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C3 Aircross: veja as primeiras impressões do novo SUV lançado no Brasil

Principal lançamento da Citroën em 2023 - e nos últimos anos -, o C3 Aircross traz ao segmento de SUVs compactos a opção de sete lugares. O modelo chegou às concessionárias no dia 29 de novembro, por enquanto apenas na configuração com duas fileiras. A de três, que conta com os dois bancos extras, vem no início de 2024.

Por ora, há apenas o preço do modelo de cinco lugares. São R$ 109.990 para a versão Feel, R$ 119.990 para a Feel Pack e R$ 129.990 para a Shine. A configuração com três fileiras também terá esses três níveis de acabamento. Para todos, o motor é sempre o 1.0 turbo.

É um propulsor inédito na linha Citroën. Até então, a marca do Grupo Stellantis (tem também, no Brasil, Fiat, Jeep, Peugeot, RAM e Abarh) usava 1.0 e 1.6 aspirados e 1.6 turbo - para seus modelos C3 hatch e C4 Cactus. O câmbio é CVT e simula sete velocidades. É o mesmo conjunto de Pulse, Fastback e 208.

E é este motor que garante ao C3 Aircross a sua melhor característica: a ótima capacidade de acelerar. No dia 29 de novembro, publicamos aqui uma reportagem sobre preços, versões e outras características do produto.

Mas quais são as impressões ao dirigir o C3 Aircross? E a respeito de sua usabilidade? Confira abaixo.

Na hora de acelerar

A carroceria da versão de cinco lugares é a mesma da de sete. Comprimento, entre-eixos e outras dimensões são iguais. Aliás, o carro tem 4,32 metros totais, 2 cm a mais que o Hyundai Creta, por exemplo. O que muda é apenas uma preparação no porta-malas (leia mais abaixo).

A versão testada foi a de cinco lugares. De acordo com a Citroën, seu desempenho é igual ao da com três fileiras. E, com 20,4 kgfm a baixa rotação (1.750 rpm) entregues pelo 1.0 turbo, o C3 Aircross ganha velocidade com muita rapidez.

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Imagem: Rafaela Borges/UOL
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De acordo com informações da Citroën, o novo SUV acelera de 0 a 100 km/h em 9,7 segundos em todas as versões. Pela eficiência nas retomadas, a impressão foi de que o carro é até mais rápido.

A velocidade máxima, também de acordo com dados da fabricante, é de 191 km/h. Quanto ao consumo de combustível, são 7,4 km/l na cidade e 8,6 km/l na estrada, com etanol. Com gasolina, os números são 10,6 km/l e 12 km/l, conforme dados do Inmetro.

Conforto e estabilidade

O SUV compartilha a plataforma CMP com o C3 hatch, bem como muitos componentes. Os freios são a disco ventilado na dianteira e a tambor na traseira. Na frente, a suspensão é independente e atrás, por eixo de tração.

Porém, ante o C3, foi feito um trabalho de reforço na suspensão, para acomodar as dimensões e o peso extras - a versão Shine de cinco lugares, avaliada, tem 1.216 kg. O conforto ao rodar é o destaque, com ótima absorção dos impactos com pisos imperfeitos.

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Imagem: Rafaela Borges/UOL
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A posição de dirigir do C3 Aircross é difícil de encontrar. Apesar do ajuste de altura do banco e da coluna de direção, falta a este segundo componente de profundidade. Além disso, o cinto de segurança não pode ser ajustável em altura.

O apoio de cabeça é muito à frente, dando a impressão de estar empurrando a cabeça do motorista. Essa sensação é desagradável e quem está ao volante acaba tendo sempre a necessidade de levar o encosto do banco mais para trás, o que não resolve o problema.

Já o painel de instrumentos digital e personalizável é bem posicionado e com ícones fáceis de ler. Durante o teste, o C3 Aircross também chamou a atenção pelo baixo nível de ruído na cabine.

Terceira fileira de bancos

O porta-malas do C3 Aircross tem excelentes 493 litros em todas as versões. Mas há diferenças entre elas. No cinco-lugares, o assoalho é plano. No de sete, há uma preparação para acomodar os dois bancos extras.

Isso porque eles são removíveis. Assim, se o cliente quiser rodar com menos pessoas, basta retirá-los, para ter a plena capacidade do compartimento de bagagem. Porém, o assoalho não fica plano - há uma superfície um pouco mais alta, com os encaixes dos bancos.

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Para removê-los, basta puxar uma corda na parte de baixo. A operação é fácil, e os bancos são muitos leves. Na segunda fileira, são duas operações para promover o acesso à terceira. Primeiro, dobra-se o encosto dos bancos. Depois, puxando-se uma corda, leva-se também o assento para a frente.

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Imagem: Rafaela Borges/UOL

Quando os bancos da terceira fileira estão em uso, praticamente não sobra porta-malas. A capacidade é de 50 litros. Não dá para acomodar nada mais do que poucas sacolas de supermercado, por exemplo. Por isso, a solução é muito mais urbana do que para viagens em família - a não ser que o objetivo seja fazer bate-e-volta, sem malas.

Espaço traseiro

O C3 Aircross tem 2,67 metros de entre-eixos, uma dimensão acima da média do segmento de SUVs compactos. Mas, nas versões de sete lugares, o espaço da segunda fileira não é assim tão generoso quanto o número sugere.

Não que o SUV seja apertado, mas não oferece espaço mais amplo do que o de modelos com 2,60 metros de entre-eixos, por exemplo. É que a Citroën precisou dividir o espaço entre segunda e terceira fileiras, para que os ocupantes da última tivessem o mínimo de dignidade.

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Na versão de cinco lugares, os bancos da segunda fileira, que não têm trilhos, foram levados um pouco mais para trás na fábrica. Mas não muito. Por isso, foi preservada a capacidade do porta-malas, compensada pelo assoalho plano do compartimento - que, como explicado acima, o sete-lugares não tem.

Na segunda fileira, o túnel central é alto. E falta saída de ar atrás para o carro de cinco lugares. Ela só é oferecida na de sete, e está posicionada no teto - para atender também os ocupantes da última fila.

Simplicidade

O segmento de SUVs é atualmente o maior do Brasil, com 25% do mercado. Por isso, a Citroën, durante a apresentação do carro, ressaltou muito que o modelo derivado do hatch C3 pertence a essa categoria. Isso reforça o interesse do público brasileiro. E até mesmo apontou o Spin como um concorrente indireto.

Isso porque o modelo da Chevrolet, que tem mesma faixa de preço e opção de sete lugares, é monovolume. Assim, fica claro o empenho da Citroën em atingir um público mais amplo que o do Spin. O veterano se mantém firme no mercado, mesmo com seu antigo e defasado motor 1.8 aspirado, graças a um fiel grupo de clientes: aqueles que usam o carro para o trabalho, especialmente para transporte de passageiros, e o adquirem por meio de venda direta.

O C3 Aircross não quer ser só isso. Não há dúvidas de que terá forte apelo entre os consumidores do Spin. Por outro lado, também traz atributos - e bom preço - para ganhar clientes de SUVs. Independentemente da necessidade de sete lugares, seu amplo porta-malas surge como um diferencial, bem como o convincente desempenho garantido pelo moderno motor.

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Mais que isso, o C3 Aircross tem preço. Durante a apresentação, a Citroën ressaltou bastante que este é o SUV turbo mais barato do Brasil. A montadora francesa, agora a marca mais acessível do Grupo Stellantis, vem investindo em ter valores mais atraentes que os da concorrência.

Por outro lado, não há milagre. Por isso, faltam coisas que vêm sendo cada vez mais comuns nos novos SUVs. Entre elas, freio de estacionamento elétrico, partida por botão, ar-condicionado digital, ajuste de profundidade do volante e até carregador de smartphone sem fio (vendido apenas como acessório em concessionárias).

Não há também sistemas de assistência à direção relevantes. Nem a frenagem autônoma de emergência o C3 Aircross tem. E air bags laterais só a partir das versões intermediárias. A de entrada traz apenas os dois obrigatórios.

Para reduzir custos, a Citroën acabou optando por oferecer coisas de que mesmo o consumidor que quer economizar faz questão. Por isso, desde a versão de entrada, o C3 Aircross já traz central multimídia (com Android Auto e Apple CarPlay sem fio) e volante multifuncional.

E, claro, o motor é sempre o turbo, algo que também está se tornando mandatório no segmento de SUVs. A Argentina terá versão 1.6 aspirada. Aqui no Brasil, só o 1.0 turbo mesmo.

Opinião

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.

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