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Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Mês do Meio Ambiente: como ajudar o ano inteiro?

Na imagem, pesquisadores do Instituto Biota de Conservação se preparam para realizar a marcação de uma fêmea de tartaruga-marinha após o processo de desova - Acervo Instituto Biota de Conservação
Na imagem, pesquisadores do Instituto Biota de Conservação se preparam para realizar a marcação de uma fêmea de tartaruga-marinha após o processo de desova Imagem: Acervo Instituto Biota de Conservação

João Antonio dos Santos Neto, Bruno Stefanis Santos Pereira de Oliveira e Waltyane Alves Gomes Bonfim*

09/06/2022 06h00

"Você possui dois lares: o seu corpo e a Terra. Portanto, cuide de ambos".

A frase de autoria desconhecida traz uma reflexão sobre o autocuidado com nosso corpo. Diariamente buscamos uma harmonia entre o bem-estar físico, mental e social, por meio de hábitos saudáveis, seja na alimentação, prática de exercícios físicos ou na regulação do sono. E com relação à Terra, será que temos essa consciência diária para cuidar do nosso planeta? No fim das contas, a extensão de nossa casa requer uma atenção constante e coletiva.

Comemorado oficialmente em 05 de junho, o Dia Mundial do Meio Ambiente faz um convite a essa reflexão. Durante todo o mês são intensificadas as ações com o objetivo de compartilhar informação e promover a conscientização ambiental, despertando a atenção sobre a responsabilidade compartilhada para um planeta saudável.

Como surgiu a data

A data foi criada há 50 anos durante a Conferência de Estocolmo com o objetivo de retomar um debate sobre a vida sustentável em harmonia com a natureza. A primeira conferência com o tema ambiental em âmbito mundial, a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente de 1972, foi um ponto de partida para a globalização do tema.

Além disso, um dos principais frutos da conferência foi a criação do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), por meio da Organização das Nações Unidas (ONU). O órgão se tornou responsável por promover a agenda ambiental global e incentivar os participantes a atingir os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável e da Agenda 30. A criação da data ajudou a sensibilizar a sociedade para mudanças de hábitos no dia a dia, gerar transformações na sociedade.

Consumir e produzir menos é mais

O padrão de consumo da sociedade atual tornou-se uma alerta para a garantia dos recursos naturais para as próximas gerações. Parte desses recursos são utilizados para produção bens de curta duração ou descartáveis que geram uma enorme quantidade de resíduos sólidos. A reciclagem, processo de transformação dos resíduos sólidos para matéria-prima, pode ser uma das alternativas para diminuir a quantidade de resíduos descartados incorretamente, ou depositados nos aterros sanitários (reduzindo sua capacidade e tempo de duração).

Apesar dos benefícios econômico e ambiental, estima-se que 30% dos resíduos produzidos no Brasil apresenta potencial para ser reciclado, no entanto, aproximadamente 3% de fato é.

Uma simples coleta seletiva em casa pode fazer a diferença. Após a separação de materiais recicláveis (metais, plásticos, vidro e papel/papelão) o que poderia tornar-se "lixo" pode ser encaminhado a Pontos de Entrega Voluntária (PEV) ou entregue nas cooperativas de reciclagem da sua região. Lembre-se que produtos como baterias, lâmpadas, medicamentos e eletrônicos devem ser entregues em pontos de coleta específicos. Além disso, toda matéria orgânica proveniente de resto de alimentos (frutas, legumes, cascas de ovos, borras de café), folhas e grama pode ser reaproveitada para compostagem na produção de adubo orgânico utilizado em hortas e jardins.

Uma decisão importante para um modo de vida mais consciente é evitar o consumismo, o excesso de aquisições materiais desnecessárias. Devemos refletir sempre antes de qualquer compra: Realmente preciso? Vai ser útil por muito tempo? Não tenho nada semelhante? Outra forma de colaborar é recusando o uso de produtos descartáveis - canudos e embalagens plásticas - que podem ser substituídos por canudos de inox/papel, e ecobags, respectivamente.

Copos e canudos de plástico descartados incorretamente recolhidos durante limpeza de praia, em Maceió/AL. Imagem: Victor Farias - Victor Farias - Victor Farias
Copos e canudos de plástico descartados incorretamente recolhidos durante limpeza de praia, em Maceió (AL)
Imagem: Victor Farias

Devemos ser consumidores responsáveis. Sempre que possível pesquisar sobre a procedência e avaliar os impactos durante do ciclo de produção do produto em questão. As empresas estão investindo cada vez mais em práticas sustentáveis, idealizando a expansão nos negócios e valorização da marca, buscando atrair o público de clientes conscientes.

A informação é uma das principais aliadas para conservação. Utilize as redes sociais para debater com a comunidade, e atentar os gestores políticos sobre tudo que for essencial para o consumo de recursos naturais e energéticos eficientes, conservação da biodiversidade, emissão atmosférica de gases, saneamento básico, e outros aspectos que possam melhorar a qualidade de vida e do meio ambiente. Promova ou participe de mutirões de limpeza em áreas de lazer, rios, lagoas e praias, o ato pode sensibilizar a população a preservar as áreas de uso comum.

Ação voluntária organizada para promover a limpeza da praia e sensibilizar a população em Maceió/AL. Imagem: Victor Farias - Victor Farias - Victor Farias
Ação voluntária organizada para promover a limpeza da praia e sensibilizar a população em Maceió (AL)
Imagem: Victor Farias

Desse modo, por meio de pequenas ações, podemos fazer a diferença para nosso planeta. A garantia de um meio ambiente harmônico e equilibrado depende de nossa responsabilidade contínua e isso pode assegurar o bem-estar das próximas gerações.

* Licenciado em Ciências Biológicas pelo IFAL, João Antonio dos Santos Neto atua como professor na educação básica da rede pública. Desde 2014, é membro voluntário nas ações de educação ambiental e manejo do Instituto Biota de Conservação. A iniciativa foi finalista da categoria Iniciativas que Inspiram, do Prêmio Ecoa 2021.

Bruno Stefanis Santos Pereira de Oliveira é biólogo, mestre em Biodiversidade e Conservação pela UFAL e doutorando em Zoologia pela UFPB. É um dos fundadores e atual presidente do Instituto Biota e representa a instituição como conselheiro em diversos fóruns de políticas públicas em todas as esferas. É um dos fundadores e primeiro coordenador geral da RETAMANE.

Waltyane Alves Gomes Bonfim é bióloga, mestre em biodiversidade e conservação. Atua no Instituto Biota de Conservação desde 2009, exercendo atualmente a função de coordenadora de pesquisa e de comunicação.

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