Tinta antirradar: item promete a maus motoristas 'imunidade' contra multas

Maus motoristas e criminosos têm utilizado diferentes meios de burlar a identificação das placas dos carros pelos radares.

Um deles é uma tinta que é aplicada sobre a chapa, com o objetivo de impedir ou dificultar a medição da velocidade do veículo por alguns tipos de radar - especialmente aqueles portáteis do tipo "pistola", que são apontados em direção ao veículo pelo agente de trânsito e usam laser.

Essa tinta também promete inviabilizar a identificação dos caracteres da placa por câmeras infravermelhas de radares, bem como dispositivos de leitura das chapas.

O item pode ser encontrado em sites de comércio eletrônico ao redor do mundo, como nos Estados Unidos, pode ser adquirido a partir do Brasil e se une aos outros dispositivos antirradar que o UOL Carros já mostrou em outras reportagens.

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De acordo com a fabricante, a tinta "furtiva" deve ser aplicada não apenas na placa, como também em outras partes do veículo que refletem a luz, de forma a prejudicar o funcionamento adequado do radar.

"Para que a pistola a laser calcule a velocidade do veículo, a luz deve ser refletida de volta para ela. Por causa disso, a polícia tem como alvo as áreas mais reflexivas do veículo, que normalmente são a placa dianteira, os faróis ou, talvez, uma grade frontal brilhante. Cobri-las com nosso produto tornará seu veículo menos reflexivo, o que tornará mais difícil para a arma laser calcular sua velocidade. Quanto mais escura for a cor do seu carro, mais eficaz será, e isso pode dar a você de cinco a dez segundos preciosos para reduzir sua velocidade e evitar uma multa", descreve a empresa.

Por meio de anúncios online, o produto pode ser importado por preços que giram em torno dos R$ 600, já após a conversão da moeda americana para a brasileira e sem incluir impostos de importação. No kit, também estão incluídos pincéis para a aplicação do material.

Há também outros tipos

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Conforme já noticiado pelo UOL Carros, existem outros tipos de produtos que os maus motoristas aplicam sobre as placas do carro. Os mais comuns são sprays, géis e adesivos que repelem a leitura infravermelha dos radares de velocidade. No caso, a imagem gerada pela fiscalização acaba ficando ilegível. Esses produtos são mais comuns no mercado e têm preços que variam entre R$ 100 e R$ 300.

Existe, ainda, uma variação da tecnologia, na qual a placa se torna retrátil, ou pode ser encoberta por uma espécie de cortina flexível, esticada ao toque de um botão. Estas já são mais caras, com preços que podem chegar (ou passar) dos R$ 1.000.

Para piorar, mais recentemente circulou um vídeo nas redes sociais no qual a pessoa dava instruções para a instalação de um adesivo sobre os caracteres da placa Mercosul. Uma vez aplicado, a identificação da chapa mudava por completo.

O que dizem as leis

O UOL Carros não incentiva o seu uso e alerta que, se você for flagrado com os dispositivos pela polícia ou por agente de trânsito, deverá ser punido com multa, remoção do veículo e até pode responder criminalmente.

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Segundo o advogado Marco Fabrício Vieira, membro da Câmara Temática de Esforço Legal do Contran (Conselho Nacional de Trânsito), adulterar as letras ou números de uma placa para que outro veículo seja autuado é conduta criminosa, que pode levar à prisão.

"O uso de qualquer material para induzir a leitura de um caractere por outro, mediante uso de adesivo, tinta ou remoção parcial da pintura, é infração gravíssima, conforme o Inciso I do Artigo 230 do CTB [Código de Trânsito Brasileiro", alerta o especialista.

Vieira acrescenta que essa conduta também caracteriza o crime de adulteração ou remarcação de sinal identificador, previsto no Artigo 311 do Código Penal, com pena de reclusão de três a seis anos e multa.

Por outro lado, quando o cenário não é o da modificação dos caracteres, mas apenas o da ocultação deles ou do impedimento da leitura da placa, o uso ou a venda desse tipo de recurso não caracteriza crime. Mas os motoristas flagrados estão sujeitos a autuação por infração de trânsito.

"A utilização de materiais aplicáveis sobre os caracteres da chapa, bem como equipamento, dispositivo ou suporte eletrônico ou mecânico capazes de ocultar, impedir ou dificultar a captação ou leitura dos caracteres da placa de identificação veicular, como alguns disponíveis no mercado, caracteriza a infração prevista Inciso III do Artigo 230 do CTB", diz Vieira.

Ele acrescenta que a infração é de natureza gravíssima, com multa no valor de R$ 293,47, acrescida de sete pontos no prontuário do proprietário e da remoção do veículo.

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