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Diego Garcia

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Ex-presidente acusa "gabinete do ódio" dentro do Santos e sacode o clube

Orlando Rollo, ex-presidente do Santos - Ivan Storti/Santos FC
Orlando Rollo, ex-presidente do Santos Imagem: Ivan Storti/Santos FC
Diego Garcia

Repórter desde 2010, passou por Folha de S. Paulo, ESPN, Terra e Placar. Ganhou dois prêmios Aceesp (2014 e 2016) e foi indicado aos prêmios Comunique-se (2019), República (2017, 2018 e 2021), Folha (2018 e 2019) e Fenacor (2020). Cobriu Copa do Mundo, Olimpíadas, Mundial de Clubes e outros grandes eventos. Contato: garciadiegosilva@gmail.com

Colunista do UOL

14/05/2021 04h00

Com Thiago Braga, colaboração para o UOL, de São Paulo

Um documento de 55 páginas enviado pelo ex-presidente Orlando Rollo ao Conselho Deliberativo do Santos sacudiu os bastidores da Vila Belmiro. Na papelada, o cartola acusa a existência de um "gabinete do ódio" dentro do clube, que vive ambiente conturbado desde a reprovação das contas da gestão passada e a eliminação no Paulista. Enquanto isso, dois conselheiros fiscais pediram afastamento.

Na documentação, Rollo diz que vazamentos sistemáticos de informações vêm ocorrendo na imprensa por um "grupo do ódio" de apoio à atual gestão que multiplica informações equivocadas. Ele cita nome de conselheiros e diz que pertencem ao grupo político situacionista, atuando livremente.

Rollo afirma que os conselheiros foram instruídos a pendurarem faixas no Pacaembu contrárias a ele e acusa os envolvidos de colocarem em xeque os atos de sua gestão por "motivos ignóbeis que só são capazes de iludir alienados e boa parte da passional torcida, que sequer tem acesso a qualquer vírgula ou fiapo de verídicas informações".

O cartola, que é policial civil, afirma existirem boletins de ocorrência sobre o suposto grupo.

O clima é tenso no clube desde a reprovação das contas de 2020, além da eliminação precoce no Campeonato Paulista. Tanto que dois conselheiros fiscais pediram afastamento nos últimos dias. José Eduardo de Abreu Lopes, presidente do Conselho Fiscal, confirma que a dupla saiu, mas por motivos alheios.

"O membro Norberto Gonçalves Júnior solicitou afastamento por motivos de saúde antes do primeiro parecer [19 de abril] e não participou da relatoria. Daniel Brandt pediu demissão e afastamento do Conselho por incompatibilidade de agendas", afirmou. Os dois foram procurados, mas não responderam à reportagem.

Segundo fontes próximas aos conselheiros, eles vinham sendo ameaçados após a divulgação do relatório sobre a gestão passada, que apontou irregularidades no Santos e reprovou as contas.

O presidente do Conselho Fiscal também falou à coluna sobre a acusação de Rollo. "Todos os santistas conhecem quais são os grupos de ódio, de calúnia. O que posso falar que ameaça e intimidação não são cabíveis nos dias de hoje", afirmou.

O Conselho Deliberativo do Santos reprovou, no dia 19 de abril, as contas do clube da Vila Belmiro em 2020, na gestão dividida entre José Carlos Peres e Orlando Rollo. O clube teve um déficit de R$ 119 milhões. Cerca de 97% do Conselho votou pela reprovação das contas.

O Santos foi procurado para comentar oficialmente as acusações do ex-presidente, mas disse que não iria se manifestar.