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Por que tradicional fornecedor cobra quase R$ 1 bilhão da Toyota na Justiça

Logo da Toyota - REUTERS/Anushree Fadnavis
Logo da Toyota Imagem: REUTERS/Anushree Fadnavis

Da Reuters

20/10/2021 13h22

A japonesa Nippon Steel Corp está processando a cliente Toyota para que ela interrompa a fabricação e venda de veículos que contenham aço especializado feito pela fornecedora rival Baoshan Iron & Steel da China - marca que também está sendo acionada judicialmente.

O ato destaca os altos riscos para os produtores de materiais, com a tecnologia de transformação da indústria automotiva mudando e o Japão cada vez mais preocupado em proteger as cadeias de suprimentos e a propriedade intelectual.

Aqui está o que está por trás do processo e por que ele é importante:

Sobre o que é?

A Nippon Steel está processando a Toyota e a Baosteel em um tribunal de Tóquio por violação de patente, pedindo 20 bilhões de ienes (US$ 176 milhões, ou R$ 977 milhões na cotação atual) de cada uma. Também está tentando impedir a Toyota de vender e fabricar veículos no Japão que usem chapas de aço magnético não orientado da Baosteel.

A Nippon Steel acredita que a venda e o uso das chapas Baosteel no Japão viola suas reivindicações de patentes japonesas sobre composição, espessura, diâmetro e propriedades magnéticas, de acordo com um porta-voz da empresa.

A Toyota disse que não houve infração antes de concluir seu contrato com a Baosteel.

A Baosteel disse que não concorda com as reivindicações da Nippon Steel e que defenderá "firmemente" seus direitos e interesses.

Por que ação é importante?

O aço magnético não orientado é um metal especializado que melhora o desempenho de motores em veículos elétricos e elétricos híbridos, de acordo com a Nippon Steel.

A empresa fornece aço eletromagnético à Toyota para o híbrido Prius há mais de duas décadas.

As siderúrgicas japonesas estão focadas em nichos de mercado avançados, como componentes automotivos especializados, onde até agora têm uma vantagem sobre rivais chineses maiores.

Mas o acordo de fornecimento da Toyota com a Baosteel sugere que os produtores chineses podem estar se recuperando. A demanda por aço especializado deve crescer à medida que os veículos elétricos transformam a indústria automobilística.

O passado da Nippon Steel nos tribunais

A Nippon Steel processou a POSCO da Coréia do Sul em mais de US$ 1 bilhão em 2012, alegando que a POSCO roubou sua tecnologia para fazer outro tipo de chapas de aço magnéticas, que são usadas em transformadores.

A Posco mais tarde pagou cerca de US$ 250 milhões para encerrar o caso.

O processo surgiu depois que um ex-funcionário da POSCO foi condenado por vender tecnologia da POSCO a uma siderúrgica chinesa e disse a um tribunal que a tecnologia veio da Nippon Steel.

A siderúrgica chinesa nesse incidente também era a Baosteel, segundo uma pessoa com conhecimento do assunto.

Quando contatada pela Reuters, a Baosteel se recusou a comentar sobre o processo da POSCO.

Impacto na Toyota?

É improvável que os danos monetários solicitados tenham um impacto significativo na Toyota. A maior preocupação seria se um tribunal a impedisse de usar o aço da Baosteel enquanto aumenta a produção de veículos elétricos.

"O volume de veículos eletrificados está aumentando e há necessidade de garantir o volume das peças", disse um porta-voz da Toyota. Ele se recusou a dizer quantos modelos podem ser afetados por uma liminar sobre os suprimentos da Baosteel.

Impacto na Baosteel?

A Baosteel disse que atualmente não é capaz de avaliar o impacto do processo em seus lucros.

Impacto na Nippon?

A Nippon Steel pode ter mais a perder ao processar sua cliente-chave Toyota, que poderia tentar comprar mais de rivais fora do Japão para evitar futuras interrupções na cadeia de suprimentos.

A Nippon Steel é mais dependente da Toyota do que a montadora da siderúrgica, de acordo com a agência Moody's.

No entanto, o analista do UBS, Harunobu Goroh, não vê qualquer impacto na relação fundamental entre as duas empresas japonesas, acrescentando que continuarão a ser parceiros estratégicos.

O que Tóquio diz?

A briga coincide com o aprofundamento da preocupação do Japão sobre a vulnerabilidade das cadeias de suprimentos industriais tanto para os atritos comerciais EUA-China quanto para a escassez de semicondutores.

O Japão também está preocupado com o suposto roubo de tecnologia pela China. O novo primeiro-ministro Fumio Kishida inclusive criou um novo cargo em seu gabinete, ministro da segurança econômica, para lidar com essas questões.

A China disse repetidamente que respeita direitos de propriedade intelectual.

Por enquanto, porém, funcionários do Ministério do Comércio e o porta-voz do governo e secretário-chefe de gabinete, Hirokazu Matsuno, se recusaram a comentar a disputa entre as duas gigantes industriais japonesas.

"Este é um litígio do setor privado e não devo comentar", disse Matsuno a repórteres na sexta-feira.

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