Derretimento de geleiras flutuantes da Groenlândia pode elevar nível do mar em 2,1 metros: 'dramático'

As plataformas de gelo flutuantes do norte da Groenlândia perderam um terço de seu volume nas últimas quatro décadas, revela um estudo publicado na terça-feira (7), o que incide em um possível aumento "dramático" do nível do mar.

Essas plataformas flutuantes desempenham um papel crucial na regulação do fluxo de gelo das geleiras da região para o oceano. Essas geleiras contêm gelo suficiente para eventualmente elevar o nível do mar em 2,1 metros.

Desde 1978, essas plataformas de gelo perderam mais de 35% de seu volume total, e três delas colapsaram por completo, segundo o estudo.

Por causa do aquecimento global alimentado pelo uso de combustíveis fósseis, as plataformas de gelo são "extremamente vulneráveis" a um maior retrocesso, e até mesmo colapso, de acordo com o estudo publicado na Nature Communications.

"Isso pode ter consequências dramáticas em termos de aumento do nível do mar", disseram os autores.

O derretimento das plataformas de gelo em si não contribui para o aumento do nível do mar, uma vez que estão na água. Mas elas funcionam como "represas" que regulam a descarga de gelo no oceano da camada de gelo. Se essas barreiras naturais se desintegrarem, poderão fazer as geleiras despejarem mais gelo nos oceanos.

No passado, as geleiras dessa região foram consideradas estáveis pelos cientistas, ao contrário de outras partes da camada de gelo da Groenlândia, que começou a se fragilizar em meados da década de 1980.

Os autores do estudo descobriram, no entanto, que as geleiras começaram a descarregar gelo em resposta ao enfraquecimento das plataformas, que vêm derretendo em sua parte inferior, devido ao aquecimento dos oceanos.

"Identificamos um aumento muito significativo no derretimento desde a década de 2000, que corresponde claramente a um aumento nas temperaturas dos oceanos nesta área durante esse período", disse o autor principal, Romain Millan, pesquisador do Centro Nacional de Pesquisa Científica (CNRS, em francês), em conversa com a AFP.

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Os pesquisadores, baseados na Dinamarca, na França e nos Estados Unidos, usaram milhares de imagens de satélite combinadas com medições de campo e com modelos climáticos para reconstruir a natureza destas extensões de geleiras flutuantes.

As geleiras do norte da Groenlândia começaram a desestabilizar somente nos últimos 20 anos, o que significa que se perdeu mais gelo do que se ganhou. A camada de gelo da Groenlândia representa hoje em torno de 17% do aumento do nível do mar observado entre 2006 e 2018.

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