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Bolsa Atleta do governo federal paga jogador de basquete dos Estados Unidos

Robert Day não quis comentar sobre sua bolsa - Henrique Costa/Bauru Basket
Robert Day não quis comentar sobre sua bolsa Imagem: Henrique Costa/Bauru Basket

Daniel Brito

Do UOL, de Brasília

10/11/2014 06h01

O jogador de basquete Robert Andrew Day recebe todo mês R$ 925 dos cofres públicos por ser um dos beneficiários do programa Bolsa Atleta, do Ministério do Esporte. Mas ele não é nascido no Brasil, não é naturalizado, nem tampouco é casado com alguém nascido no país.

Day, que joga o NBB (Novo Basquete Brasil) pelo Bauru Basquete, nasceu na cidade de Portland, no estado americano do Oregon, há 32 anos, e está no Brasil desde 2010. Hoje, é um dos mais de 6 mil atletas auxiliados com dinheiro do governo brasileiro. O programa já distribuiu R$ 82 milhões só neste ano a competidores de esportes olímpicos e paraolímpicos, desde o nível escolar até os do mais alto rendimento em certames internacionais. A meta orçamentária da pasta é investir R$ 181 milhões em 2014.

O americano recebe bolsa pelo que fez em 2013 com sua equipe à época, o Uberlândia. Ele participou da campanha do time até a final do NBB, mas não conseguiu derrotar o Flamengo na decisão, e terminou com o vice-campeonato. Esse resultado o habilitou para pleitear a bolsa na categoria nacional, para competidores que terminam entre os três primeiros em campeonatos brasileiros.

É preciso reunir toda documentação necessária como RG, CPF, comprovante de que não largou a carreira, e de que participou do campeonato e atingiu a colocação necessária para receber a verba. A confederação de cada modalidade, neste caso, a do basquete, também precisa contribuir com a documentação do atleta. O auxílio tem duração de um ano. O nome de Robert Andrew Day foi publicado entre os beneficiários no Diário Oficial da União em 1º de julho.

Convertendo para dólares, os R$ 925 mensais representam algo em torno de US$ 360 a mais na renda da família Day. Um montante inexpressivo perto dos quase R$ 30 mil (aproximadamente US$ 11 mil) que recebe de salário do Bauru. Ele é um dos mais bem pagos do clube, porque é um jogador de destaque no cenário do basquete no Brasil. Já foi escolhido pelo público para participar de três edições do Jogo das Estrelas do NBB, fez parte da seleção do campeonato na temporada 2012-2013, a mesma em que terminou como vice-campeão.

Antes de jogar por aqui, Day tentara participar do draft da NBA (sorteio de jovens talentos) em 2004, nunca foi selecionado. Partiu para o basquete mexicano, onde permaneceu até 2010, até desembarcar no Triângulo Mineiro, e aplicar para o Bolsa Atleta em 2013.

Em um período de 20 dias, este é o segundo caso de beneficiário do Bolsa Atleta com o perfil distante daquele que realmente precisa de apoio financeiro para se manter no esporte. No final de outubro, o jornal “O Estado de São Paulo” divulgou que o velejador Peter Dirk Siemsen, de 85 anos, estaria sendo beneficiado pelo programa do Ministério do Esporte e recebendo R$ 22 mil por ano do governo. Ele é pai do presidente do Fluminense, Pieter Siemsen, que teve de vir a público informar que o pai devolveria todo valor amealhado do Bolsa Atleta.

Outro lado
A assessoria de imprensa do Ministério do Esporte informou que Robert Day tem direito ao Bolsa Atleta, mesmo sendo estrangeiro, não-naturalizado. “O Ministério do Esporte esclarece que a concessão da Bolsa-Atleta, em qualquer categoria, incluindo a Nacional, que beneficia o atleta de basquete citado, segue a legislação em vigor, com a entrega da documentação comprobatória pelo esportista e das declarações emitidas pela Confederação. A legislação exige que o atleta apresente RG e CPF emitidos pelo Brasil, o que foi cumprido pelo jogador de basquete”.

O ministério informou, também, que o processo de divulgação dos contemplados também passa pela confederação de cada modalidade, que avaliza os nomes antes de serem divulgados no Diário Oficial da União. A pasta acrescentou que existe uma “preocupação constante em aprimorar o Bolsa Atleta”, e citou, por exemplo, o reajuste no valor do auxílio, praticado em 2012, e a vigilância contra atletas flagrados no exame anti-doping e o tempo de recebimento da verba desde a entrega da documentação até a primeira parcela do pagamento.

Robrt Day demorou mais de 72 horas para dar sua resposta. E o fez por intermédio da assessoria do Bauru em uma linha: “O jogador não tem nada a declarar”,.

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