Jorge Moraes

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Peugeot 208 precisará mais do que um turbo para incomodar os líderes

Quando a Peugeot lançou o novo 208 no Brasil apenas com motores aspirados - o 1.6 no primeiro momento e em seguida o 1.0 - a reclamação foi geral pela falta de uma motorização turbinada, o que já era realidade na maioria dos hatches dessa categoria.

O resultado foi um desempenho fraco nas vendas, apesar de o produto ser bom, bonito e bem equipado. Para se ter uma ideia, nos primeiros nove meses deste ano, o Peugeot 208 emplacou pouco mais de 20 mil unidades, ocupando a quinta posição no ranking dos hatches compactos.

Na frente dele estão o Fiat Argo com 50.909 unidades vendidas, Hyundai HB20 com 61.802, Chevrolet Onix com 70.746 e o líder Volkswagen Polo com 71.927 emplacamentos entre janeiro e setembro deste ano. Os números são da Fenabrave.

A chegada agora do conjunto mecânico composto pelo motor 1.0 turboflex de três cilindros, 130 cv de potência, 20,4 kgfm de torque e câmbio automático do tipo CVT fez muita gente falar: "Agora sim. Era o que faltava para o 208". Mas será que era só isso mesmo o que faltava?

Acreditamos que não. Só o turbo não será suficiente para colocar o bom 208 na briga com os concorrentes mais vendidos. A Peugeot precisa trabalhar para diminuir a desconfiança que o brasileiro acumulou pela marca após um período considerável de um pós-venda problemático.

As duas marcas irmãs da PSA (Peugeot e Citroën) ainda têm dificuldade para desfazer essa fama de "carro problemático" ou de um pós-venda que não dá muita atenção ao cliente após ele adquirir o veículo na concessionária.

A aliança da PSA com a FCA (Fiat Chrysler Automotive) que criou a gigante Stellantis vai acelerar essa percepção de segurança que os clientes querem ter ao comprar um carro das marcas francesas. Uma questão de tempo que custa muito a cada dia que passa.

Esse conjunto mecânico turbinado é um bom exemplo disso. Ele é o mesmo que está rodando em centenas de unidades do Pulse e do Fastback sem grandes problemas. É comum por aqui dentro da Stellantis que um motor recém-lançado apresente falhas nas primeiras "fornadas", mas quando se está inserido em um grupo como esse gigante, a solução é sempre mais rápida e essa resposta imediata logo em seguida causa uma boa impressão ao mercado.

Testamos o novo 208 Style com motor 1.0 turbo por 10 dias no uso urbano. O leãozinho agora tem um desempenho que condiz como seu visual esportivo. O carro é bem legal. Sobra força, mesmo que o câmbio CVT seja um pouco preguiçoso quando não está com o modo Sport ativado. Vacilo da Peugeot não colocar paddle shifts para a troca manual, mesmo que simulada.

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Então sim, o novo Peugeot 208 é bonito, bem-acabado, tem ampla lista de equipamentos de série e agora tem fôlego de sobra para andar na cidade ou na estrada. O preço é na média dos concorrentes. Custa R$ 110 mil nessa versão intermediária que só não tem o ADAS.

Cabe agora a Stellantis trabalhar para acabar ou diminuir a "descrença" do consumidor brasileiro com a Peugeot. Know-how para isso eles têm, pois Fiat e Jeep lideram vários segmentos no mercado automotivo nacional e compartilham praticamente tudo, como plataformas, motores e tecnologias. Só precisa que a Peugeot surfe essa onda também.

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Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.

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