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Arquiteto idealiza vila ecológica feita com impressão 3D e cacau no Equador

Projeto do Cacao EcoVillage, que será criado para a fabricante de chocolates MUZE Cacao em parceria com a ONG Avanti - Divulgação
Projeto do Cacao EcoVillage, que será criado para a fabricante de chocolates MUZE Cacao em parceria com a ONG Avanti Imagem: Divulgação

Maiara Marinho

Colaboração para Ecoa

10/06/2022 06h00

Um estúdio de arquitetura idealizou uma vila ecológica para a construção de uma fábrica de chocolates e um centro de inovação em Manabí, uma província localizada no Equador.

O projeto Cacao EcoVillage será criado para a fabricante de chocolates MUZE Cacao que, em parceria com a ONG Avanti, convidou o arquiteto Valentino Gareri para dar vida a um projeto ecológico. Para isso, a vila será construída com componentes de madeira modular e elementos impressos em 3D a partir de resíduos de cacau reaproveitados da própria fabricante.

"Quando começamos a trabalhar na concepção desta vila", conta Valentino a Ecoa, "ficamos impressionados com o fato de 80% dos frutos do cacau não serem utilizados no processo de produção de chocolate e tornarem-se resíduos".

O arquiteto menciona que na economia circular o desperdício pode se transformar em recurso, e foi esse o caminho escolhido por ele. Com isso, "aqui demos um passo à frente", relata. "Os resíduos de cacau serão reutilizados para a impressão em 3D de partes da vila."

O desenho da EcoVillage foi pensado para ser um espaço multifuncional. Além da fábrica de chocolate para beneficiamento do cacau, também irá abrigar um centro educacional, de pesquisa, um ponto de turismo e de interação entre "mentes inovadoras". Ou, como chamam os idealizadores do projeto, o "Vale do Silício" para ideias voltadas para a economia circular, pois se pretende que o espaço seja aberto para invenções e sirva como campo de ensaio para startups, fabricantes, produtores e pesquisadores.

O desenho arquitetônico incorpora cinco princípios fundamentais. A modular, com uma arquitetura flexível com diferentes dimensões e geometrias; a funcional, visto que será um espaço de uso da fábrica, assim como para outras finalidades; a sustentável, através da instalação de energia renovável, ventilação natural e aproveitamento da água da chuva; a de tecnologia ativada, com uso de ferramentas para circulação digital, como blockchain, IOT, e NFTs; e, por último, a conexão entre os elementos do projeto com as tradições e comunidades locais.

cacau - Divulgação - Divulgação
Projeto do arquiteto Valentino Gareri vai utilizar resíduos de cacau
Imagem: Divulgação

A EcoVillage será construída em Pedernales, um condado na província costeira de Manabí, onde as famílias agricultoras de cacau trabalham e vivem. A vila, portanto, deverá fomentar a economia local e promover o desenvolvimento do setor na região.

O modelo acompanha as novas condições ambientais. Para Valentino, "a arquitetura sustentável é uma disciplina que evolui continuamente de acordo com as mudanças climáticas", tanto em relação "ao uso de novas tecnologias", quanto para adotar "soluções para a redução do consumo de energia".

'Soluções para problemas ambientais'

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Arquiteto explica que as fachadas inspiram-se na vasta gama de casas multicoloridas equatorianas e nos frutos coloridos dos cacaueiros
Imagem: Divulgação

O Atelier Valentino Gareri realiza projetos que tenham impacto socioambiental positivo no planeta. Por isso não há linha artística definida. O mais importante é "fornecer, através dos nossos projetos, uma solução para os problemas ambientais", comenta o arquiteto. Nesse sentido, os resultados estéticos consideram características geográficas e climáticas. Por esse motivo, costumam ser construções diferentes entre si, tendo em comum o uso de material sustentável.

Para a Cacao EcoVillage, por exemplo, todos os edifícios serão feitos de materiais locais e naturais. Segundo Valentino, "as fachadas inspiram-se na vasta gama de casas multicoloridas equatorianas e nos frutos coloridos dos cacaueiros".

Mas não somente a estética se inspira na cultura local. "A forma dos edifícios facilita a recolha da água da chuva: os tanques de água são integrados nos telhados, cuja forma inspirou-se nos padrões artísticos locais equatorianos", conta.

Gareri acredita que os arquitetos têm responsabilidade em contribuir para fazer do planeta um lugar melhor, "onde possamos viver hoje e que seja o melhor lar para as gerações de amanhã", finaliza.