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Fábio Seixas

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Andretti na F-1 teria um quê de redenção

O ex-piloto americano Michael Andretti, que pode retornar à F-1 como chefe de equipe - Penske Entertainment/Chris Owens
O ex-piloto americano Michael Andretti, que pode retornar à F-1 como chefe de equipe Imagem: Penske Entertainment/Chris Owens
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Fábio Seixas

Fábio Seixas é jornalista com mestrado em Administração Esportiva e passagens por veículos como Folha de S.Paulo, SporTV e TV Globo. Cobriu mais de 170 GPs de F-1, esteve em duas temporadas da Indy e chegou a pilotar um Benetton em Paul Ricard. Voltou para os boxes rebocado.

Colunista do UOL

22/08/2021 17h49

Poucos pilotos foram tão massacrados pela F-1 como Michael Andretti.

Membro de um dos mais importantes clãs do automobilismo, campeão da Indy em 1991 e vice em 1987, 1990 e 1992, ele foi contratado pela McLaren em 1993 com duas missões inglórias: ressuscitar a categoria nos EUA e correr ao lado de Ayrton Senna.

Sofreu. Sofreu para se adaptar ao carro. Sofreu para se adaptar ao ambiente. Sofreu preconceito de um paddock europeizado, que criticava o fato de ele continuar morando na Pensilvânia e até as roupas que sua mulher vestia.

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Andretti e Senna na McLaren em 1993
Imagem: Reprodução

Foi frustrante. O americano disputou 13 GPs, pontuou em 3, levou um banho do colega de time. Foi sacado da McLaren justamente após seu melhor resultado, o único pódio na F-1, o terceiro lugar em Monza. Na prova seguinte, Mika Hakkinen já estava em seu lugar.

Se por um lado é verdade que os resultados não vieram, também é que a F-1 o tratou com muita má vontade. Foi como se a categoria quisesse provar um ponto naquele momento, algo na linha "somos melhores do que a Indy, uma estrela de lá não tem chance por aqui".

Por tudo isso, é muito curiosa a história levantada pela revista "Racer": Andretti tem planos de voltar à F-1, agora como dono de equipe. E já conversa com três times do grid: Haas, Williams e Alfa Romeo.

A opção mais lógica, em tese, seria a Haas: a equipe é americana. Mas, segundo a publicação, as conversas por lá estão lentas.

Neste momento, Williams e Alfa Romeo seriam alternativas melhores, até por hoje terem participações de fundos de investimento que precisam de gente do ramo no comando.

Andretti seria esse nome. E a F-1, o passo mais ambicioso de um projeto que já é grande.

Atualmente, o ex-piloto, filho do campeão mundial de 1978, controla equipes na Indy _com quatro carros ao longo da temporada_, na Indy Lights, na Fórmula E, na Extreme-E, na IMSA e na V8 Supercars, da Austrália.

Aparentemente já é trabalho demais. Já são viagens demais. Já são tentáculos demais.

Por que então se aventurar na F-1? A única explicação que encontro está justamente no início deste texto.

Um retorno à categoria, numa posição como chefe de equipe, talvez seja algo de que Andretti, aos 58 anos, precise. Voltar com status de liderança, mesmo num time mais modesto, talvez seja um ajuste de contas com o passado, uma página que ele precise virar.

Não deixaria de ser uma volta por cima. Um "olha eu aqui outra vez", com um quê de redenção.

Espero que aconteça.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL