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Qual é a p... da cor do carro? Mãe fica 'pistola' ao pedir Uber e viraliza

Simone Machado

Colaboração para o UOL, em São José do Rio Preto (SP)

21/10/2020 15h53Atualizada em 24/10/2020 08h16

Um áudio que mostra o desentendimento de uma mãe com a filha sobre as características de um carro de aplicativo viralizou nas redes. O diálogo entre as duas moradoras de São Vicente (SP) no grupo de WhatsApp da família aconteceu na tarde de ontem enquanto a mãe esperava pela carona para retornar de uma consulta médica, mas não sabia a cor do carro de aplicativo que a filha havia chamado para levá-la para casa.

Na troca de mensagens, a microempresária Patrícia Liscio Oliveira, 47 anos, pede para a filha mais nova, a estudante Carolina de Oliveira Barros, 20 anos, chamar um carro por aplicativo, já que ela tem pouca visão e, por isso, tem dificuldades para mexer no celular.

A jovem, que estava em casa, fez o pedido e mandou um áudio para a mãe passando o modelo, a placa e a cor do veículo que iria buscá-la. Aí começou a confusão de áudios entre as duas.

Em cerca de três minutos, 20 áudios são trocados entre mãe e filha. Na conversa é possível perceber que a microempresária se irrita com a filha por achar que a jovem não está passando a informação que ela pede — a cor do carro. Porém, a filha já havia dito pelo menos 10 vezes que o veículo era da cor preta.

Segundo Patrícia a confusão se deu porque ela não estava enxergando, devido ao seu problema de visão, os áudios mandados pela filha e os ouvia de forma aleatória.

"Como eu perdi 70% da visão, sempre pedi para as minhas filhas chamarem o carro por aplicativo para mim. E ontem, ao ir falando com a Carol, eu estava no sol e não enxergava os áudios que ela enviou. Ela [Carol] tem mania de enviar áudio picado e por isso eu não enxerguei todos, e fui pulando sem querer alguns na hora de ouvir. Como eu achava que ela não estava me falando as coisas certas, fui me irritando. Não estou acostumada a depender dos outros e por isso eu surto", conta a microempresária.

Sabendo da dificuldade da mãe e percebendo que ela estava ficando irritada com a situação, Carolina segue paciente tentando explicar as características do veículo para a mãe. Em alguns momentos, a jovem chega a rir da situação.

"Ela surtou comigo achando que eu estava brincando com ela, mas eu tentava explicar e ela não via todos os áudios. Mas fui com paciência, tentando explicar, porque senão ela ficaria ainda mais brava. Eu poderia ter ligado, mas na hora nem pensei nisso", conta a estudante.

Apesar de toda a confusão e dos desencontros de áudios, em alguns minutos Patrícia conseguiu localizar o carro preto do motorista de aplicativo e foi para casa.

Redes sociais

Patrícia Liscio Oliveira, ao lado das filhas Carolina (à esquerda) e Alessandra (à direita) - Acervo pessoal - Acervo pessoal
Patrícia Liscio Oliveira (de azul) tem problemas de visão, por isso sofreu para identificar os áudios recebidos
Imagem: Acervo pessoal

A outra filha de Patrícia, que também está no grupo da família, acompanhou a situação, sem se manifestar no grupo. Foi ela, a jornalista Alessandra Oliveira, 24 anos, quem teve a ideia de postar a confusão em um grupo nas redes sociais que mostra gafes cometidas por mães no WhatsApp. Rapidamente os áudios viralizaram.

"Depois que toda a confusão acabou, a Alessandra falou que estava rindo muito e que iria postar na internet. Jamais imaginávamos que esse áudio iria viralizar. Até porque quem me conhece sabe que sou assim, meio bocuda e irritada. Estamos levando toda essa repercussão na brincadeira, afinal temos que rir sempre", diz Patrícia.

Falta de visão gera gafes de Patrícia

De acordo com Patrícia, há três anos ela começou a perder a visão e foi diagnosticada com distrofia da retina, uma doença genética que a fez perder grande parte da visão. Hoje ela enxerga apenas 30%.

A doença faz com que ela tenha dificuldades para ler e se comunique pelo celular, o que segundo a família, provoca diversas gafes.

"Uma vez fui chamar um carro por aplicativo e, quando fui colocar o endereço, cliquei errado e acabou selecionando que eu queria ir em uma rua de São Paulo. Ainda bem que o motorista desconfiou e perguntou", lembra Patrícia.

"Às vezes eu fico brava com elas [filhas] porque acho que elas não me responderam e na verdade eu que não vi. Já fui mandar mensagem para elas e acabou indo para cliente. Direto acontece situações que acabam virando piada", acrescenta.

A mulher conta que encara a doença e as gafes cometidas com muito bom humor. Durante toda a entrevista ao UOL, ela relatou os apuros que já passou, devido à baixa visão, rindo.

"Como eu não enxergo o teclado do celular, uso aplicativo que transforma o que falo em texto e direto o app erra e acabo mandando tudo errado, inclusive para clientes. Mas a gente pede desculpas e leva na brincadeira", diz.

Apesar de não ter 70% da visão, a microempresária garante que leva uma vida normal. Trabalha, vai à praia, ao médico e faz todos os afazeres de casa sozinha.

"No começo era mais difícil, mas hoje já me acostumei. A casa precisa estar sempre organizada e com as coisas nos mesmos lugares para eu encontrar e não me perder. Levo uma vida como qualquer outra pessoa", conta Patrícia.