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Avaliação: Triumph Tiger 900 GT Pro ganha tecnologia e conforto para viajar

Versão topo de linha da bigtrail inglesa tem painel conectado e suspensão eletrônica por R$ 59.990 - Divulgação
Versão topo de linha da bigtrail inglesa tem painel conectado e suspensão eletrônica por R$ 59.990 Imagem: Divulgação
Arthur Caldeira

Arthur Caldeira, jornalista e motociclista (necessariamente nessa ordem) fundador da Agência INFOMOTO. Mesmo cansado de ouvir que é "louco", anda de moto todos os dias no caótico trânsito de São Paulo.

Colunista do UOL

02/08/2020 04h00

A nova Triumph Tiger 900 não pode ser resumida apenas ao motor de maior capacidade. Trata-se de uma evolução da espécie de 800 cc em termos de conforto e tecnologia. Ainda mais a GT Pro, versão topo de linha dos modelos com rodas de liga-leve, de 19 polegadas, voltados ao asfalto.

Vendida a R$ 59.990, a GT Pro tem painel com tela colorida de TFT, conexão Bluetooth e aplicativo para smartphone e ajuste eletrônico na suspensão traseira. Sensor de medição inercial e seis modos de pilotagem completam o pacote tecnológico, considerado exagerado por alguns e o máximo, por outros. Bancos e manoplas aquecidas, protetor de mão e dois faróis auxiliares também já vêm de série na versão.

Tiger 900 mov - Divulgação - Divulgação
Versão GT Pro está disponível nas cores branca, preta e vermelha
Imagem: Divulgação
O novo design também merece destaque. A bigtrail trocou os faróis ovalados por um conjunto óptico com linhas retas e mais elegantes, e com a "sobrancelha" de iluminação diurna.

Na cidade

O motor de três cilindros de exatos 888 cm³ tem um novo intervalo de ignição 1-3-2. A potência continua a mesma, 95 cv a 8.750 rpm, mas o torque aumentou para 8,87 kgf.m a 7.250 rpm. O ronco, mais encorpado que o antigo assobio, reflete a nova personalidade: o tricilíndrico está mais "cheio" em médios giros.

Na cidade, significa que é preciso girar menos o acelerador para que o motor responda. E há força para rodar em quarta marcha a 50 km/h, pelas vigiadas avenidas paulistanas.

Tiger 900 motor - Divulgação - Divulgação
Novo motor de 888 cm³ tem os mesmos 95 cv, porém mais torque; sistema quickshift é exclusivo das versões Pro
Imagem: Divulgação
Outra melhoria mais que bem-vinda para nosso país tropical foi a adoção de dois radiadores. Rodei com a temperatura de 25° C e não senti o calor, que antes incomodava no trânsito e paradas nos semáforos.

Os cinco quilos a menos - agora são 198 kg a seco - também ajudam a sensação de que a nova Tiger 900 é mais ágil no uso urbano. O sistema quickshift , que permite subir ou descer as marchas no câmbio de seis velocidades, contribui para o conforto - mas é exclusivo das versões Pro.

Conforto e segurança

Na estrada, a cavalaria do motor é suficiente para ir bem mais rápido que os 120 km/h permitido na rodovia dos Bandeirantes, que sai de São Paulo em direção ao interior do estado. O para-brisa, ajustado manualmente na posição mais alta, desvia bem o vento. O assento mostrou-se confortável, mesmo após 320 quilômetros percorridos.

Tiger 900 farol - Divulgação - Divulgação
Tiger 900 ganhou novo design, com conjunto óptico retangular com iluminação diurna
Imagem: Divulgação
Baixei o aplicativo "My Triumph" no smartphone, que permite reproduzir no painel rotas de navegação, e também faz um registro do percurso com diversas informações. Com "n" modos de visualização na tela colorida de 7 polegadas, é possível seguir as instruções do Google Maps de forma simplificada. A nova funcionalidade praticamente aposenta os complicados aparelhos de GPS em motos.

Entre os seis modos de pilotagem, optei pelo Road, que entrega potência de forma mais linear e, como diz o nome voltado para a estrada. As respostas são mais progressivas do que no modo Sport, mas ainda assim são imediatas e há força de sobra para ultrapassagens.

Tiger 900 painel - Divulgação - Divulgação
Painel com tela colorida de 7'' se conecta ao celular; consumo na estrada foi de 18,3 km/litro
Imagem: Divulgação
Pretendia percorrer a distância (cerca de 300 km) sem parar para abastecer. Maneirei no acelerador, mas ainda assim o consumo foi de 18,3 km/litro. Uma autonomia projetada de 366 quilômetros. Mesmo com o tanque de maior capacidade, agora com 20 litros, tive de fazer uma parada no posto de combustível. Preferi não arriscar ficar sem gasolina nas Marginais que chegam à capital paulista.

As suspensões e a ciclística mantiveram o padrão da marca inglesa: estável nas retas, precisa nas curvas e mudanças de direção. Vale destacar os novos freios Brembo Stylema, topo de linha da grife italiana. Proporcionam uma frenagem eficiente e progressiva, e foram úteis quando um dos muitos caminhões que rodam na região achou que era uma boa ideia ultrapassar em uma subida.

Concorrência feroz

No geral, a Triumph 900 é uma moto melhor que a antecessora de 800 cc. E mais bonita também, na minha opinião. Mais leve e confortável, eleva o patamar de tecnologia e conforto da categoria. Cada vez mais as aventureiras de média capacidade ganham equipamentos, antes presentes apenas nos modelos de 1.200 cc. Com isso também vêm preços mais altos.

Tiger 900 curva - Alessio Barbanti/Divulgação - Alessio Barbanti/Divulgação
Ciclística mostrou-se estável nas retas e precisa em curvas; destaque para as pinças de freio Brembo Stylema na dianteira
Imagem: Alessio Barbanti/Divulgação
A Tiger 900 evoluiu para enfrentar uma concorrência feroz e que vem se aprimorando. A suspensão traseira com ajuste eletrônico faz frente à BMW F 850 GS, sua principal concorrente. Vendida a R$ 59.750 e também com um completo pacote eletrônico, a moto da BMW tem o motor limitado a 80 cv pelas leis de emissão de ruídos.

O preço da Tiger 900 GT Pro também se aproxima da Africa Twin CRF 1000L. Cotada a R$ 62.000, a bigtrail da Honda tem a mesma cavalaria, mas menos eletrônica. A futura versão de 1.100 cc, que deve vir em 2021 apenas, tem até Apple Car Play, mas será certamente mais cara.

A Triumph ainda oferece outras versões de entrada da nova bigtrail de 900 cc. A mais básica, chamada apenas de Tiger 900, sai por R$ 48.990 e tem painel menor, de 5 polegadas, porém completo, só dois modos de pilotagem e as setas não são de LED. Há ainda uma intermediária, chamada de GT, e vendida por R$ 52.990. Opções para quem não precisa - ou nem usa - tanta eletrônica.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.