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Primeira Infância

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Atuação em rede e o futuro da agenda para a primeira infância

O Mundo das Crianças, em Jundiaí (SP) - Reprodução/Facebook
O Mundo das Crianças, em Jundiaí (SP) Imagem: Reprodução/Facebook

Luanda Nera e Carol Guimarães

06/08/2021 06h00

Nos dois extremos do país, em Pelotas (RS) e em Fortaleza (CE), as cidades já trocam experiências para a criação de microparques em territórios urbanos e de alta densidade. Em São Paulo, Campinas visitou a vizinha Jundiaí para saber mais sobre o Mundo das Crianças e outras iniciativas que têm feito da cidade uma referência nacional no acolhimento da primeira infância e suas famílias. Niterói (RJ) vem promovendo trocas com Fortaleza, Jundiaí e Boa Vista (RR), além de cidades latino-americanas, como Bogotá, na Colômbia, com o objetivo de replicar serviços e intervenções urbanas que já demonstraram melhorar a qualidade de vida das crianças.

Os exemplos resumem bem o propósito do trabalho em rede, que tem se tornado uma marca das gestões municipais de vanguarda e que estão alinhadas com as melhores práticas de sustentabilidade em cidades em diversas partes do mundo. As histórias acima foram costuradas a partir da iniciativa global Urban95, idealizada pela Fundação Bernard van Leer e que está presente em oito países.

Por aqui, a Rede Urban95 Brasil foi oficializada em julho de 2020 a partir do ingresso de 11 novas cidades brasileiras à iniciativa - Aracaju (SE), Boa Vista (RR), Brasiléia (AC), Campinas (SP), Caruaru (PE), Crato (CE), Fortaleza (CE), Ilhéus (BA), Jundiaí (SP), Niterói (RJ) e Pelotas (RS). Antes disso, Recife (PE), São Paulo (SP) e Boa Vista (RR) já desenvolviam projetos pioneiros de atenção integral à primeira infância com base nas premissas básicas da rede: tomada de decisões com base em dados, espaços públicos e natureza, mobilidade para as famílias e utilização de serviços.

Em julho deste ano, mais 11 municípios brasileiros chegaram à Urban95 e já começaram a trocar experiências: Alcinópolis (MS), Alfenas (MG), Benevides (PA), Canoas (RS), Cascavel (PR), Mogi das Cruzes (SP), Paragominas (PA), São José dos Campos (SP), Sobral (CE), Teresina (PI) e Uruçuca (BA).

Mas, para que seja efetiva e sustentável, a articulação em rede demanda disposição, interesse, dedicação e, sobretudo, uma visão integrada das políticas públicas locais. Integrada e de longo prazo, que extrapole as alternâncias de governo, de partidos, de lideranças.

"É fundamental conhecermos outras realidades e nos inspirarmos a partir delas. Fizemos grandes contatos com outras cidades como Fortaleza, Jundiaí e Boa Vista, e vamos seguir trocando experiências que enriqueçam nossas políticas públicas", conta a secretária do escritório de gestão de Projetos da Prefeitura Municipal de Niterói (RJ), Valéria Braga.

"O mundo é colaborativo, precisamos ser cada vez mais um ecossistema de cidades que se auxiliam. Não há respostas que possam ser encontradas em um único ambiente. As políticas públicas podem ser executadas por um governo, mas devem ser do Estado", reforça Luiz Fernando Machado, prefeito de Jundiaí (SP).

Paula Mascarenhas, prefeita de Pelotas (RS), conta que um dos projetos voltados para a prevenção da violência, o Pacto Pelotas pela Paz, tem sido procurado tanto por cidades vizinhas, como Lageado (RS), quanto por cidades de outros cantos do país, como Caruaru (PE). E destaca um outro aspecto fundamental do trabalho em rede: "Os prefeitos têm cada vez menos recursos e assumem cada vez mais responsabilidades, independentemente do tamanho e da característica de cada município. Nesse sentido, também a formação de parcerias pode ser uma estratégia muito eficaz, otimizando investimentos e tecnologias".

Já aprendemos que incluir a perspectiva de bebês, crianças pequenas e cuidadores no planejamento urbano, nas estratégias de mobilidade e nos programas e serviços oferecidos é o diferencial das comunidades que terão um futuro mais sustentável, saudável e feliz para aqueles que vivem nas cidades. Estamos cada vez mais urbanos, então como podemos melhorar estes ambientes? Considerar a experiência de uma criança de três anos de idade que, em média, tem até 95cm de altura, pode ser uma boa dica, afinal, uma cidade boa para as crianças é uma cidade boa para todos.

Carol Guimarães estará distante nos próximos meses vivenciando, agora na prática, a primeira infância na cidade durante sua licença-maternidade

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL