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Fogaça: Tudo se resume a quem aproveita melhor as suas chances de gol

O que manteve o Fortaleza na primeira divisão foi o aproveitamento das chances criadas - SAMUEL ANDRADE/MYPHOTO PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO
O que manteve o Fortaleza na primeira divisão foi o aproveitamento das chances criadas Imagem: SAMUEL ANDRADE/MYPHOTO PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO
Gustavo Fogaça

Gustavo Fogaça

Conhecido como Guffo, é comentarista da DAZN Brasil, analista de desempenho e cineasta

19/12/2019 12h04

O lado bom de quando acaba um campeonato é que a gente pode fazer leituras mais complexas do desempenho dos times e tirar conclusões úteis. Até mesmo aquelas mais óbvias. Como, por exemplo, ganha quem aproveita melhor as suas chances de gol, correto?

Nada mais antigo no futebol do que a máxima "o que importa é bola na rede". E por mais que isso seja óbvio pra você, te convido a dedicar alguns minutos a ver estes números reveladores do Brasileirão 2019, da base de dados InStat.

A média total de chances criadas dos times neste campeonato foi de 175, o que daria umas 5 chances por partida. Com aproveitamento médio de 25%, ou seja, 1,2 gol marcado. A média de gols esperados ("expected goals") por equipe foi de 49 xG total.

Isso quer dizer que os times desse Brasileirão construíram chances com uma média de 28% de probabilidade de gol cada. Um valor bem alto para a média mundial.

Mas aí entra a santa matemática para separar os adultos das crianças. Poucos foram os clubes que passaram a linha dos 30% de aproveitamento das chances criadas. O principal deles, o Flamengo de Jorge Jesus, conseguiu construir um total de 273 chances (1o) com aproveitamento de 33% (1o). Campeão!

Os únicos outros times que conseguiram essa façanha foram o Fortaleza, com um total de 157 chances criadas (15o) e 32% de aproveitamento (2o) e o Grêmio, com 210 chances criadas (5o) e 30% de aproveitamento (3o).

Torcedores da Jangada de Aço cearense, podem ter certeza absoluta disso: o que manteve o Fortaleza na primeira divisão foi esse alto aproveitamento das chances criadas. Ainda mais com um total de 48 xG (gols esperados), o que deu uma média de 30% de probabilidade de gol por chance criada.

Ou seja, o time de Rogério Ceni além de construir chances com alta probabilidade de gol, conseguiu transformá-las em realidade. Quase que na mesma quantidade que o Flamengo. Excepcional.

Só para se ter um comparativo, os times que caíram estiveram bem abaixo no aproveitamento: a Chapecoense teve 24%, o CSA 22%. Cruzeiro e Avaí foram os dois piores do campeonato, respectivamente com 16% e 15%.

Quer que seu time não seja rebaixado? Tenha um aproveitamento das chances ACIMA da média do campeonato. Ou pelo menos, empate. Se não, seu time irá correr risco eminente.

Outros dois times que tiveram excelente aproveitamento foram o Palmeiras, com total de 223 chances e 28% de aproveitamento. Mesma porcentagem do Santos (28%), que criou menos chances que o Verdão: 218.

Apesar disso, a média de probabilidade de gol das chances criadas do Peixe e do Porco foi exatamente a mesma: 27%. Realmente muito equilíbrio entre as duas equipes neste sentido.

Qualidade técnica individual. Time encaixado e bem treinado. Disposição anímica para focar nas partidas. Preparação física para chegar inteiro nos momentos mais difíceis do campeonato. Tudo isso influencia no aproveitamento das chances criadas. O futebol, amigos, segue sendo uma caixinha de surpresas, mesmo estando cheio de conclusões óbvias.

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