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Bala na Cesta


Com o título do Super8, mais um passo dado na reconstrução de Franca

Bruno Lorenzo/LNB
Imagem: Bruno Lorenzo/LNB
Fábio Balassiano

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11/01/2020 22h53

Terminou em grande estilo a Copa Super8 do NBB em sua segunda edição. Neste sábado para mais de 4 mil pessoas na Arena Carioca I, no Rio de Janeiro, Flamengo e Franca fizeram um jogaço de bola com os visitantes vencendo de 77-73 com uma exibição de gala do excepcional (justamente eleito MVP) Rafael Hettsheimeir, autor de 28 pontos (ainda teve 6 rebotes).

Disparado o mvp da final do super8. Q atuação do Rafael hettsheimeir

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O troféu francano garantiu a equipe do técnico Helinho na próxima Basketball Champions League, tirou um peso gigante das costas da equipe, que havia perdido duas finais seguidas para os rubro-negros e mantiveram o rival sem conquistar uma taça diante de seus torcedores desde 2016. Algumas coisinhas merecem ser ditas sobre a partida:

1) O começo de Franca foi muito bom, e isso psicologicamente foi muito importante devido ao histórico recente de derrotas para o Flamengo. Muito bom mesmo. Lucas Dias (11 pontos pra ele no primeiro período) explorava o poste embaixo da cesta, quicava a bola pra fora e deixava a defesa do Flamengo desajustada. Francanos abriram 17-8 rapidamente, fecharam o primeiro período em 19-13, mas aí houve uma mudança que por pouco não custou o título para os comandados de Helinho;

2) Basquete é um jogo de momentos, de sequência, de ajustes, de combinações de atletas e com uma tacada Helinho quase colocou tudo a perder. Ele tirou seus quatro principais titulares (Lucas Dias, Hettsheimeir, Parodi e Jimmy), mantendo apenas David Jackson (muito mal o jogo todo!) com jogadores que não conseguiam produzir seus próprios chutes (Schattmann, Elinho, Hubner e o jovem Márcio). Ao invés de abrir mais vantagem diante de um adversário tonto, Franca acabou trazendo Flamengo para a partida. Helinho, o técnico, me explicou depois da partida que foi um risco calculado porque: a) Parodi tinha duas faltas; b) Lucas pediu pra sair devido a cansaço; c) Hettsheimeir precisava ficar inteiro para o final do duelo; d) o argentino Schattmann precisava revezar na marcação a Marquinhos.

3) A ideia de Helinho foi boa, sem dúvida rendeu dividendos lá na frente, mas na prática o Flamengo, que trouxe Leo Demétrio (brilhante o jogo todo com 17 pontos e 5 bolas de 3) e Vargas do banco, acabou se aproveitando disso porque a combinação dos atletas que entraram mais David Jackson não fez sentido algum. Fez 31-18 no segundo período, trouxe a torcida pra dentro da partida, mudou o panorama do jogo e parecia encurralar mentalmente os francanos;

4) Aí volta a questão dos momentos e a volta do intervalo foi mega importante também. Os 19 iguais na parcial mostram, obviamente, que tudo foi muito equilibrado mas para Franca foi fundamental se manter no jogo, controlar as ações, testar novas formações (com Elinho e Parodi juntos em alguns momentos) e não deixar o Flamengo desgarrar no placar. E o melhor de tudo: com Hettsheimeir e Lucas Dias em quadra quase o tempo inteiro - algo que incomodava o rubro-negro;

5) Lembra da aposta de Helinho lá de cima do texto? Então. Deu certo. Se o negócio era chegar com Hetts e Lucas menos desgastados no último período isso foi atingido. O time marcou absurdamente (e fisicamente) bem um Flamengo que fez apenas 10 pontos em 10 minutos (4 arremessos convertidos na parcial, algo bem inadmissível para um time com esse potencial), fez 21, virou o jogo com Parodi (6), Hettsheimeir (5) e Jackson (5) pontuando bem e nos dois minutos finais conseguiu passar à frente no placar pela primeira vez desde o primeiro período. O plano de jogo do técnico Helinho foi muito bom (embora arriscado, em minha opinião, ali no primeiro período). A execução, perfeita, e assim Franca conseguiu vencer por 77-73 diante de uma torcida do Flamengo que, maravilhosamente, aplaudiu seu time mesmo com o revés.

Mais do que o título vale para Franca o fim de uma série de duas derrotas contra um rival que não só vencia, mas entrava na mente da equipe nos últimos anos. Gustavo de Conti, o técnico do Flamengo, é conhecido por sempre incomodar os francanos e dessa vez viu os visitantes fazerem com ele o que ele ultimamente conseguiu no Pedrocão - vencer um jogo decisivo fora de casa.

Era algo que o time, como um todo precisava. Era algo que Helinho, o técnico, em particular precisava e merecia - uma grande vitória contra um grande técnico. Ele nega, mas estava, sim, muito pressionado pelos insucessos no NBB e Super8 passados e o título mostra que sua visão de basquete e seu trabalho estão no caminho certos.

O técnico vencedor do super8

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Este, aliás, é mais um passo de Franca em sua retomada (mais aqui e aqui). Eu insisto no ponto que não se ganha apenas arremessando e treinando direito. É importante, mas não o todo de uma jornada que começa bem antes disso. Franca, a Capital do Basquete, quase fechou suas portas anos atrás. O trabalho de reconstrução não terminou, está longe disso e há muito a se fazer ainda, mas é óbvio que quando se começa a plantar uma semente boa de gestão, de administração e de excelência a colheita vem boa, em sequência e é sustentável.

É justamente isso que tem acontecido com Franca. Os títulos têm vindo. O orgulho de pertencer à Capital do Basquete, antes ferido, está mais vivo do que nunca. Parabéns aos francanos.

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