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Salão de Xangai


Caoa Chery aposta em Arrizo 5 elétrico e mais um SUV híbrido para o Brasil

Jorge Moraes

Colaboração para o UOL, em Xangai (China)

15/04/2019 22h00

Resumo da notícia

  • Martelo foi batido na abertura do Salão de Xangai
  • Executivos do grupo sino-brasileiro estão em peso na China
  • Grupo espera fabricar modelos eletrificados no Brasil para ganhar no preço
  • Objetivo é ter carro elétrico mais barato do mercado
  • SUV híbrido terá misto de custo/benefício e carro de imagem

O universo dos carros híbridos e elétricos no mercado brasileiro de automóveis começa a sair da inércia com novos projetos em andamento. Mas até então é uma "realidade aumentada" para os clientes, digamos, futuristas e endinheirados. Talvez isso possa se alterar com o anúncio de que a Caoa Chery se prepara e se estrutura para a revelação do sedã Arizzo 5e ("e" de elétrico) e, provavelmente, do Tiggo 7 híbrido, que serão produzidos na fábrica de Jacareí, interior de São Paulo.

A fase inicial da eletrificação dos automóveis em nosso país ainda é primária em relação à China, maior mercado do segmento. Assim, a tecnologia virá de lá, mas a fabricação será feita aqui para ter custos menores e poder colocar os modelos nas lojas com o rótulo de "mais baratos do Brasil".

Para a Caoa Chery, os modelos vão atuar ainda como seus primeiros elétricos, mas também modelos mais luxuosos, ao mesmo tempo.

Marcio Alfonso, CEO da Caoa Chery, apresentando Tiggo 7 em SP: agora será híbrido - Divulgação
Marcio Alfonso, CEO da Caoa Chery, apresentando Tiggo 7 em SP: agora será híbrido
Imagem: Divulgação

Elétrico visando mercado frotista

No cardápio de ofertas no atual cenário nacional entre os 100% elétricos estão o Nissan Leaf, Renault Zoe, Chevrolet Bolt, BMW i3, do também chinês JAC iEV40, além de Jaguar i-Pace chegando.

Donos de valores nada atraentes, os modelos citados acima são questionados por boa parte dos consumidores, mas servem de parâmetro para o começo dessa nova era da tomada no lugar da bomba de combustível. O JAC é o mais barato atualmente, começando em R$ 140 mil, praticamente o dobro do preço do T40, o modelo a combustão do qual deriva.

Para entrar bem no segmento, com o pé direito, a Caoa Chery vai largar com um híbrido e um elétrico que juntos fazem parte do plano inicial de eletrificação da marca conduzido pelo presidente Márcio Alfonso, que deu "99% de certeza" para o projeto.

O executivo revelou aqui na China que o sedã Arrizo, pelo fato de "também atender ao mercado de locadoras e vendas especiais [vendas diretas]", é o maior candidato para iniciar a largada a partir do próximo ano, 2020. Detalhe: a operação pode começar por importação, para depois seguir com o plano de nacionalização até 2022, como UOL Carros já apontou.

Alfonso também citou o Tiggo 2 híbrido, apresentado no Salão de Xangai como destaque do estande ao lado da divisão de luxo da Chery International, batizada de Exeed. Nós de UOL Carros não apostamos no Tiggo 2 híbrido, porém, porque teria preço maior que o do Arrizo, com autonomia menor, embora ele também esteja sendo testado. Nas contas de mais e menos, Arrizo elétrico e Tiggo 7 híbrido são mais atraentes e inteligentes.

Um Arrizo 5 elétrico com algo entre 350 e 400 quilômetros de autonomia, mesmo custando o dobro que sua contra-parte a combustão (atualmente entre R$ 65 mil e R$ 72 mil), ainda teria chance de ostentar a etiqueta abaixo dos R$ 140 mil. Já um Tiggo 7 híbrido poderia ter seu valor na casa dos R$ 150 mil (o convencional custa R$ 107 mil) e ainda ficar bem na fita.

Bom lembrar que alguns dos veículos já foram exibidos, em outubro do ano passado, no Salão do Automóvel de São Paulo -- além de Arrizo e Tiggo, tínhamos o eQ1, versão elétrica do QQ, que até ganhou rumores de poderia custar R$ 50 mil -- pelo visto, o custo deste modelo acabou não batendo com a realidade. A Caoa Chery segue desenvolvendo os carros em laboratórios da China e testando homologações possíveis no Brasil.

Desafio maior

O presidente da Caoa Chery reforça a importância de não somente estar presente, mas participar da concorrência ofertando uma entrega de tecnologia, design e preço atraentes. Desafio que não é menos importante será organizar, em matéria de infraestrutura, a produção local de baterias, ponto-chave de qualquer projeto de eletrificação. E, claro, a multiplicação das estações de recarga.

Recentemente a Volvo fechou parcerias nacionais com shoppings e uma rede de supermercados para instalar os carregadores. A BMW também tem acordos com shoppings, condomínios e rede global de lanchonetes, mas ainda falta muito!

Para os híbridos, a história já pode ser outra: Prius, Lexus NX, UX, ES, LS e o novo RX já est]ao por aí. O novo Corolla chega em outubro. Além dos Porsche Panamera, BMW 530e, Mini Countryman, Volvo XC 60 e XC 90 estão no cenário de ofertas.

A Land Rover começa a eletrificar seus SUVs nos próximos meses, quando a rede receberá os veículos no modo plug-in.

Inteligência (artificial) da China para o Brasil

A nova geração de produtos da Chery vistos aqui na China são base para o reforço de tecnologia empregado nos produtos brasileiros. Henrique Sampaio, gerente de marketing da montadora, aponta para o "Lion' -- inteligência artificial que ajuda a dirigir o veículo, também ligado ao ACC, que deverá chegar ao Brasil mais à frente.

Sistemas de info-entretenimento com maior conectividade também são explorados no "Shanghai Auto Show", como o salão chinês é chamado internacionalmente. Certamente estarão nos modelos da Caoa Chery nacionais. A estreia está prevista para o último trimestre, no Tiggo 8.

* Jorge Moraes é jornalista, influenciador digital, jurado do Prêmio UOL Carros e fala sobre tecnologia em automóveis.

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