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Eduardo Carvalho

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

De volta ao pilotis da faculdade

FG Trade/iStock/Getty Images
Imagem: FG Trade/iStock/Getty Images
Eduardo Carvalho

Edu Carvalho é jornalista. Coleciona em sua bagagem de 22 anos participações em eventos como Onda Cidadã, a Bienal do Livro no Rio, Flip e Flup, mostrando seu trabalho ao retratar assuntos do dia-a-dia em sua escrita sobre o Rio e o Brasil. Indicado ao Prêmio Faz Diferença; Vencedor do Prêmio Vladimir Herzog em 2019. Atuou como integrante da equipe de criação do Conversa com Bial, série Segunda Chamada e foi repórter na CNN Brasil.

09/03/2022 06h00

Cadeiras, antes vazias, sendo preenchidas. Uma movimentação um tanto quanto difícil, tímida e quase sem jeito no pilotis, por quem há dois anos teve de trocar os corredores das salas de aula pelo da casa, entre gato, periquito, papagaio, feijão no fogo ou criança chorando. Assim é a retomada de grande parte das universidades brasileiras, que começa a acontecer neste momento após meses de "teste" nas escolas públicas e privadas.

É claro: o debate em torno da tão esperada volta foi tensionado por muito tempo. Volta? Se volta, como faz? Quem deve estar? Testam todos? Felizmente, corremos com a vacinação e o passaporte vacinal foi um dos atributos para a liberação de quem desejava estar dentro do ciclo presencial.

Mas em se tratando de Brasil e sobretudo Rio, sempre podem aparecer surpresas. Depois de uma série de normas feitas pela Saúde, um dia antes de pisar dentro da faculdade, no meu caso, a Prefeitura decreta o uso facultativo de máscaras na cidade. Pânico por alguns segundos. "Muda o que estava prescrito ou segue o comitê? Cadê a Fiocruz?"

Corro pro insta da faculdade. "Ufa, segue a máscara" e não haveria de ser diferente. Pelo menos por enquanto.

Entre o que parece ser o fim da pandemia e uma guerra, cá estamos, e o importante agora é extrair o que pintou de mais proveitoso do ensino remoto para a dinâmica do híbrido. Cabe lembrar que, num Brasil de muitas pandemias - uma delas sendo a desigualdade - falta pensar no acesso à questão da mobilidade. Há quem mora a quilômetros de distância e tenha conseguido uma qualidade de vida melhor nestes dois anos, sem fazer deslocamentos que, além de custar, lhe tiravam o sono.

Há também aqueles que dependem da ida à faculdade para uma alimentação não só equilibrada, mas a preço popular. Nas redes sociais, o assunto chegou a ser tema de uma "disputa" saudável sobre o mais bonito (e gostoso) bandejão universitário.

Por fim, fico feliz e emocionado. Como salientou Rodrigo Hubner Mendes aqui em Ecoa, "a pandemia trouxe toda ordem de tensões entre direito à saúde coletiva e o direito à educação". Muitos foram os baques de dois anos distantes da sala de aula, com professores e colegas, lado a lado. Confesso lágrimas ao descrever que estava ansioso para responder a chamada, ao vivo, e no último ano de minha formação.