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Fábio Seixas

ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Pílulas do Dia Seguinte

O francês Esteban Ocon celebra primeira vitória de sua carreira no GP da Hungria, em Hungaroring  - Mario Renzi - Formula 1/Formula 1 via Getty Images
O francês Esteban Ocon celebra primeira vitória de sua carreira no GP da Hungria, em Hungaroring Imagem: Mario Renzi - Formula 1/Formula 1 via Getty Images
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Fábio Seixas

Fábio Seixas é jornalista com mestrado em Administração Esportiva e passagens por veículos como Folha de S.Paulo, SporTV e TV Globo. Cobriu mais de 170 GPs de F-1, esteve em duas temporadas da Indy e chegou a pilotar um Benetton em Paul Ricard. Voltou para os boxes rebocado.

Colunista do UOL

02/08/2021 12h03

Nada foi mais legal após o GP do que a entrevista de Russell para a Duna TV, da Hungria. Ele começa a falar e, de repente, a ficha cai. As emoções afloram, o choro vem. Foi como se, baixada a adrenalina da corrida, o inglês finalmente começasse a raciocinar sobre o que tinha acabado de acontecer. Quarenta e oito largadas depois, enfim ele marcou os primeiros pontos pela Williams. "P9", diz, voz embargada, olhos vermelhos, como se tivesse vencido o Mundial. O esporte às vezes sabe ser lindo;

Nada foi mais triste após o GP do que as vaias a Hamilton. Sim, entendo que o autódromo estava lotado de holandeses e que eles estão animadíssimos com as chances de Verstappen conquistar o campeonato. Mas uma coisa é apoiar seu atleta favorito. Outra é vaiar, é perseguir o adversário, é insultar. "Vaia", define o dicionário, é demonstração de desagrado, de desaprovação, de desprezo. É algo muito feio. E sabemos que há um elemento racista ali. O esporte às vezes sabe ser horrível;

Vettel foi desclassificado, a Aston Martin entrou com uma "intenção de recurso", mas acho que não vai dar pro alemão. O Regulamento Técnico estipula que os fiscais precisam poder retirar 1 litro de gasolina do tanque para análise a qualquer momento do fim de semana. Após o GP, só conseguiram bombear 300 ml do carro #5. A Aston Martin alega que seus cálculos de consumo indicam que restava 1,74 litro e que o problema, na verdade, está na bomba do motor. A equipe tem até quinta-feira para confirmar se vai mesmo entrar com o recurso. Até lá, o alemão segue como segundo colocado do GP;

vettell - Reprodução - Reprodução
Vettel, com camiseta de apoio à causa LGBTQIA+, antes do GP da Hungria, em Budapeste
Imagem: Reprodução

Ainda sobre Vettel: ridícula a reprimenda que levou da FIA por não ter tirado a camiseta de apoio aos LGBTQIA+ durante a execução do hino da Hungria. Mas não acho que isso tenha relação com a desclassificação da corrida, como o tetracampeão insinuou. Hamilton, num post já deletado do Instagram, bateu pesado na entidade e prometeu apoiar o alemão na próxima corrida. "Vou me juntar a você, com uma camiseta igual", escreveu;

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Verstappen, Leclerc, Norris e Ricciardo, após a confusão na largada em Budapeste
Imagem: Reprodução

As férias da F-1 não serão tão tranquilas para a Honda. No sábado, a Red Bull resolveu trocar o motor de Verstappen para a corrida. O holandês chegou, assim, ao limite de motores permitido pelo regulamento: três por temporada. O problema é que, mais uma vez, ele tomou uma pancada. Qual será a consequência? Ainda não se sabe. O novo motor passará por uma checagem completa nos próximos dias. Já o segundo, aquele do acidente em Silverstone, será novamente enviado para Sakura, no Japão. Após a classificação de sábado, a Honda encontrou pequenas rachaduras na estrutura do bloco, com chances de vazamento de óleo;

"O que me deixa mais frustrado é que correremos risco de punição por termos sido alvo de acidentes. Não são problemas de confiabilidade", disse Horner, em Budapeste;

Ainda sobre Horner: o inglês considerou leve demais a punição a Bottas após o strike da largada. O finlandês perderá cinco posições no grid de Spa: "Ele vai recuperar isso em duas voltas. Não é realmente uma punição";

Foi um GP exaustivo. Vimos Alonso sofrer ao fim da corrida, e Hamilton não ficou atrás. No caso do inglês há um complicador: ele revelou que ainda sofre efeitos da infecção por Covid que enfrentou no fim do ano passado. "Tive alguma tontura... Tenho lutado o ano todo, não falei com ninguém sobre isso, mas minha preparação física não tem sido a mesma. Sofri algo parecido em Silverstone, mas aqui foi mais forte";

Silêncio nos motores, barulho nos bastidores. A "silly season", ou temporada dos boatos, está oficialmente aberta na F-1. Qual será a primeira peça a se mover? Depois do que houve em Budapeste, não consigo imaginar outro nome que não Bottas;

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Ocon comemora vitória na Hungria
Imagem: Mark Thompson/Getty Images

Ocon muda de patamar com a vitória. Ele já era o nome do futuro da Alpine, e o resultado de Budapeste consolida ainda mais essa posição. Precisamos começar a olhá-lo com a mesma atenção que dedicamos a Russell, Norris, Leclerc...

"Verstappen já conquistou o título? Em condições normais, sim". Assim comecei as "Pílulas do Dia Seguinte" após o GP da Áustria. Mantenho o escrito, mesmo com os seis (ou oito) pontos de diferença a favor de Hamilton na tabela do Mundial. O que houve em Silverstone e Budapeste foi anormal. Em ambas as corridas, Verstappen foi acertado na primeira volta. Restam 12 etapas, e a Red Bull ainda tem o melhor carro da F-1.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL