Tony Marlon

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Por que apoiar uma festa de Natal?

Em 2023, considere apoiar uma festa de Natal se puder. A sexta-feira do ano chegou: enfim, é dezembro. Já é possível escutar por aí nas rodas de amizades aquilo de: "Meu Deus, que ano difícil foi esse". O problema é que no ano passado a frase era igual. No ano anterior, também. Uma pista de que o problema está nas condições para a produção da vida, que pioram dia a dia. O calendário é um só um detalhe. Ou uma desculpa.

Uma das funções sociais de dezembro é nos acordar uma solidariedade adormecida por um cotidiano difícil arrodeado de problemas no trabalho, dos desafios familiares. Dezembro é aquela faísca de esperança de que, ao apoiar quem está ao meu lado, eu movimento o mundo inteiro para um lugar melhor que agora. Nenhuma de nós precisa fazer tudo, se cada uma de nós fizer o melhor possível.

Isso eu não tirei da cabeça, escuto há anos de quem lidera projetos sociais: em dezembro as pessoas ficam mais solidárias. E outro dia me disseram isso aqui também: e solitárias. E se, neste 2023, você considerasse apoiar alguma Festa de Natal naquele bairro vizinho da sua casa? Dia das Crianças e a Páscoa são dois bons exemplos de datas que mobilizam pessoas, solidariedade e expectativa. O Natal entra nesse bolo. São momentos que têm um forte apelo emocional e afetivo. Especialmente entre as crianças e adolescentes. Essa conversa não é sobre consumo. É sobre direito ao ritual coletivo do pertencimento e da felicidade.

Nem todas as pessoas celebram o Natal, isso você e eu sabemos. Sabemos também que nem todas as pessoas têm boas lembranças com a data. Seja por algo que aconteceu - uma briga familiar, por exemplo -, seja pela ausência de alguém importante. Há aqueles que não gostam porque não gostam e fim. Nem tudo precisa de explicação. Agora, pense que para a maioria das crianças essa é uma época diferente. Um momento até certo ponto, mágico. De novo, isso é o que escuto delas. E se você ajudasse a construir uma memória que vai ficar para sempre em alguém?

Lideranças comunitárias e organizações sociais puxam festas de Natal em seus bairros. Quem historicamente faz isso de maneira inspiradora são os times de futebol amador. Uma pesquisa simples nas redes sociais e é capaz de você encontrar uma bem rapidinho, aí do lado da sua casa. Se encontrar, considere apoiá-la financeiramente. Nem que seja com R$ 10. Eu sei, a vida anda difícil para todo mundo. Só se você puder.

Essas pessoas, você e eu sabemos que isso não resolverá todas as questões do mundo. Mas essas pessoas, você e eu sabemos também que a felicidade é um músculo que precisa ser exercitado. E a esperança, também. Consegue imaginar o que acontece por dentro de uma pessoa quando ela percebe que foi notada, que não foi esquecida? Aqui reserve 2 minutos e se lembre de como você se sentia aos 8 anos em dias assim.

Somos filhos e filhas de uma cultura que reforça a ideia de caridade, enquanto não luta com tanta força assim para defender a justiça social. A primeira hierarquiza perigosamente as pessoas, a segunda reverencia a dignidade como direito humano básico. Pense nesse apoio que você fará como um exercício de cidadania e solidariedade.

Cidadania implica a participação ativa na vida da sociedade e o respeito pelos direitos de quem está ao redor. Já a solidariedade é sobre essa união e apoio mútuo entre pessoas, grupos ou comunidades. É isso: Todas e todos nós estamos interconectados, somos interdependentes. Será bom para mim quando for bom para todo mundo.

Apoiar uma festa de Natal séria e comprometida com a felicidade de centenas de crianças pode não salvar o mundo, mas salva o instante - parafraseando a poeta portuguesa Matilde Campilho. E às vezes é tudo que a gente precisa fazer.

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Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.

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