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Como Chevrolet Kadett foi parar na F1 em 1990 e virou item raro de coleção

Kadett GS de Gabriel Marazzi como Pace Car da F1 - ACERVO PESSOAL
Kadett GS de Gabriel Marazzi como Pace Car da F1 Imagem: ACERVO PESSOAL

José Antonio Leme

Do UOL, em São Paulo (SP)

12/02/2021 04h00

O Grande Prêmio de Fórmula 1 de 1990 foi o primeiro ano do retorno da prova para Interlagos, em São Paulo (SP). Foi o ano também que a pista foi reduzida dos cerca de 7 km que tinha para os atuais 4 km que se mantém até hoje, com um traçado mais curto e travado. Este ano ficou marcado também porque Ayrton Senna liderava a prova de ponta a ponta até acertar Satoru Nakajima. O resultado não foi dos piores: a vitória não chegou, mas ele conseguiu ainda um terceiro lugar depois de passar vários carros.

O povo brasileiro não teve tantos motivos para comemorar, mas o engenheiro e jornalista Gabriel Marazzi tem: ele ficou com dois carros-madrinha da prova, um Chevrolet Kadett GS e uma Ipanema GLS. O Kadett até hoje faz parte de sua coleção. Marazzi, que fazia parte da organização da prova, conta que naquele ano a GM era a patrocinadora da prova e preparou sete carros, dois Kadett e cinco Ipanema para serem usados nas funções de carro-madrinha e carro de resgate.

Para o ano seguinte, a GM foi adiante e apostou nos Kadett GSI, que já tinha injeção eletrônica. "Conversando com o piloto Julio Caio, ele me alertou que a GM iria desmanchar todos os sete carros, voltando-os à versão 'civil'. Então eu fui lá e comprei dois carros", diz.

Ele completa: "Como os sete veículos ainda estavam lá e não tinham começado a desmontá-los, eu tive a oportunidade de escolher os dois melhores de cada. O pessoal do GP estragou muito os outros carros", completou. Os carros que tinham sido montados pela AMB, a oficina do Acácio Martins Braz, também foram desmontados lá, onde Marazzi foi e comprou os equipamentos retirados dos carros.

Entre os itens que fizeram parte da preparação na AMB estão o giroflex, santantônio, rádio comunicador e os bancos concha com cintos de segurança de quatro pontos, homologados para competição.

Kadett GS COMO PACE CAR DA F1 - ACERVO PESSOAL - ACERVO PESSOAL
Imagem: ACERVO PESSOAL

Mágica da engenharia

Obviamente, para atender ao ritmo da Fórmula 1, seja como carro-madrinha ou carro de resgate, Kadett GS e Ipanema GLS precisavam de melhorias. E foi isso que a GM fez. Os carros que eram 1990 receberam o câmbio com a relação dos modelos 89, que era mais curta. Motor balanceado e suspensão recalibrada e carburador "fuçado".

Segundo Marazzi, o marketing e a comunicação da GM nunca soube o que a engenharia fez nesse componente dos carros. No caso da Ipanema que ficou com o Marazzi, além de receber toda a mecânica do Kadett GS, ela ganhou as rodas de 14" do Kadett e o mesmo câmbio mais curto do Kadett.

Kadett GS e Ipanema GLS como carros da escola de pilotagem - Acervo Pessoal - Acervo Pessoal
Imagem: Acervo Pessoal

Vida pós-Fórmula 1 dos carros

Depois que comprou os carros, Marazzi, que tinha uma escola de pilotagem e ministrava aulas de instrução em Interlagos, colocou os carros à disposição da escola com todos os equipamentos. Por anos, os carros estiveram lá, próximo dos alunos e instrutores.

Quando a escola acabou, Marazzi trouxe os dois carros para sua coleção pessoal. Hoje, 30 anos depois, apenas o Kadett GS continua sob sua posse. A Ipanema foi vendida e com base na preparação que já tinha recebido, ganhou turbo e mais melhorias no motor para chegar aos 250 cv, entre outras melhorias.