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Com gasolina alta, vale mais a pena ter carro ou andar de Uber?

Lucas Lima/UOL
Imagem: Lucas Lima/UOL

Colaboração para o UOL

10/11/2021 04h00

Desde 2016, quando o Uber chegou ao Brasil, a discussão sobre ter um carro ou usar os aplicativos para ter acesso a um meio de transporte individual passou a fazer sentido para os brasileiros. Com a gasolina chegando na casa dos R$ 7, o assunto está mais presente do que nunca nas rodas de conversa. E aí, será que vale mais a pena ter um automóvel para chamar de seu ou utilizar a tecnologia a seu favor?

A resposta é: depende. Ter um veículo próprio ou usar apps de transporte tem suas vantagens e desvantagens. O primeiro grande benefício do automóvel é a liberdade: ele está à sua espera, independente do que aconteça, você jamais dependerá de um terceiro. Mas com ela vem a responsabilidade: você está sujeito a tomar multas, se envolver em pequenas colisões, precisa encontrar uma boa vaga para estacionar e pagar pela manutenção.

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O planejador financeiro Raphael Carneiro explica que, via de regra, o Uber é válido para quem roda bem pouco. Quem vai apenas de casa para o trabalho, por exemplo, e percorre até 10 km por dia, ou 300 km por mês, pode se beneficiar da troca.

Isso porque, mesmo custando mais pagar pela corrida do que pelo combustível, o custo de propriedade do veículo supera o lucro do motorista e da plataforma. No entanto, para quem mora um pouco mais distante do emprego ou utiliza o carro em mais trajetos, rodando a partir de 30 km diariamente, ter um carro próprio pode ser um melhor negócio.

Posto de gasolina; gasolina; abastecer; carro - Getty Image - Getty Image
Imagem: Getty Image

Combustível

Vamos analisar dois cenários: o de uma pessoa que roda pouco, cerca de 300 km por mês, e o de alguém que faz um uso razoável do carro, dirigindo 900 km mensalmente.

Considerando um Fiat Mobi, que custa na faixa de R$ 50 mil e percorre cerca de 13 km/l na cidade com gasolina, seriam gastos R$ 114,23 por mês para rodar 10 quilômetros por dia, ou R$ 1.370,76 por ano.

No segundo caso, do motorista que percorre 30 km diários, o gasto seria de R$ 432,69 por mês ou R$ 5.192,28 ao ano. Para o cálculo, consideramos a média do preço da gasolina nas últimas semanas na cidade de São Paulo, calculada pela Agência Nacional do Petróleo (ANP), de R$ 6,25.

Depreciação

O valor do carro é excluído da conta, pois o proprietário pode vendê-lo e recuperar boa parte. No entanto, contabilizamos uma depreciação média anual de 8%, ou R$ 4 mil, no caso de um modelo de R$ 50 mil.

Seguro e documentação

Também é preciso incluir na lista gastos com seguro e documentação. Na cidade de São Paulo, a alíquota atual do IPVA é de 4% do valor venal do veículo, nesse caso, R$ 2 mil. Também é necessário pagar pelo licenciamento, que custa R$ 85,24. Já o valor médio do seguro, de acordo com uma cotação feita no site Youse, é de R$ 2.600.

Carro quebrado - Getty Images - Getty Images
Imagem: Getty Images

Manutenção

Nos custos com manutenção incluímos gastos com revisões, troca de óleo e possíveis reparos corriqueiros, como a substituição de uma lanterna. Para tanto, estimamos um valor de R$ 900 por ano para o motorista que roda menos e R$ 1.400 para quem circula 900 km mensalmente.

Extras

É preciso calcular gastos "invisíveis", que muitas vezes passam despercebidos na hora de fazer essa conta, como custo com estacionamento (R$ 300 por mês) e lavagem (R$ 100 por mês).

Custo de ter um carro

Somando todos os gastos e custos de propriedade de um carro, o motorista que roda apenas 10 km por dia desembolsa R$ 15.756 por ano.

No entanto, de acordo com o planejador financeiro Raphael Carneiro, nessa conta ainda é preciso incluir o Custo de Oportunidade, ou seja, o dinheiro que o proprietário "perde" por não investir esse capital em uma aplicação financeira, cerca de 3%, que poderiam ser ganhos em rendimentos. Nessas condições, o custo de ter um carro é de R$ 16.228,68 ao ano ou R$ 1.352,39 ao mês.

No segundo cenário, rodando 30 km por dia, o valor sobe para R$ 20.618,00 ao ano ou R$ 1.718,17 ao mês.

Bolt, rival da Uber, é avaliada em US$ 2 bi com novos fundos - Divulgação - Divulgação
Imagem: Divulgação

Quanto custa andar de Uber?

De acordo com a calculadora disponibilizada no site da Uber, uma corrida de 5 km, como do Aeroporto de Congonhas para o bairro Moema, em São Paulo, custa, em média R$ 17,97 no Uber X, a opção mais barata da plataforma. Para fazer esse trajeto duas vezes diariamente, seria necessário desembolsar R$ 1.078,20 ao mês, ou R$ 12.938,40 ao ano.

Simulando o segundo cenário, uma corrida de 15 km, como do Aeroporto de Congonhas ao Brás, custa, em média, R$ 38,27 no Uber X. Para fazer esse trajeto duas vezes diariamente, seria necessário desembolsar R$ 2.296,20 ao mês, ou R$ 27.554,40 ao ano.

Não é só dinheiro

A simulação contabilizou apenas os custos previsíveis de ter um veículo, mas outros gastos podem surgir, como multas, defeitos mecânicos e reparos em pequenas colisões. Se a ideia for financiar um carro, deve-se incluir nos cálculos o custo mensal/anual do financiamento, ou seja, o valor pago em forma de juros ao banco. Também é importante lembrar que os preços do Uber podem variar de acordo com a demanda do horário.

Apesar de recomendar colocar todos os gastos na ponta do lápis para saber qual a modalidade de transporte mais vantajosa, Carneiro alerta que a questão financeira não deve ser a única a ser considerada.

"A matemática não basta. Temos que pesar outras coisas, como o lado emocional. Essa pessoa vai se sentir bem em se desfazer do carro para esperar o Uber? Ela está ciente de que precisará se planejar mais para os compromissos, levando em conta o tempo de espera pelo motorista?", exemplifica.

Por outro lado, ele lembra que há pessoas que detestam dirigir, e preferem aproveitar o tempo em um engarrafamento para participar de reuniões, trabalhar ou estudar. "Para esse perfil de pensamento, o Uber pode ser uma excelente escolha. Tudo deve ser considerado. Não adianta optar por dirigir, mesmo odiando, e viver estressado no trânsito. Isso pode trazer mais problemas e, por consequência, mais gastos", salienta o planejador financeiro.

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