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Fábio Seixas

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Verstappen dá o troco e garante Mundial equilibrado

Max Verstappen durante o GP da Emilia Romagna, sua 11ª vitória na F-1 - Miguel MEDINA / AFP
Max Verstappen durante o GP da Emilia Romagna, sua 11ª vitória na F-1 Imagem: Miguel MEDINA / AFP
Fábio Seixas

Fábio Seixas é jornalista com mestrado em Administração Esportiva e passagens por veículos como Folha de S.Paulo, SporTV e TV Globo. Cobriu mais de 170 GPs de F-1, esteve em duas temporadas da Indy e chegou a pilotar um Benetton em Paul Ricard. Voltou para os boxes rebocado.

Colunista do UOL

18/04/2021 12h17

Foi dado o troco.

No Bahrein, abertura da temporada da F-1, pole position de Verstappen, vitória de Hamilton. Neste domingo, em Imola, pole de Hamilton, vitória de Verstappen no GP da Emilia Romagna.

É sua 11ª vitória na F-1, a primeira em solo italiano, uma espécie de selo de garantia de que este será um Mundial dos mais equilibrados.

A classificação do campeonato já mostra isso. Hamilton, segundo colocado em Imola, lidera a tabela com 44 pontos, apenas 1 a mais do que o rival. E isso só acontece porque, no final da prova, o inglês conseguiu tomar do holandês o ponto extra pela melhor volta.

Norris, da McLaren, foi o terceiro colocado e um dos grandes nomes da corrida.

O domingo começou agitado, foi difícil acompanhar os acontecimentos.

Cerca de uma hora antes da largada começou a chover forte no miolo do circuito.

Correria nos boxes, estratégias para o espaço, todos os carros calçados com pneus para pista molhada. No caminho para o grid, Alonso rodou, Stroll teve um incêndio nos freios e Bottas sofreu com um pneu furado. Vettel teve de largar dos boxes por precaução, depois do que aconteceu com o companheiro.

Na largada, Gasly, Ocon, Schumacher e Mazepin foram os únicos a optar por pneus para chuva intensa. Todos os outros 16 escolherem os intermediários.

Luzes apagadas. As Red Bulls foram com tudo para cima de Hamilton, ensanduichando o inglês antes da primeira curva. Verstappen e Hamilton chegaram à variante lado a lado. O inglês não aliviou, ambos acabaram se tocando, e o holandês ganhou a liderança.

Pelo rádio, Hamilton disse para a equipe que "o carro não estava bom". Um pedaço de sua asa dianteira quebrou no choque.

Lá atrás, Latifi tocou Mazepin e foi parar no muro. Safety car! Enquanto os fiscais limpavam a pista, Schumacher escorregou em plena reta e arrebentou o bico no muro. O asfalto estava um sabão, e não raro surgiam imagens de outros pilotos sofrendo para se segurar na pista.

Relargada na 7ª volta, e Verstappen disparou na frente, aproveitando-se do problema do rival.

Na 8ª volta, já tinha 4s770 sobre Hamilton. O inglês reagiu na sequência, com algumas voltas mais rápidas, mas não conseguia se aproximar.

Leclerc era o terceiro, com Pérez em quarto, mas o mexicano foi punido com um stop & go de 10 segundos por ter feito ultrapassagens durante o safety car.

Na 16ª volta, Gasly foi para os boxes colocar pneus intermediários. Pelo rádio, Verstappen e a equipe começaram a debater se não era hora de colocar os pneus para pista seca. "A pista ainda está muito traiçoeira", disse o holandês na 18ª volta.

Depois do erro de estratégia no Bahrein, a Red Bull não estava disposta a ousar de novo. Com Verstappen na ponta, e com boa vantagem para Hamilton, o mais prudente seria ficar no arroz com feijão.

Criou-se uma expectativa para ver quem seria o primeiro a arriscar os slicks, quem seria a cobaia.

Foi Vettel, na 22ª volta, que colocou os pneus médios. Toda a F-1 passou a ficar de olho no ritmo do alemão. Logo depois, Schumacher e Mazepin fizeram o mesmo, mas optaram pelos macios. Na 26ª, Tsunoda colocou os médios.

O líder então parou. Verstappen foi para os boxes na 28ª volta e colocou pneus médios. Hamilton entrou na volta seguinte, e viu a equipe se embananar na troca do pneu dianteiro direito.

Posições reestabelecidas lá na ponta, Verstappen com 4s3 sobre Hamilton.

bottas imola - Reprodução/Twitter @Formula1 - Reprodução/Twitter @Formula1
O carro de Bottas após o acidente com Russell
Imagem: Reprodução/Twitter @Formula1

Mas durou pouco. Na 31ª volta, uma cena rara: Hamilton errou. O inglês escapou na curva Tosa, bateu o bico na barreira de pneus e ficou atolado na brita. Precisou engatar a ré para voltar à pista.

Pouco depois, Russell colocou as rodas na grama úmida, perdeu o controle da Williams e acertou Bottas. Acidente feio, pedaços de carro e de placas publicitárias pra todo lado. Safety car. E bandeira vermelha! Corrida suspensa para que a pista fosse limpa.

Hamilton se deu incrivelmente bem nessa. Em oitavo lugar, teve a chance de ver o carro ser consertado antes do reinício da prova. Imagino o alívio...

A relargada foi em movimento. Mas não sem susto: Verstappen deu uma escapada atrás do safety car, mas conseguiu se manter na ponta.

Norris pulou à frente de Leclerc e assumiu a segunda posição. Na sequência, fechando o top 10, estavam Pérez, Sainz, Ricciardo, Stroll, Hamilton, Raikkonen e Giovinazzi.

Hamilton, claro, estava com a faca nos dentes. E veio passando um a um. Primeiro Stroll, depois Ricciardo e Sainz. Na 55ª volta, Hamilton passou Leclerc e então partiu com tudo para cima de Norris.

max imola - Mark Thompson/Getty Images - Mark Thompson/Getty Images
Max Verstappen, da Red Bull, vence o GP de Emilia Romagna
Imagem: Mark Thompson/Getty Images

A três voltas do fim, Hamilton passou Norris e assumiu o segundo lugar. Instantes depois, cravou a melhor volta da prova, o que deu a ele o ponto extra da corrida e o manteve na ponta do campeonato.

Completando o top 10, Leclerc, Sainz, Ricciardo, Stroll, Gasly, Raikkonen e Ocon.

"É uma temporada muito longa", disse Verstappen, ao ser informado de que Hamilton só se manteve na liderança do Mundial por ter feito a volta mais rápida.

O holandês sabe que vive, neste 2021, sua melhor chance até agora de conquistar um sonho de infância, de lutar pelo título da F-1.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL