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Fábio Seixas

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

De saída da F-1, Honda vai deixar presente para a Red Bull

O engenheiro japonês Masashi Yamamoto, chefe do projeto da Honda na F-1 - Reprodução
O engenheiro japonês Masashi Yamamoto, chefe do projeto da Honda na F-1 Imagem: Reprodução
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Fábio Seixas

Fábio Seixas é jornalista com mestrado em Administração Esportiva e passagens por veículos como Folha de S.Paulo, SporTV e TV Globo. Cobriu mais de 170 GPs de F-1, esteve em duas temporadas da Indy e chegou a pilotar um Benetton em Paul Ricard. Voltou para os boxes rebocado.

Colunista do UOL

23/06/2021 13h51

De saída (mais uma vez) da F-1, a Honda vai deixar um presente para a Red Bull. E dos bons.

Masashi Yamamoto, chefe do programa da montadora na categoria, revelou à revista francesa "Auto Hebdo" que deixará o projeto de um novo motor à disposição da equipe para a próxima temporada.

Segundo ele, todas as propriedades intelectuais de um "powertrain", ou trem de força, seguindo as regras de 2022 já foram passadas para o time. Caberá à Red Bull pegar a receita japonesa e desenvolvê-la na nova fábrica que construiu, ao lado de sua sede, na Inglaterra.

"Pessoalmente, fico triste por estarmos deixando a F-1. Gostaria que a Honda continuasse, mas entendo e respeito a decisão que foi tomada", disse Yamamoto. "Estou convencido de que fizemos todo o possível para competir com a Mercedes. Os motores hoje são muito semelhantes em termos de potência. As diferenças são circunstanciais, dependendo da pista. Mas vamos continuar nesse desenvolvimento até o fim do ano."

O pano de fundo da saída da F-1, anunciada desde o ano passado, é decisão da alta cúpula da montadora de direcionar investimentos para carros elétricos e tecnologias verdes.

Será mais uma despedida da Honda da categoria. A passagem atual começou em 2015, quando passou a fornecer motores para a McLaren. O roteiro lembra muito a experiência anterior: dificuldades no início e despedida surpreendente, quando estava às beiras do sucesso.

Refrescando a memória... No fim de 2008, a Honda vendeu sua equipe a preço de banana para Brawn após anos de resultados apenas medianos. Em 2009, com um carro desenvolvido pelos japoneses, usando motor Mercedes, a equipe foi campeã de Construtores e deu o título de Pilotos a Button. No ano seguinte, 2010, a mesma equipe se tornou Mercedes. De lá para cá, foram sete títulos de Pilotos e mais sete de Construtores.

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Barrichello e Button no GP da Itália de 2009 pela Brawn, que assumiu a estrutura da Honda
Imagem: AFP PHOTO / MARIO LAPORTA

O cenário atual é parecido. A Honda pode se despedir no auge, empurrando a Red Bull para os títulos de 2021, ou ver um projeto seu lutando pelo campeonato em 2022. Em ambos os cenários, não desfrutará do sucesso que penou tanto para conseguir.

Por pressão de algumas equipes, Red Bull à frente, a FIA congelou o regulamento de motores pelas próximas três temporadas. Ou seja, as alterações serão mínimas. A ideia é baixar custos e preparar o terreno para uma grande revolução técnica planejada para 2025.

Até lá, a fabricante de energéticos espera se firmar, também, como fabricante de motores de altíssima tecnologia.

Para isso, além do empurrãozinho da Honda nesse primeiro momento, conta com um saco sem fundo de investimentos.

O primeiro passo foi fundar a Red Bull Powertrains e construir um moderno prédio ao lado da sede da equipe, em Milton Keyes, na Inglaterra. Depois, a empresa tratou de habitá-lo: já tirou vários engenheiros da sua maior rival, a Mercedes, entre eles Ben Hodgkinson, chefe da divisão de motores da montadora alemã na F-1.

Além do projeto, a Honda também pode deixar alguns profissionais por lá. Yamamoto deu a dica na mesma entrevista à publicação francesa: "No momento não há nada, mas pode acontecer mais pro fim do ano".

Mesmo fora, a Honda deve deixar um belo legado na F-1.

Até decidir voltar de novo.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL