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Honda ZR-V: por que SUV será cobiçado no futuro mesmo se 'micar' em vendas

É invejável a reputação da Honda no Brasil. Tem pouco mais de 30 anos que seus carros deram suas caras por aqui, mas bem antes disso, as motocicletas da marca já faziam sucesso entre os amantes das duas rodas. E claro, não podemos esquecer das vitórias e títulos nas pistas de Fórmula 1, conquistados com motores Honda por alguns brasileiros.

A Honda tem seus fãs e seus haters, mas é consenso a excelência de seus produtos, que acaba repercutindo diretamente no mercado de usados, onde ela e outras marcas japonesas deitam e rolam.

Mas nem sempre acertam o alvo. Assim como nas pistas, onde a vitoriosa Honda já foi motivo de chacota, no nosso mercado atual a marca tem dado umas derrapadas. Conseguiram matar o Fit, um dos modelos mais desejados pelos brasileiros. O Civic, um dos seus principais produtos, tem tido vendas inexpressivas desde que passou a ser importado. Agora temos o novo ZR-V, que chega com a polêmica de custar tanto quanto rivais bem mais modernos e potentes.

Carros da Honda sempre foram mais caros, com justificativas de melhor qualidade e capacidade de acompanhar as mesmas mudanças de gerações que acontecem nos mercados mais ricos. Só que dessa vez o mercado não está mais engolindo isso.

Civic e Corolla sempre caminharam lado a lado, mais caros que os principais concorrentes, mas com seus fieis compradores que aceitavam pagar mais por eles. Agora, o Honda custa R$ 61 mil a mais que o mais caro dos Toyotas.

A Honda pode falar o que quiser, que seu carro é superior e não concorre com Corolla, mas o fato é que o Civic está praticamente morto se continuar nesse posicionamento.

Algo semelhante pode acontecer com o recém-apresentado ZR-V, modelo com a missão de resgatar os antigos clientes do Civic. Será que vai conseguir? Já fui dono de lindos Civics, que faziam meus olhos brilharem quando olhava para eles na minha garagem. Posso responder por mim que não teria o feioso ZR-V.

Mas deixemos de lado o visual, algo subjetivo. Talvez o leitor até tenha apreciado o desenho desse SUV, portanto isso é o de menos. Vamos considerar seu preço de quase R$ 215 mil, o mesmo valor que podemos colocar na garagem modelos elétricos ou híbridos, feios ou bonitos.

Bom exemplo é o GWM Haval, híbrido com mais de 50 kgfm de torque e mais de 240 cv de potência, que custa até um pouco menos. Já o ZR-V sofre com apenas 19,1 kgfm de torque e 161 cv de potência do seu motor 2.0 aspirado, que até pode ser excelente, mas não entrega o que se espera nessa faixa de preço. A comparação é tão desleal que já estou com dó das surras que o novo Honda vai levar no mercado.

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Para mim o ZR-V é mais um carro que nasce morto, mas como especialista no mercado de usados tenho certeza de que seu futuro será melhor que o presente. Vou explicar.

Assim como acontece com qualquer outro Honda, o mercado de usados vai absorvê-lo com muito carinho, principalmente no longo prazo, quando esses concorrentes muito mais potentes e tecnológicos começarem a perder forças por esses mesmos motivos.

A simplicidade dos Hondas pode ser criticada no mercado de novos, mas é sempre bem vista por compradores de usados que já não podem mais contar com garantia do fabricante.

Podem reclamar do motor 2.0 aspirado com os mesmos números de um CR-V de 15 anos. Isso não vai mudar o fato de que um CR-V com essa idade vale mais e tem mais liquidez que outros SUVs de sua época com muito mais potência e tecnologia, e que hoje ninguém quer mais.

Para entender melhor, enquanto um CR-V 2008 custa próximo de R$ 50 mil, um Land Rover Freelander do mesmo ano custa próximo de R$ 40 mil. Não preciso dizer que o Freelander custou bem mais quando zero-km, mas o mercado de usados foi reaproximando os preços ao longo dos anos até inverterem os valores.

Ou seja: os poucos ZR-V que ganharão as ruas serão bem disputados no mercado de usados do futuro, como acontece com qualquer outro Honda. O mesmo não posso dizer dos atuais elétricos e híbridos.

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Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.

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