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REPORTAGEM

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Venda de motos mantém alta em setembro; setor projeta crescer 23% no ano

No mês passado, foram vendidas 108.848 motocicletas, o que representa crescimento de 5,98% em relação a agosto - Caio Mattos/Divulgação
No mês passado, foram vendidas 108.848 motocicletas, o que representa crescimento de 5,98% em relação a agosto Imagem: Caio Mattos/Divulgação
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Arthur Caldeira

Arthur Caldeira, jornalista e motociclista (necessariamente nessa ordem) fundador da Agência INFOMOTO. Mesmo cansado de ouvir que é "louco", anda de moto todos os dias no caótico trânsito de São Paulo.

Colunista do UOL

04/10/2021 12h08

Resumo da notícia

  • Com 108.848 unidades emplacadas, segmento de motos foi o único a registrar alta nas vendas em setembro
  • No acumulado do ano, venda de motos já cresceu 33% na comparação com o mesmo período do ano passado
  • Com as vendas em alta, distribuidores revisaram as projeções para 2021 e segmento deve crescer 22,9%

Embora no acumulado de janeiro a setembro de 2021, os emplacamentos de veículos demonstrem crescimento acima de 20% sobre o mesmo período de 2020, no mês passado, somente o segmento de motocicletas apresentou alta em relação a agosto. Os demais (automóveis e comerciais leves, caminhões, ônibus, implementos rodoviários e outros) tiveram queda no período, segundo dados divulgados pela Fenabrave, federação que reúne os distribuidores de veículos do Brasil.

Em setembro deste ano, o setor, como um todo, emplacou 281.054 unidades, ou seja, retração de 4,43%, na comparação com o mês anterior. Em relação a setembro de 2020, a queda mensal foi de 14,37%.

Para o presidente da entidade, o grande problema do setor automotivo como um todo são os baixos estoques e a falta de componentes, para a produção de novos veículos.

"A falta de veículos novos, em função da escassez de componentes na indústria, é um fenômeno global, que atinge outros países, como os Estados Unidos, por exemplo. Vivemos, hoje, possivelmente, o ponto mais crítico dessa crise de abastecimento de veículos, mas acredito que, nos primeiros meses de 2022, teremos uma clareza maior sobre a resolução do problema", explica Alarico Assumpção Júnior, Presidente da Fenabrave.

Apesar de também enfrentar a falta de peças, o que ocasionou a suspensão da produção de motos em diversos períodos deste ano, o segmento de motocicletas foi o único a registrar alta na comparação com agosto. No mês passado, foram comercializadas 108.848 unidades, o que representa crescimento de 5,98% em relação a agosto.

fábrica yamaha - Divulgação - Divulgação
Yamaha paralisou a produção em algumas linhas de montagem, por falta de componentes, entre 9 e 24 de setembro
Imagem: Divulgação

De janeiro a setembro deste ano, foram emplacadas 841.481 unidades. Com isso o segmento de motos já acumula crescimento de 33,34% na comparação com o mesmo período de 2020, quando foram vendidas 631.070 motocicletas.

"A produção está sendo absorvida pelo mercado. A procura por motocicletas cresceu na pandemia e é interessante observar como essa tendência ficará no futuro, especialmente, nas grandes cidades", analisou o presidente da entidade.

Projeções revistas

Diante desse cenário de incertezas e do desabastecimento da indústria, a Fenabrave reviu as projeções de vendas para 2021. Na análise, divulgada em julho, havia expectativa de crescimento de 13,6% sobre 2020. Agora, a projeção aponta alta de 11,1% para todo o setor.

"Estamos diante de muitas incertezas e da maior crise de abastecimento de veículos já vivida, nos últimos anos. Isso nos fez reduzir as expectativas de crescimento para o ano, infelizmente", alerta Alarico Assumpção Júnior.

No caso do segmento de motocicletas, porém, a revisão das projeções foi para "cima". Em julho, a entidade projetava aumento de 16,2% na venda de motos neste ano. As novas projeções agora é de que o setor de duas rodas cresça quase 22,9% em 2021.