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Reduzir emissões? "Combater desmatamento é forma mais rápida e barata"

Às margens da BR-230, a Transamazônica, o desmatamento segue às claras com uma retroescavadeira conhecida como PC trabalhando em um garimpo no trecho entre Jacareacanga e Itaituba - Fernando Martinho/Repórter Brasil
Às margens da BR-230, a Transamazônica, o desmatamento segue às claras com uma retroescavadeira conhecida como PC trabalhando em um garimpo no trecho entre Jacareacanga e Itaituba Imagem: Fernando Martinho/Repórter Brasil

Fernanda Schimidt

De Ecoa, em São Paulo (SP)

01/11/2021 18h02

A promessa de redução das emissões de gases do efeito estufa em 50% até 2030, feita pelo governo federal hoje (1º), foi recebida com críticas por especialistas em meio ambiente e ativistas pelo clima.

Para o diretor de conhecimento da Fundação SOS Mata Atlântica, o engenheiro agrônomo e doutor em fitotecnia Luis Fernando Guedes Pinto, "a principal tarefa do Brasil para reduzir emissões é combater o desmatamento. Essa é a forma mais rápida e mais barata. A gente pode diminuir as emissões em 60% a 80% tendo um combate rigoroso e sério, principalmente na Amazônia".

Guedes Pinto afirma que uma das principais críticas ao anúncio do governo acontece pela incoerência entre discurso e prática. "O presidente esteve na semana passada numa terra indígena na Amazônia apoiando o trabalho os garimpeiros ilegais, que isso está diretamente ligado ao aumento do desmatamento, o que é uma grande contradição", diz. Outro ponto, explica ele, se dá em relação ao compromisso ter sido divulgado apenas verbalmente, o que impede análises sobre o plano de ação: "a gente não sabe qual é a linha de base, a referência. Não se sabe se simplesmente mantém o mesmo compromisso estabelecido em 2015 ou se pode estar até abaixo."

Esses detalhes também são o foco para Luciano Frontelle, diretor executivo da ONG Plant-For-The-Planet e curador de Ecoa. "É muito importante a gente definir a meta, qual é a ambição. Mas também é muito importante a gente definir o como. Como vamos chegar lá?"

Para o engenheiro da SOS Mata Atlântica, o combate ao desmatamento passa por uma série de ações que fortalecem a fiscalização ambiental. "Precisa fortalecer o orçamento do Ibama, do ICMbio, que é a agência federal que cuida das áreas protegidas, a Funai, que cuida das terras indígenas. É um discurso que não incentiva o desmatamento e a ilegalidade. A gente precisa na Amazônia destinar terras públicas que estão sendo griladas, a gente precisa de leis cada vez mais rigorosas, não cada vez menos rigorosas, que são retrocessos ambientais. É preciso ter controle sobre as commodities que avançam sobre a Amazônia", pontua.

Segundo ele, o governo federal tem papel central neste processo. "Tudo isso são coisas que o governo federal tem um papel fundamental para articular, coordenar as políticas num país continental".

Frontelle também reforça as dimensões do país ao defender outro ponto para que a redução de emissões seja uma realidade até 2030, prazo dado pelo Acordo de Paris. "Sinto muita falta nas posições e compromissos, principalmente no Brasil, um país continental do jeito que é, um processo de mobilização na sociedade, de inclusão. Sinto que isso só pode ser feito a partir de um processo que seja mobilizador e educativo", explica ele, que lidera ações voltadas para educação ambiental para jovens e crianças.

O ativista justifica a importância da educação ao fazer referência ao próprio Acordo de Paris. "Faz parte no artigo 12 que os países façam esforços para fazer processos de ação de empoderamento climático, que é acesso a comunicação, mobilização, treinamento e capacitação", afirma.

Em discurso de abertura da COP 26 em Glasgow, na Escócia, a ativista indígena Txai Suruí também deu pistas para um futuro com menos desmatamento. "Não é em 2030 ou 2050, é agora! Os povos indígenas estão na linha de frente da emergência climática e nós devemos estar no centro das decisões que acontecem aqui. Temos ideias para adiar o fim do mundo", afirmou.

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