentando dar menos voltas sempre que possível."

A Red Bull, claro, acompanha os movimentos da adversária com atenção. Aliás, não só da Mercedes, mas também das outras equipes que usam os motores alemães: Williams, McLaren e Aston Martin.

"Com a quantidade de motores que estão sendo trocados, é de se esperar que Lewis em algum momento também tenha que cumprir uma punição. Mas não podemos contar com isso", afirmou Horner, em Sochi.

Nesse jogo de xadrez, nessa marcação cerrada sobre o adversário, a decisão da Mercedes pode desequilibrar o campeonato para um lado ou para o outro.

Por ora convém deixar de lado Istambul, Interlagos, Austin... Tão importante quanto a atuação dos pilotos na pista, é agora o trabalho de avaliação dos engenheiros na fábrica de Brixworth, cidadezinha de 5.200 habitantes no coração da Inglaterra.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL