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Fábio Seixas

ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Qual é o "elemento novo" que a Red Bull vai apresentar à FIA?

Câmera onboard do carro de Hamilton mostra o exato momento do choque com Verstappen no GP da Inglaterra - Twitter/Fórmula 1
Câmera onboard do carro de Hamilton mostra o exato momento do choque com Verstappen no GP da Inglaterra Imagem: Twitter/Fórmula 1
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Fábio Seixas

Fábio Seixas é jornalista com mestrado em Administração Esportiva e passagens por veículos como Folha de S.Paulo, SporTV e TV Globo. Cobriu mais de 170 GPs de F-1, esteve em duas temporadas da Indy e chegou a pilotar um Benetton em Paul Ricard. Voltou para os boxes rebocado.

Colunista do UOL

28/07/2021 10h52

Antes mesmo de os carros irem à pista para os primeiros treinos livres da 11ª etapa do Mundial de F-1, o paddock de Budapeste já vive um clima de competição ferrenha.

E antes mesmo dos palpites, relatos e análises sobre o desfecho do recurso impetrado pela Red Bull, há outra forte expectativa no ar: qual será o "elemento novo" que a equipe apresentará à FIA?

Na terça-feira, a Red Bull solicitou a revisão da punição dada a Lewis Hamilton pelo choque com Max Verstappen na primeira volta do GP da Inglaterra.

A equipe invocou o artigo 14 do Código Esportivo Internacional da entidade, que estipula que um resultado pode ser revisto se surgir um "elemento novo e significativo que não estava disponível aos comissários no momento da decisão".

Foi convocada então uma audiência envolvendo Red Bull, Mercedes e os mesmos quatro comissários que trabalharam em Silverstone: Denis Dean, dos EUA, Nish Shetty, de Singapura, o inglês Eric Cowcill e o italiano Emanuele Pirro, que correu na F-1 por Benetton e Scuderia Italia entre 1989 e 1991 e que venceu cinco vezes as 24 Horas de Le Mans.

A reunião será virtual e está marcada para começar às 11h (de Brasília) de quinta-feira. O primeiro ato dos comissários será justamente julgar se o tal "elemento" é forte o suficiente para reabrir o caso.

Se avaliarem que a nova evidência é insuficiente, caso encerrado, a sessão durará poucos minutos. Mas, caso a acatem, poderão aumentar a punição a Hamilton, mudando o resultado do GP da Inglaterra _após receber 10 segundos de stop & go, o inglês retornou à pista em quinto lugar e mesmo assim venceu o GP.

Mas, enfim, qual será o elemento novo? A Red Bull mantém sigilo absoluto, mas a F-1 especula algumas possibilidades.

Uma delas é o surgimento de alguma imagem ainda inédita. Há um precedente recente. No ano passado, a mesma Red Bull recorreu do resultado do Q3 no GP da Áustria, alegando que Hamilton ignorou bandeiras amarelas no fim da sessão.

Apresentou como "novo elemento" uma série de imagens da câmera onboard 360° do carro do inglês, mostrando que ele passou por pelo menos um painel eletrônico que indicava bandeira amarela. Os comissários admitiram que não tinham as imagens quando da primeira decisão e puniram Hamilton com a perda de três posições no grid de largada.

Não são descartadas imagens feitas por torcedores ou mesmo simulações 3D que reforcem o ponto defendido pela Red Bull: o holandês mudou sua trajetória normal na curva Copse, deu espaço suficiente para Hamilton, mas mesmo assim foi acertado.

Outra possibilidade é a Red Bull tentar derrubar um dos principais argumentos de defesa da Mercedes, o famoso e-mail que Toto Wolff mandou para a direção de prova ainda durante a investigação em Silverstone. No calor do momento, o aviso pelo rádio sobre o envio da mensagem causou estranheza.

Como, afinal, ele teria conseguido redigir um e-mail durante aquela confusão?

A história ficou mais clara nos últimos dias. Wolff apenas encaminhou um e-mail informal da FIA, com um diagrama, que analisava um incidente parecido, entre Hamilton e Nico Rosberg, em 2015. A entidade já declarou que tratava-se de um "documento extraoficial".

Há ainda quem aposte que a Red Bull mostrará imagens das outras duas ultrapassagens que Hamilton fez na Copse, no mesmo dia, sobre Norris e Leclerc. Em ambas ele assumiu linhas bem diferentes em comparação com a do embate contra Verstappen. Seriam "elementos novos" porque, afinal, aconteceram após o anúncio da punição.

Por fim, há a tese de que tudo não passa de jogo político, de mera pressão da Red Bull de olho em possíveis novas disputas contra a Mercedes ao longo da temporada.

As respostas serão conhecidas na tarde de quinta-feira. E podem ter consequências para o que Hamilton e Verstappen farão na pista de Hungaroring a partir do dia seguinte.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL