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Alicia Klein

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Alicia Klein: Está ficando difícil criticar o Flamengo de Renato Gaúcho

Renato Gaúcho sorri após mais um gol do Flamengo sobre o Grêmio, pela Copa do Brasil - Reprodução/Premiere
Renato Gaúcho sorri após mais um gol do Flamengo sobre o Grêmio, pela Copa do Brasil Imagem: Reprodução/Premiere
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Alicia Klein

Alicia Klein tem quase 20 anos de mercado esportivo em posições de liderança no Brasil e no exterior. Escreveu a biografia de Michael Schumacher, trabalhou na NFL, no universo olímpico e no da Copa do Mundo. Decidiu que é hora de falar sobre misoginia, racismo, trabalho infantil e tudo que o esporte aceita em nome dos resultados dentro e fora de campo.

26/08/2021 12h34

Quando Isla foi expulso ontem, contra o Grêmio, ao final do primeiro tempo, eu (e diversos colegas no Twitter) tínhamos uma certeza: vai tirar qualquer um, menos o Arrascaeta. O melhor jogador em atividade no Brasil não pode sair, mesmo com um primeiro tempo apagado.

Renato Gaúcho segurou as substituições até o intervalo e voltou sem o uruguaio e sem Diego, com Matheuzinho e Thiago Maia. Bruno Henrique já estava fora por lesão, então só sobrava Gabigol da turma fora de série. Gabigol e Michael. E Vitinho. E Rodinei. Alguns colegas se esgoelaram nas redes, inconformados com as escolhas do treinador. Elas mudaram o jogo.

Com um a menos, mas muito mais veloz, o Flamengo dominou o Grêmio no segundo tempo. Felipão, sem Douglas Costa, tentou sufocar o adversário com atacantes e terminou humilhado.

Felipão que, aliás, arrasta um currículo magro pós Copa do Mundo de 2002 (à exceção de conquistas chinesas e uzbeques): Copa do Brasil 2012 (e o rebaixamento no Brasileiro) pelo Palmeiras, Brasileiro 2018 também com o alviverde e Copa das Confederações 2013 pela seleção, pré 7 a 1. Em vinte anos.

Nas comparações infinitas entre Flamengo e Palmeiras na temporada passada, havia uma quase unanimidade: o time carioca tem o melhor time, porém não o conjunto, para além dos 11 titulares. Ontem, Renato mostrou que está construindo um elenco. Que há vida mesmo sem Arrascaeta, Éverton Ribeiro, Bruno Henrique, Gabigol, Pedro.

Ainda chovem críticas ao setor defensivo rubro-negro: a boa e velha recomposição defensiva, a habilidade de jogar correndo para trás. Quiçá pela necessidade de encontrar algo a criticar, esporte favorito de torcidas e imprensa esportivas.

Claro, há muito o que acertar, sempre há. Mas, em 13 partidas, o "Flamengo de Renato" marcou 41 gols e tomou 10 (quatro só naquele apagão contra o Internacional). Ganhou de quatro (e poderia ter sido mais) do Grêmio, em Porto Alegre, com dez em campo por mais da metade da partida. Aplicou sete goleadas no total. Está na semifinal da Libertadores e praticamente garantido na da Copa do Brasil. Salvo um acidente, estará nas finais de ambos os torneios.

Posso estar me empolgando e nas próximas semanas perceber que era tudo fogo de palha. Talvez. Agora, se quem gosta de futebol não puder se empolgar com uma equipe que mete goleada em jogo decisivo, fora de casa, com um a menos, sem suas grandes estrelas, vamos nos empolgar com o quê?

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL