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Estradas de terra e apoio do Strava: como Fred faz travessia BH-Rio de bike

Fred, do Fluminense, está fazendo viagem de bicicleta de Belo Horizonte ao Rio de Janeiro - Gustavo Lovalho | Sense Bike divulgação
Fred, do Fluminense, está fazendo viagem de bicicleta de Belo Horizonte ao Rio de Janeiro Imagem: Gustavo Lovalho | Sense Bike divulgação
Diego Salgado

Repórter do UOL desde 2015, com passagens por Estadão e Portal 2014. Ciclista há 20 anos na cidade de São Paulo, já pedalou por 10 países e atravessou sozinho a América do Sul e a Europa. A Oceania é o próximo desafio.

04/06/2020 15h26

O atacante Fred era um usuário comum do Strava há algumas semanas. Hoje, em meio a uma audaciosa travessia de bicicleta, de Belo Horizonte ao Rio de Janeiro, o jogador se tornou uma das estrelas do aplicativo, com um salto de 14 mil seguidores desde o início da cicloviagem. O trajeto de 600 quilômetros é feito, sobretudo, por estradas de terra, com a ajuda do Strava.

Iniciante no esporte, Fred passou a pedalar com frequência em 2020 e, por isso, criou uma conta no aplicativo. Até o início da travessia, que marca o seu retorno ao Fluminense, o atleta tinha apenas 50 seguidores.

A entrada no Strava resultou numa aproximação entre a equipe do aplicativo e o estafe de Fred. Francis Melo, empresário do jogador, então, contou os planos do jogador à country manager do Strava no Brasil. Rosana Fortes.

"Ele queria ligar o retorno dele ao Fluminense a uma causa social e à nova paixão dele, que é a bike", contou Rosana, que enxerga a parceria como uma oportunidade de atingir os amantes do futebol e ajudar a "democratizar o aplicativo".

"Falamos muito com público de corrida e bicicleta, mas vivemos no país do futebol. O Fred ainda tem facilidade para passar mensagem, é um comunicador nato", disse a executiva.

"Ele deixou claro que qualquer valor de cachê pelo projeto não fosse para ele, fosse para uma causa, para as comunidades ao redor do CT do Fluminense", completou.

A meta do jogador era arrecadar quatro mil cestas básicas. Ele mesmo doará uma para cada quilômetro rodado. Ontem (3), a ação chegou ao objetivo, com a ajuda de empresas que apoiaram a causa. O jogador ainda doou o cachê para comunidades carentes próximas ao CT do Fluminense.

Fred - Gustavo Lovalho | Sense Bike divulgação - Gustavo Lovalho | Sense Bike divulgação
Fred irá doar o cachê que recebeu de parceiros para comunidades próximas ao CT do Fluminense
Imagem: Gustavo Lovalho | Sense Bike divulgação

O Strava, ao lado de outros dois parceiros, ajudou a organizar a travessia. As rotas foram criadas no Route Builder, nova ferramenta do Strava. Fred optou por um caminho alternativo, de terra, em 75% do trajeto. Foi uma forma de evitar aglomerações. A pandemia no novo coronavírus, inclusive, definiu pontos da preparação.

"A gente tinha a preocupação com os aspectos ligados à pandemia, a gente teve o cuidado, ele está numa equipe extremamente reduzida. Abri mão de um representante do Strava. Falei que era para ir com a equipe que ele se sentisse mais à vontade", explicou Rosana.

Dessa forma, vários papéis são desempenhados por uma única pessoa. O preparador físico de Fred, por exemplo, também é massagista. O motorista de um dos carros de apoio é mecânico. A pessoa que faz a captação de imagens ainda alimenta as redes sociais.

Fred pedala até 170 km por dia

O atacante de 36 anos ainda foi mais longe no desafio ao traçar a meta de chegar ao Rio de Janeiro em apenas quatro dias, com 150 km diários, em média. Ele saiu de Belo Horizonte na última segunda-feira (1º).

No primeiro dia, Fred utilizou uma bicicleta com pedal assistido. No segundo, usou uma convencional, justamente quando atingiu a marca de 171 km de distância. Ontem (3), voltou a ter pedal assistido.

O atleta do Fluminense tem feito a travessia nos períodos da tarde e da noite. De terça para quarta, parou de pedalar à 1h30. Depois, ainda dez alongamento e recebeu massagem nas pernas. No dia seguinte a travessia foi retomada depois do almoço.

Fred e a equipe têm dormido em hotéis vazios, escolhidos de forma minuciosa, com segurança, pois muitas cidades estão fechadas por causa da pandemia.