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Primeira Infância

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Viver dia especial com as crianças é o melhor presente

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Imagem: iStock

Luanda Nera e Carol Guimarães

15/10/2021 06h00

Não é fácil nos livrarmos dos velhos hábitos, e a pandemia nos fez valorizar ainda mais os momentos de celebração, de respiro, as comemorações possíveis do cotidiano. Mas, principalmente depois de toda essa experiência que vivemos nos últimos tempos, com tantas restrições e limitações, será que precisamos manter a tradição (na verdade, a obrigação) de comprar presentes também no Dia das Crianças? Por imposição da cultura e do consumo, nos acostumamos com a relação direta entre a data comemorativa e novos presentes, que normalmente vêm acompanhados de uma grande quantidade de caixas, plásticos e papéis de embrulho. E, mesmo com o necessário recorte socioeconômico que precisa ser feito quando falamos em compras, por mais um ano o 12 de outubro se transformou em uma oportunidade comercial para muitos.

A grande maioria das crianças termina o feriado com uma nova leva de brinquedos e roupas, que se somarão a outros tantos objetos parecidos, mas que têm pouco a acrescentar como vivência. Não deixam marcas. Sem falar nos doces e 'porcarias' liberadas em datas especiais, exceções que acabam condicionando a data aos maus hábitos adultos.

Se o exemplo é tão importante para a formação e o desenvolvimento dos pequenos, é preciso se perguntar sobre a mensagem que o Dia das Crianças está deixando para a formação dos seus hábitos de consumo, que se iniciam cedo e contam muito com a observação da realidade ao redor. A publicidade infantil também é uma ameaça ao bom senso e merece nossa atenção. Mas podemos pensar em novas ideias sobre o que é agradar as crianças. Afinal, o que é especial para quem está na infância?

Presentes não são a única forma de presentear. Viver um dia especial com as crianças, fazer um passeio diferente que elas escolham, transformar um cômodo da casa temporariamente em espaço de brincadeiras ou produzir juntos um brinquedo são algumas ideias, mas podemos ir além. Os especialistas em desenvolvimento humano garantem que as vivências são muito mais eficazes para criar sentimentos de felicidade do que os objetos ou bens materiais. É fácil afirmar que o fazer de um bolo a quatro mãos deixa mais lembranças na memória infantil do que o mais moderno dos jogos de videogame.

"Em vez do brinquedo ou da roupa, ofereça um piquenique ao ar livre; um dia na praia; um passeio na trilha; um banho de cachoeira. Um fim de semana na serra com os avós. Ou algo mais simples, um dia na pracinha ou no parque com mais um ou dois amigos de outras famílias", recomenda o pediatra e sanitarista Daniel Becker, autor do canal Pediatria Integral.

Experiências felizes na infância deixam memórias para toda a vida, além de incentivarem a formação de vínculos e aumentarem o leque de referências que vão promover um desenvolvimento integral para as crianças. Focar na qualidade do tempo é muito mais valioso do que no número de coisas ou encontros oferecidos a eles.

Para a mudança de perspectiva sobre as datas especiais que também são comerciais, a ocupação de espaços públicos, abertos e verdes pode ser uma grande aliada. A natureza é o maior parque de diversões do mundo, oferecendo oportunidades para a exploração e o brincar livre, tão importante para o desenvolvimento dos bebês e das crianças em seu máximo potencial. Que nossas crianças tenham dias cada vez mais especiais, mais felizes e saudáveis.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL