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Google investe R$ 3 mi para adaptar aulas para crianças em confinamento

A alfabetização será um pontos abordados pelo projeto com planos de aula a distância - Getty Images
A alfabetização será um pontos abordados pelo projeto com planos de aula a distância Imagem: Getty Images

Rodrigo Bertolloto

De Ecoa, em São Paulo

27/05/2020 04h00

O Google.org, braço filantrópico do Google, e a Nova Escola, negócio social ligado à Fundação Lemann, anunciaram parceria para ajudar professores, gestores escolares e até famílias a dar continuidade ao aprendizado durante a pandemia e o isolamento social.

Um aporte de R$ 3 milhões do Google.org será utilizado para criar o projeto Conexão Educativa, que envolverá a adaptação de 6.000 planos de aula alinhados à Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e a produção de cursos e materiais de apoio para a aplicação do ensino a distância.

O acesso a todos os recursos será online e gratuito por meio da plataforma da Nova Escola, que espera que a iniciativa chegue a 590 mil professores e impacte no aprendizado de 11 milhões de alunos. Só é necessário um cadastramento no site.

Um dos principais desafios do projeto é alfabetizar, afinal, o letramento nunca foi até agora o foco do EAD (ensino a distância). "As famílias vão ter que participar do processo, as crianças não são autônomas nessa idade. Além da presença e do apoio, os pais vão estar em contato direto com a aula e ter de garantir disciplina para o aprendizado", relata Guilherme Luz, CEO da Nova Escola.

A professora Mara Mansani, que está no grupo que adapta as aulas para esse mundo de isolamento, afirma que está surgindo o "pai professor" e o "filho aluno". "Não dá para delegar o ensino aos pais. Eles não devem se preocupar em ser os professores e devem ter muita paciência. Mas, por outro lado, nunca vi tanta interação entre família, aluno e escola como agora. Muitos pais se deram conta do grau de conhecimento dos filhos só nesse momento."

Mansani acredita que não se deve adiar a alfabetização para depois da pandemia. "O Brasil tem uma dívida com a educação. Não se deve parar nada. Temos que tentar o máximo com todos os meios", afirmou.

Ela acredita que vai dar para distribuir as aulas até por WhatsApp e outras redes sociais. "As aulas são leves e compartilháveis, ideal para quem não está online o tempo todo, o que é a realidade da maioria dos brasileiros." Além disso, haverá versões em áudio e vídeo, formatos populares na internet.

Valdir Leme, diretor de marketing do Google, aponta que nunca foi tão importante o ensino remoto quanto agora. "Vivemos um ponto de inflexão. O que era uma opção virou uma necessidade, porque a demanda ficou muito grande. Sabemos que a escola pública é bem carente no Brasil, e essa é uma forma de ajudar nisso e padronizar condições", opina o executivo.

O Conexão Educativa será lançado amanhã (28), em uma aula inaugural ao vivo às 15h sobre alfabetização a distância. Será a primeira de oito lives semanais com temas escolhidos com base em pesquisas sobre os principais desafios dos educadores.

"A maioria das redes de ensino não estava preparada para oferecer aulas a distância. Estamos ajustando e lançando recursos para que educadores consigam adaptar suas práticas e aulas para o ensino remoto", argumentou Luz.

Desenvolvidos pela Nova Escola entre 2017 e 2019 com um investimento de R$ 15,8 milhões do Google.org e da Fundação Lemann, os planos de aula foram originalmente pensados para o uso presencial nas escolas. Agora uma força-tarefa está adaptando esse acervo para o mundo digital. As aulas podem ser acessadas por smartphone e não exigem internet rápida, funcionando com conexão 2G.

Para a professora Anna Cecília Simões, da escola municipal Amorim Lima, em São Paulo, é mais importante trazer aprendizados e reflexões sobre o momento em que vivemos do que passar muitas lições e exercícios para as crianças. "Estamos vivendo um tempo inaugural. Temos que fomentar a discussão, ouvir as crianças e aprender com elas. Essas aulas online servem como um complemento, mas nunca vão substituir a figura do professor e as aulas presenciais, principalmente para os mais novos. O ensino pode ser online, mas não deve ser mecânico", analisou.

Mansani vê a atualidade como um momento único. "Nunca eu aprendi e ensinei tanto. Professores, pais e alunos estão redescobrindo seus papéis. É um movimento grandioso que mostra como a formação educacional é deficitária nesse país. Mas todos estão se reinventando, e muitas soluções estão acontecendo em rede. Se o problema está com todo mundo, então a solução também está", afirmou.

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