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Tesla pede ajuda à Apple para pegar engenheiro acusado de "roubar segredos"

Divulgação
Imagem: Divulgação

Peter Blumberg

12/07/2019 15h09

Tesla e Apple suspeitam que foram traídas por engenheiros de carros autônomos que foram trabalhar para a mesma startup chinesa.

Agora, a Tesla está pedindo ajuda da Apple em um processo judicial, no qual a fabricante de automóveis elétricos acusa um engenheiro que trabalhava no programa Piloto Automático de levar milhares de arquivos altamente confidenciais quando aceitou um emprego na XMotors.ai, a divisão de pesquisa nos EUA da Xpeng, sediada em Guangzhou.

Além das exigências típicas da fase inicial de apuração dos fatos, apresentadas no processo movido na semana passada, a Tesla quer acesso aos e-mails do engenheiro e uma análise nos equipamentos eletrônicos dele. A companhia fundada por Elon Musk informou que convocou a Apple a depor.

O processo não especifica os documentos que a Tesla quer da Apple, mas o entendimento é que, embora as gigantes do Vale do Silício sejam concorrentes no segmento de direção autônoma, as duas têm na Xpeng uma inimiga em comum.

Em julho do ano passado, procuradores acusaram um engenheiro da equipe de desenvolvimento de veículos autônomos da Apple de baixar arquivos proprietários quando se preparava para deixar a companhia para trabalhar na empresa chinesa. Segundo a defesa apresentada pelo engenheiro, ele não é culpado da acusação.

A Apple não retornou imediatamente a solicitação de comentário da reportagem. O profissional que trabalhava para a Tesla, Guangzhi Cao, admitiu em documentos judiciais que baixou cópias relacionadas ao código do programa Piloto Automático para sua conta pessoal no iCloud, mas nega ter cometido qualquer infração.

Cao "fez exatamente nada com o IP da Tesla", tentou apagar todos os códigos da Tesla de seus dispositivos pessoais com "diligência e determinação" e se colocou à disposição para entregar à companhia cópias forenses de qualquer dispositivo que queira inspecionar, afirmaram os advogados de defesa.

A Xpeng - que não foi formalmente acusada pela Apple ou pela Tesla - afirma que segue as regras e nega qualquer envolvimento na conduta supostamente imprópria dos engenheiros. A companhia informou que, quando soube, em junho de 2018, que autoridades americanas estavam investigando o ex-engenheiro da Apple, tomou posse do computador e dos equipamentos dele no escritório, impediu seu acesso e o demitiu.

A Xpeng tem entre seus investidores a Alibaba Group Holding e a Foxconn Technology Group. A empresa é uma das startups chinesas que pretende redefinir o setor automotivo. O maior mercado mundial de automóveis está incentivando a produção de veículos que rodam com energias alternativas, no esforço de reduzir a poluição do ar e a dependência em relação às importações de petróleo.

--Com a colaboração de Mark Gurman.

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