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Mari Rodrigues

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

O festival Eurovision e a torcida que deveria ser saudável

A cantora Manizha representa a Rússia no Eurovision de 2021 - KIRILL KUDRYAVTSEV/AFP
A cantora Manizha representa a Rússia no Eurovision de 2021 Imagem: KIRILL KUDRYAVTSEV/AFP

Mari Rodrigues

22/05/2021 06h00

Hoje, sábado, 22 de maio, é dia da final de um dos eventos mais agregadores de pessoas LGBT+: o festival musical Eurovision, o evento televisionado mais assistido no mundo. Todos os anos, milhões de pessoas no mundo todo se juntam na frente da TV e torcem pelas canções enviadas pelos diferentes países europeus (e de outros continentes também), por vezes muito boas, e por vezes nem tanto.

No ano passado, numa decisão inédita, a organização do festival resolveu cancelá-lo, devido à emergência causada pelo novo coronavírus. Este ano, resolveram fazê-lo, numa versão simplificada e mesmo com a pandemia ainda não totalmente controlada, o que se viu pelo surgimento de casos de covid entre as delegações participantes, que mostra que os tais "protocolos de segurança" adotados não deram muito certo.

No festival, acontece de tudo. Já vimos uma drag queen barbada ganhando o concurso. Personagens andróginos a rodo. Várias mensagens de tolerância sendo transmitidas em países controversos neste assunto. Por que não falar deste ano, em que uma feminista russa desafia o sistema com o apoio da edição que coloca o público ostentando bandeiras LGBT+ após a apresentação?

Os fãs do festival também são os mais diversos. Desde aquelas pessoas que só lembram dele uma vez por ano, quando está passando na televisão, sentam no sofá, assistem e votam nas suas canções favoritas, desde sites especializados que respiram Eurovision o ano todo, acompanham as seleções nacionais com fervor e ditam tendências. Mais recentemente, o público LGBT+ se apropriou da torcida, e é nesse ponto que quero chegar hoje.

Todo mundo minimamente conhecedor do mundo LGBT+ sabe o fervor com que algumas pessoas se referem às chamadas "divas pop". De forma tóxica, até. No mundo "eurovisivo" isso também acontece. Parece ser tabu falar das canções de determinados países, que passam para as finais ou ganham posições altas sem merecer, ou dizer que determinadas canções não são boas, só porque caíram nas graças desse público.

A gente, enquanto fãs, enquanto público, deveria aprender a ser mais tolerante com a opinião alheia, sim. Eu mesma, já fui bem tóxica com certos estilos musicais, e hoje, mesmo não gostando das músicas (e várias canções que caíram no gosto das pessoas eu não gosto mesmo), tolero sem ofender.

Acho que ofensa é a palavra que não deveria existir entre nós, que já sofremos tantas ofensas da sociedade. Formas saudáveis de ser fã deveriam ser valorizadas entre nós, afinal, música é algo que deveria nos unir e não nos separar.

Hoje, sábado, vou preparar a pipoca, aguardar a transmissão começar (para o Brasil, pode ser assistido no Youtube oficial do festival a partir das 16h, no horário de Brasília), e torcer para quem eu acho que tem a melhor canção, mesmo sabendo que o gosto do público votante pode ser diferente.

P.S.: Para quem vai minha torcida este ano? A canção da França é bastante elegante, tocante, e por que não dizer, francesa. Estou torcendo aqui.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL