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Lamborghini atingida por enchente em SP seria leiloada e não tinha seguro

Lamborghini Huracán debaixo d"água em São Paulo - Reprodução
Lamborghini Huracán debaixo d'água em São Paulo Imagem: Reprodução

Daniel Leite

Colaboração para o UOL

12/02/2020 16h10

Uma Lamborghini Huracán, ano 2015, sem seguro, ficou praticamente destruída com a enchente em São Paulo durante chuva na madrugada da última segunda-feira. O veículo estava estacionado em um prédio da Vila Leopoldina, na zona oeste da capital - e viralizou após imagens da enxurrada no condomínio serem divulgadas nas redes sociais.

O carrão faz parte de um projeto chamado Mutant Supercars. Um preparador de carros recebeu o desafio de transformar a máquina de 600 cavalos em 1.500 cavalos, tornando-se a mais rápida do mundo, de acordo com os idealizadores. A pessoa que fez o pedido colocou em contrato uma cláusula de confidencialidade por não querer ser identificada. Sabe-se que é um milionário, colecionador de carros, e mora em São Paulo.

Em conversa com o UOL Carros falando de Dubai, Vinícius Vilela, um dos responsáveis pelo projeto, afirmou que o objetivo de transformar a Lamborghini seria obter o maior valor possível em dinheiro com um grande leilão beneficente e doar a arrecadação para projetos voltados a crianças carentes no Brasil e na África.

Agora, com a Huracán danificada, não há garantia de continuidade da ação, que estava sendo toda filmada para virar uma série documental.

Inundação atingiu parte interna até altura do som

Lamborghini atingida por enchente em São Paulo - Arquivo Pessoal - Arquivo Pessoal
Imagem: Arquivo Pessoal

Para aumentar a potência da Lamborghini, o grupo conta com o trabalho do projetista Fernando Santos, que no ofício usa o nome de Fernando Mutant - morador do condomínio atingido pela enchente.

O veículo passou a noite no prédio onde ele mora porque precisou ser retirado para uma sessão de fotos. Mas, ao voltar, a oficina onde o carro costumava ficar guardado estava fechada.

Mutant lembra com detalhes os momentos anteriores de quando viu o carro tomado pela água. Quando dormiu, por volta de 23h30 de domingo, estava apenas garoando, o que não despertou preocupação nele. Ao acordar no dia seguinte, veio o "pesadelo", como o próprio define. Era por volta de 8h30 e o projetista não ouviu o barulho causado pelo trânsito e pelos trens, característico da região.

Abriu, então, a janela e viu a destruição na rua.

"Da janela não encontrei um outro carro que eu tinha parado na rua. Quando olhei para a quadra da escola em frente de onde moro, vi a água no travessão do gol e tive uma ideia da altura da enchente. Aí, me lembrei da Lamborghini na garagem", contou.

"Como estava sem energia, desci correndo pelas escadas. Cheguei no térreo e uma pessoa me disse para não entrar na água por causa do risco de choque. Mas nessa hora entrei mesmo assim. A água na garagem estava a 1,30 metro de altura. Comecei a chorar, fiquei uns 10 minutos sem conseguir dizer uma palavra".

A água chegou perto dos controles de som e na altura dos faróis da Lamborghini. Para tentar salvar o que for possível, ele levou o carro para um lava-rápido e depois deixou-o em uma oficina especializada para avaliação.

Não ter seguro foi uma escolha dos integrantes do projeto. "A gente não via a necessidade de fazer seguro. O carro fica guardado, parado".

O foco, agora, é buscar parceiros para retomar o projeto dos sonhos. "Dormi sonhando com o carro transformado e acordei com um pesadelo da vida real. Foram meses de trabalho desde o segundo semestre do ano passado, muitas pessoas envolvidas, muito sentimento", lamenta.

Carro seria vendido para arrecadar fundos

"O objetivo do projeto é esse: transformar esse carro para que seja um carro diferenciado e assim arrecade mais recursos para instituições de caridade", resumiu Vinícius Vilela, que faz parte do time do projeto.

Segundo ele, o milionário que pediu a transformação da Lamborghini possui outros da mesma marca, além de Ferrari, McLaren e outras, todos tunados.
Se conseguirem recuperar a Lamborghini e transformá-la, a expectativa é realizar um leilão em dezembro desse ano, em cidade ainda não definida.

Algumas que estão na lista para receber o evento de arrecadação são Dubai, São Paulo, Rio de Janeiro e Balneário Camboriú. A previsão é arrecadar entre US$ 5 milhões e US$ 10 milhões.

A ideia é que a série a respeito do projeto tenha nove episódios em vídeos gravados no Brasil e nos Estados Unidos. O primeiro já está pronto.
Agora, os planos dependem da recuperação do carro.

"A sequência disso a gente não sabe. Agora vamos ver se o carro vai ser recuperado ou não, se vai precisar mandar ele para fora para se recuperar... Itália, Estados Unidos. Ou quiçá que um outro abençoado seja tocado no coração e também resolva doar ou algumas empresas se reúnam para isso. A gente está torcendo para não deixar o projeto parar. Todo mundo está muito focado na desgraça, porque foi uma tragédia mesmo", complementa Vilela.