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Diego Garcia

ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Corinthians está tão ruim que protagonista de jogo foi chuteira de Jô

Jô domina a bola cercado de jogadores do Bahia em jogo do Corinthians pelo Brasileiro  - Walmir Cirne/AGIF
Jô domina a bola cercado de jogadores do Bahia em jogo do Corinthians pelo Brasileiro Imagem: Walmir Cirne/AGIF
Diego Garcia

Repórter desde 2010, passou por Folha de S. Paulo, ESPN, Terra e Placar. Ganhou dois prêmios Aceesp (2014 e 2016) e foi indicado aos prêmios Comunique-se (2019), República (2017, 2018 e 2021), Folha (2018 e 2019) e Fenacor (2020). Cobriu Copa do Mundo, Olimpíadas, Mundial de Clubes e outros grandes eventos. Contato: garciadiegosilva@gmail.com

Colunista do UOL

20/06/2021 18h01

Em mais um jogo que mostrou como o Corinthians é limitado, a partida contra o Bahia foi tão ruim que o principal assunto foi a cor da chuteira do centroavante Jô. A Nike diz que é azul, mas com o sol e pela imagem da TV, ficava bem verde. Só se falou disso nas redes sociais porque é a cor do arquirrival Palmeiras e absolutamente proibida no Corinthians.

O jogador já havia passado por algo parecido ano passado, quando chegou no clube, ao treinar com tênis neon e ser questionado por parecer verde. Não deveria ter acontecido de novo, agora em jogo oficial. Ainda mais porque o atacante, que é ídolo da torcida, com gols e títulos, não vive bom momento. É reserva de um dos piores Corinthians dos últimos anos.

Assim, é fato que poderia ter sido evitado por Jô, ainda mais pela sua história no clube. Qualquer corintiano que se preze vai dizer que abomina a cor verde. Mas, convenhamos, quando o principal tema da partida é a cor da chuteira de qualquer jogador - que nada muda no desfecho do jogo -, é sinal de que a coisa não anda muito bem no Parque São Jorge.

Dentro de campo, o Corinthians foi mais do mesmo: pouco criativo, pouco inspirado, pouco cativante. Jogou para não perder contra um time do mesmo nível, e talvez até melhor. Assistir Rodriguinho com a camisa e a faixa de capitão do Bahia, mesmo em tarde apagada, deve ter dado saudades ao torcedor alvinegro.

O time paulista não teve Luan e Mosquito, e por isso Jô voltou a ser titular. Não entendo porque o jovem Rodrigo Varanda não é colocado para jogar. O primeiro tempo foi burocrático, sem grandes oportunidades. O Bahia teve mais domínio de jogo, mas esbarrou no sistema defensivo corintiano.

O segundo tempo foi parecido, mas o Corinthians melhorou. Embaixo do gol, Jô perdeu chance incrível (teria sido pela chuteira?). Mesmo com a ligeira superioridade da equipe visitante, no fim o Bahia só não venceu porque Cássio fez grande defesa em bola de Thony Anderson.

O Corinthians tem só uma vitória em cinco jogos no Brasileirão. Está no meio da tabela, mas preocupa bastante para a sequência da temporada. Com exceção do jogo contra o Palmeiras, quando o time mostrou entrega e, mesmo com suas limitações, deu gosto de ver, a equipe tropeça nas próprias pernas.

Em sete jogos, Sylvinho chegou ao terceiro empate. Perdeu três e venceu só uma, contra o América-MG. O clube vive em crise, com protestos de organizadas e cobranças de dias melhores. Do jeito que a coisa anda, a luz no fim do túnel ainda está bem distante. E até cor de chuteira de jogador vira polêmica...

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL