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Busca por higienização automotiva dispara; serviço tem até spray antivírus

Funcionário aplica produto desinfetante no interior de veículo; Procura pelo serviço cresceu na pandemia do coronavírus - Divulgação
Funcionário aplica produto desinfetante no interior de veículo; Procura pelo serviço cresceu na pandemia do coronavírus Imagem: Divulgação

Alessandro Reis

Do UOL, em São Paulo (SP)

06/04/2020 04h00Atualizada em 06/04/2020 16h02

A preocupação em prevenir o contágio pelo coronavírus fez a procura pelos serviços de higienização automotiva disparar no Brasil.

De acordo a Abralimp (Associação Brasileira do Mercado de Limpeza Profissional), mesmo com a quarentena impostas em diversas cidades, órgãos públicos e privados mantêm a demanda em alta - graças à necessidade de desinfetar os respectivos veículos.

Os serviços que mais têm atraído o interesse são aqueles que prometem exterminar micro-organismos como bactérias, fungos, ácaros e até vírus do interior do carro.

"Com a pandemia, antes do aumento nas restrições à circulação, pessoas começaram a procurar muito pela higienização interna veicular. Não apenas clientes pessoa física, como também aqueles que estão no front de combate à covid-19, como governos, Samu e polícias", relata Fabio Santiago, consultor técnico da Abralimp.

De acordo com Santiago, na semana passada uma empresa associada realizou sem custos o serviço de sanitização de viaturas das GCMs (Guardas Civis Metropolitanas) dos municípios do ABC Paulista.

No momento, a associação não dispõe de números para mensurar o crescimento na demanda.

'Spray antivírus'

Já a empresa de transporte individual por aplicativo 99 anunciou na semana passada um projeto-piloto para higienizar 300 carros por dia, sem cobrar dos motoristas parceiros. A iniciativa começou em fase de testes no bolsão de estacionamento da companhia no Aeroporto de Guarulhos (SP).

O benefício vale paras as categorias 99Pop e 99Comfort e estará disponível de segunda a sábado das 8h às 18h. A 99 informa que, a partir desta semana, poderá haver a necessidade de agendamento on-line e os condutores serão informados pelo aplicativo.

Tanto no caso da 99 quanto de associadas à Abralimp, a técnica de desinfecção consiste em aplicar um spray antimicrobiano sobre todas as superfícies internas do veículo. O método, chamado de "biosanitização" por diversas empresas do ramo, promete efeito prolongado.

"Dependendo do produto e da empresa, o efeito residual varia de 72 horas até 30 dias", afirma Fabio Santiago.

A 99 diz que a tecnologia utilizada nos carros dos respectivos parceiros foi desenvolvida pela empresa Aurratech e utiliza um produto da marca Spartan.

Segundo a companhia de aplicativo, trata-se de "uma das tecnologias mais avançadas do mundo na desinfecção de ambientes no combate ao vírus, já tendo sido usada em hotéis, escritórios e bancos espanhóis". A 99 complementa, dizendo que o produto aplicado tem efeito de 72 horas, não é tóxico e o motorista pode voltar a usar o automóvel logo após o serviço.

Eficácia contra coronavírus não é comprovada

Aparelho gerador de ozônio é outra técnica utilizada para matar micro-organismos no veículo - Divulgação
Aparelho gerador de ozônio é outra técnica utilizada para matar micro-organismos no veículo
Imagem: Divulgação

Além do spray, há no mercado outras técnicas, como a chamada "oxi-sanitização", que também promete matar micróbios, incluindo vírus - porém, utilizando um aparelho gerador de ozônio. A máquina é ligada com as janelas fechadas e a ventilação ligada no modo de recirculação. Há, ainda, sprays contra germes aplicados da mesma forma.

No entanto, vale ressaltar que especialistas consultados por UOL Carros dizem desconhecer estudos científicos que comprovem a eficácia desses métodos, especificamente em relação ao coronavírus.

"Desconheço evidências sustentando eficácia de estratégias dessa natureza em relação a infecções de transmissão respiratória", avalia Ricardo Kuchenbecker, professor de epidemiologia da Ufrgs (Universidade Federal do Rio Grande do Sul).

Jair Ferreira, professor titular de epidemiologia da mesma universidade, também diz desconhecer orientações de prevenção à pandemia que façam menção à disseminação do coronavírus por aparelhos de ar-condicionado.

"Como o problema é principalmente o contato de mãos e roupas com objetos contaminados pelo coronavírus, cuja viabilidade pode ser curta nesses objeto, me parece que o principal segue sendo a higienização frequente das mãos, lavar-se ou mesmo tomar banho logo que chegar em casa e lavar as roupas utilizadas ao longo do dia", recomenda Ferreira.

A rede de franquias Acquazero, que trabalha com um aparelho gerador de ozônio da empresa Wier, admite que não pode atestar a eficiência do serviço quando à eliminação do causador da covid-19.

Porém, Bruno Mena Cadorin, CEO da Wier, cita "estudos científicos" que comprovariam a eliminação de outros tipos de vírus por meio do ozônio, a exemplo do vírus da poliomielite e do rotavírus. "Resultados também mostram a eficácia no combate a bactérias, como a salmonella", destaca Cadorin.

Produtos devem ter certificação

Fabio Santiago orienta os clientes a contratar os serviços de companhias que utilizam produtos autorizados pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) e aparelhos certificados pelo Inmetro (Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia).

Questionada pela reportagem, a Anvisa diz que "aprova os produtos utilizados na limpeza e desinfecção de ambientes, o que inclui os veículos automotores. Cada produto aprovado, como limpadores de ar-condicionado, recebe um número de registro ou notificação".

A lista dos produtos aprovados pode ser consultada no site http://portal.anvisa.gov.br/saneantes/consultas.

A agência acrescenta que produtos regulares apresentam no rótulo, além do registro ou notificação, o nome e o endereço da empresa, seu CNPJ e a respectiva Autorização de Funcionamento, emitida pela Anvisa. Também deve trazer orientações de uso e cuidados com o produto, informa a Anvisa. Procurado, o Inmetro respondeu que a Portaria 121/2015 detalha a aplicação do respectivo programa de certificação para aparelhos eletrodomésticos e similares.

Segundo a 99, o produto utilizado na limpeza dos veículos tem certificação da Anvisa.

Por fim, Santiago, da Abralimp, salienta que os profissionais de higienização devem estar usando todos os equipamentos de proteção recomendados pelas autoridades de saúde. "Estamos desenvolvendo um manual com todos os materiais que nossas empresas associadas devem utilizar".

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