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Por que o Honda HR-V deixou de ser páreo para os SUVs líderes de vendas

Rafaela Borges

Rafaela Borges é jornalista automotiva desde 2003, com passagens por Carsale e Estadão. Escreve sobre o mercado de veículos, supercarros, viagens sobre rodas e tecnologia.

Colunista do UOL

30/04/2020 04h00

O Honda HR-V foi líder de vendas de SUVs compactos em 2015, ano em que foi lançado, 2016 e 2017. Então chegou 2018 e, pela primeira vez em sua história no Brasil, o modelo perdeu para a primeira posição - para o Hyundai Creta.

Desde então, o desempenho do carro no ranking de vendas pode ser definido como "ladeira abaixo". Em 2019, o modelo foi ultrapassado por mais dois: o Jeep Renegade e o Nissan Kicks.

O carro conseguiu terminar o ano no quarto lugar, à frente do T-Cross. Mas isso só ocorreu porque o Volkswagen começou a ser vendido apenas no fim de março. Nos meses finais de 2019, ele já aparecia com folga à frente do Honda.

Em janeiro deste ano, último mês com vendas não influenciadas pela pandemia, o Honda HR-V caiu para o quinto lugar no ranking em vendas, deixado para trás também pelo T-Cross. E, assim que as vendas voltarem ao normal, a expectativa é de que passe a ser ameaçado pelo novo Chevrolet Tracker.

O fato é que, assim como o EcoSport, o HR-V é agora também carta fora do baralho na disputada briga pela liderança do segmento de SUVs compactos. Porém, existe uma grande diferença entre o SUV da Ford e o da Honda: a preferência do consumidor.

Por que o Honda HR-V perdeu espaço

Há quem possa pensar - e acredito que esse grupo é grande - que o HR-V saiu da corrida pela liderança dos SUVs compactos por causa do preço. O carro está sempre entre os mais caros do segmento.

A versão EXL, mais vendida da linha, sai por R$ 113.400, ante os R$ 107.990 do Creta Prestige e R$ 107.390 do Kicks SL Pack Tech. O Renegade Limited 1.8 tem preço de R$ 112.990. Na lista dos mais emplacados, só o T-Cross equivalente, Highline, custa mais: R$ 116.190.

Mas a verdade é que o preço nada tem a ver com o fenômeno de queda no ranking de vendas. O HR-V sempre foi um dos mais caros do segmento. Atualmente, seus valores estão até mais próximos dos da concorrência que no passado.

O que está derrubando o Honda, além da chegada de novos concorrentes a partir de 2016, é o processo de vendas diretas. Mais precisamente, as entregas para o público PCD. O HR-V, diferentemente dos principais rivais, não tem uma opção específica para esse consumidor.

Para ter isenção de IPI e ICMS, um veículo precisa custar até R$ 70 mil. Kicks, Creta, Renegade e T-Cross oferecem essa configuração. O HR-V, não.

Em fevereiro, por exemplo, a versão PCD (Sense) representou quase 37% das vendas do T-Cross. No caso do Kicks, a participação foi de 35% no primeiro bimestre e no do Renegade, de 30%. No Creta, ficou em torno de 40% em janeiro

O HR-V, além de não ter uma versão PCD, também não investe em outras modalidades de vendas diretas. Tanto que, em 2019, a participação dessa modalidade em seus emplacamentos foi de 8%.

No caso do Renegade, SUV compacto líder de vendas diretas, a participação foi de 72%. Além do público PCD, esse tipo de negócio é fechado com empresas, frotistas e produtores rurais, por exemplo. Nesses casos, inclui bons descontos oferecidos pela própria fabricante.

Honda HR-V é líder no varejo

A principal diferença entre HR-V e EcoSport é que o Honda é o queridinho do varejo. Quando as vendas são feitas sem nenhum tipo de desconto especial, pela concessionária, é o modelo da Honda que tem a preferência do consumidor.

O HR-V foi o SUV compacto mais vendido no varejo em 2019, com 45.574 emplacamentos. Foram mais de 11 mil a mais que o segundo colocado, o Creta. Sobre o terceiro, Kicks, a vantagem foi de aproximadamente 21 mil exemplares.

Ainda assim, sem uma versão PCD ou mais ações de vendas no atacado, o HR-V ficará definitivamente fora da briga pelo primeiro lugar. As vendas diretas vêm ganhando cada vez mais importância quando o assunto é o ranking de emplacamentos, principalmente nesta fase de pandemia.

Para a Honda, no entanto, a estratégia no Brasil é focada não na liderança, mas no varejo. O HR-V só conseguiu ser líder quando as vendas diretas tinham representatividade menor no mercado. Não há perspectiva de mudança nessa diretriz a curto prazo.