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Fábio Seixas

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Jacques Villeneuve, 50

Jacques Villeneuve celebra o título da F-1 em 1997 nos ombros de David Coulthard e Mika Hakkinen - Fórmula 1/Twitter
Jacques Villeneuve celebra o título da F-1 em 1997 nos ombros de David Coulthard e Mika Hakkinen Imagem: Fórmula 1/Twitter
Fábio Seixas

Fábio Seixas é jornalista com mestrado em Administração Esportiva e passagens por veículos como Folha de S.Paulo, SporTV e TV Globo. Cobriu mais de 170 GPs de F-1, esteve em duas temporadas da Indy e chegou a pilotar um Benetton em Paul Ricard. Voltou para os boxes rebocado.

Colunista do UOL

09/04/2021 10h20

Jacques Villeneuve sempre foi diferente.

Foi aquele garoto de sorriso rasgado, cara de bebê, macacão azul claro da Player's, celebrando a vitória em Indianápolis em cima de marmanjos como Al Unser Jr, Bobby Rahal, Emerson Fittipaldi, Stefan Johansson, Eddie Cheever...

Foi aquele grunge que chegou ao paddock da F-1 em 1996, um outsider, um sopro de rebeldia e informalidade num ambiente tão anódino, esterilizado e cheio de não-me-toques. E que chegou acelerando, cravando pole na estreia, vencendo quatro GPs no seu primeiro ano e mostrando não sentir o baque de correr na categoria que transformou seu pai em lenda.

Foi aquele campeão que a F-1 celebrou como esperança de renovação após títulos de Schumacher e Hill, não exatamente os reis do carisma _ainda mais por ter protagonizado o bom moço quando o alemão tentou mandá-lo pro espaço na decisão do Mundial. Erguido nos ombros por Hakkinen e Coulthard, viu o mundo do alto naquela tarde de 1997 em Jerez.

Foi aquele cara que fez o inimaginável: deu as costas para a Williams acreditando no sonho de ajudar a construir uma equipe. E lá foi para a BAR, que era Tyrrell, que virou Honda, que virou Brawn, que se tornou a equipe mais dominante da história da F-1, a Mercedes. Mas o canadense saiu muito antes disso. Já desinteressado por aquele mundo, passou por Renault, por Sauber, pegou seu boné surrado e foi embora.

Fato é que Villeneuve nunca se deslumbrou com o glamour da F-1. Pelo contrário: sempre ficou na dele. Talvez por ter vivido tão cedo o drama da morte do pai, entendeu desde sempre o lado escuro da Lua.

Sempre me passou a impressão de ser alguém na constante busca pela felicidade, sem se importar nada com as opiniões dos outros. E daí que ela não estivesse mais na categoria que é o sonho de todo piloto? Por que não ir atrás da plenitude em outro lugar? Não há vergonha nenhuma nisso...

villeneuve500milhas - Focus on Sport via Getty Images - Focus on Sport via Getty Images
Villeneuve nas 500 Milhas de 1995
Imagem: Focus on Sport via Getty Images

De vez em quando ele reaparece. Já correu Le Mans, já voltou a Indianápolis, passou pela Nascar, pingou na Fórmula E, fez provas na Austrália e na Argentina. Disputou até uma prova na nossa Stock Car, em 2015, em parceria com Zonta. Ah, sim: em 2007 gravou um álbum com sua banda que vendeu menos de 1000 CDs. Imagino que tenha dado de ombros. A diversão deve ter valido a pena.

Um personagem fora da curva. Um dos mais enigmáticos e carismáticos campeões da F-1.

Jacques Villeneuve faz hoje 50 anos.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL