PUBLICIDADE
Topo

Diogo Silva

ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

A derrota de Durinho e a dificuldade que brasileiros têm para manter o foco

Gilbert Durinho é derrotado por Kamaru Usman no UFC 258, em Las Vegas -  Jeff Bottari/Zuffa LLC/Getty Images
Gilbert Durinho é derrotado por Kamaru Usman no UFC 258, em Las Vegas Imagem: Jeff Bottari/Zuffa LLC/Getty Images
Diogo Silva

Diogo Silva foi campeão mundial universitário, medalhista de ouro dos Jogos Pan-Americanos e participou dos Jogos Olímpicos de Atenas-2004 e Londres-2012 no taekwondo. Hoje, faz parte do grupo de rap Senzala Hi-Tech.

17/02/2021 04h00

A luta do último sábado (13) entre Gilbert Durinho e o nigeriano Kamaru Usman mostrou que manter o foco e a estratégia durante a luta tem sido um problema para os brasileiros. Usman nocauteou o oponente no terceiro round e manteve a invencibilidade no UFC.

Desafiante ao cinturão do peso meio médio (até 77.1kg) e ex-parceiro de treino de Usman, Durinho fez um primeiro round fenomenal e quase saiu com o nocaute ao surpreender o adversário com um um potente cruzado de direita. O queixo de Usman parece ser até blindado, se fosse outro lutador teria dormido. Durinho tem uma pancada típica de heróis Marvel e somente um outro super-herói poderia absolver e continuar lutando.

Mas Usman é um lutador "arrochado", como dizem os baianos, é pedra dura e muito forte. Ele se recuperou rapidamente e não deu nem tempo para Durinho aproveitar a oportunidade.

Nos rounds seguintes, o nigeriano encontrou a distância e passou a explorar sua envergadura, acertando o brasileiro a longa distância com jabs pesados com a mão da frente.

Quando lutamos com adversários com maior envergadura, o movimento de tronco e esquivas são fundamentais, além de controlar bem a distância e aproveitar as oportunidades que o adversário dá. Faltou ao brasileiro ter uma esquiva mais aprimorada e uma estratégia mais fiel.

Durinho demonstrou ser muito mais rápido do que Kamaru e se tivesse conseguido manter o ritmo do primeiro round talvez o resultado seria diferente.

Manter o foco e a estratégia durante a luta vem sendo um problema para os brasileiros. Se a disputa para o cinturão tem cinco rounds, ou seja, 25 minutos, não há muita necessidade de gastar toda energia logo nos primeiros 3 minutos.

Se a estratégia for jogar tudo que tem no primeiro round, assim como fazia Mike Tyson em seus momentos de glória, ótimo. Mas não podemos esquecer que estamos sendo estudados também e, assim como Holyfield fez com Tyson, Usman soube dosar a energia de Gilbert e nocauteou o brasileiro no terceiro round.

A vida de kamaru Usman antes da fama

Kamaru Usman posa com cinturão do UFC - Mike Roach/Zuffa LLC - Mike Roach/Zuffa LLC
Kamaru Usman posa com cinturão do UFC
Imagem: Mike Roach/Zuffa LLC

Usman foi o primeiro representante do continente africano a conquistar um cinturão no UFC, em 2019. Sem gloria e nem status, foi subindo cada degrau para alcançar o topo da cadeia. Com um cartel de 18 vitórias no MMA, apenas uma derrota e 13 lutas consecutivas sem perder, o "Pesadelo Nigeriano" é um homem a ser batido.

Nascido em Auchi, estado de Edo, conhecida como Benin City, Usman trabalhou em lavouras até os oito anos de idade e caminhava longas distâncias com a avó para encontrar água.

A mãe era doméstica e o pai trabalhava no Exército. Quando ele tinha cinco, o pai migrou para os Estados Unidos para tentar ser farmacêutico. Somente três anos depois conseguiu buscar a esposa e os quatro filhos, como havia prometido.

Nos Estados Unidos, Usman tentou ser atleta de futebol, mas acabou sendo direcionado para o wrestling. Ele se encontrou no esporte, alcançou a universidade e chegou a fazer parte da equipe mundial de luta livre.

Rashad Evans, ex-campeão dos pesos meio pesados no UFC, alertou o nigeriano sobre as oportunidades no MMA. E demorou pouco tempo para Usman migrar de luta e caminhar rumo ao sucesso no UFC.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL