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Novo Hyundai HB20: ainda é boa opção comprar usado de versão anterior?

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Felipe Carvalho

Felipe Carvalho é administrador de empresas, consultor e primeiro "caçador de carros" profissional do país. Seu canal no YouTube dedicado a avaliações de achados automotivos tem mais de 100 mil inscritos. www.youtube.com/CarrosdoPortuga

Colunista do UOL

07/07/2022 04h00

Foi em setembro de 2012 que a Hyundai apresentou o modelo HB20 para o Brasil. Com um visual indiscutivelmente atraente, passou a ser imediatamente desejado - ou pelo menos considerado - pelos compradores da categoria com maior participação no mercado nacional, a dos hatches compactos.

Até aquele momento, a Hyundai era representada exclusivamente pelo grupo Caoa e comercializava apenas modelos mais caros. Amargava a oitava posição das marcas mais vendidas, com participação inferior a 3% do mercado. Quase dez anos depois, muita coisa mudou, e a Hyundai agora é a terceira marca mais vendida do país, com participação superior a 13% no acumulado deste ano de 2022.

Não restam dúvidas que o principal responsável por esse crescimento foi o HB20, que já passou do primeiro milhão de unidades vendidas e hoje ocupa a liderança nas comercializações dos veículos de passeio com certa folga.

Nesta semana, este importante modelo foi apresentado com um novo desenho de carroceria, aparentemente menos polêmico que o anterior, e tem tudo para manter a liderança do mercado. Sempre que esse tipo de coisa acontece no mercado de novos, surge a dúvida entre usados: como será que os antigos HB20 vão lidar com a novidade?

Baixa desvalorização

O Hyundai HB20 é um dos queridinhos do mercado de usados, sendo pouco provável que o novo modelo 2023 mude isso. A desvalorização é baixa, algo que o comprador dessa categoria preza bastante. Para se ter uma ideia, no ano do lançamento, ele foi apresentado com preços que variavam entre R$ 32 mil para a versão Comfort 1.0 até R$ 48 mil para a versão Premium 1.6 automática. Hoje, essas mesmas versões no mercado de usados têm Tabela Fipe de R$ 40 mil e R$ 50 mil, respectivamente.

Não é certo dizer que ele valorizou, já que é preciso considerar a inflação nesse período, mas fica claro que os preços se mantiveram estáveis, e poucos modelos conseguem essa proeza.

A primeira mudança no visual aconteceu depois de três anos e foi tímida. O modelo 2015, último ano do primeiro desenho, hoje tem Tabela Fipe de R$ 46 mil para a versão de entrada, enquanto o modelo 2016 fica em R$ 49 mil, uma diferença bem pequena.

Mais quatro anos se passaram até a segunda reforma visual, que foi bem mais relevante a ponto de ser considerada uma nova geração. O modelo 2019, último ano da antiga carroceria, hoje tem Tabela Fipe de R$ 61 mil para a versão de entrada.

Curiosamente, a versão de entrada do modelo 2020 tem valor de Tabela Fipe menor, de R$ 60 mil. Difícil entender o motivo, mas ficou claro que nos dois exemplos desses intervalos das principais mudanças visuais não houve mudança significativa no valor de mercado do HB20.

Manutenção

A Hyundai manteve o conjunto de motor e transmissão que já estavam disponíveis no HB20 para a versão 2023. Isso é uma ótima notícia para o mercado de usados, que afasta a hipótese de falta de peças de reposição.

Trata-se do motor da família Kappa, que acompanha o HB20 desde o lançamento nas versões equipadas com motor 1.0. De lá para cá, foi introduzido o turbo em 2016 e a injeção direta em 2020, mas o motor aspirado com injeção indireta, disponível nas versões de entrada, sempre esteve entre as opções.

Ficou no passado o motor 1.6 da família Gamma, que já nem era mais oferecido no HB20. Porém, diante da enorme quantidade de carros fabricados com esse motor, incluindo outros modelos da Hyundai e Kia Motors, não existe a menor possibilidade do mercado de usados deixar de ser abastecido com peças de reposição no curto e médio prazo.

Em categorias de entrada, como a do HB20, esse tipo de informação é importante para o comprador de carros usados ter mais segurança na escolha.

Modelos que podem ser evitado

Mas nem tudo são flores para o Hyundai HB20, que também possui versões que devem ser evitadas. Na verdade, nenhum modelo ou versão de HB20 é tão ruim a ponto de ser descartado, mas diante de opções melhores vale o alerta.

É bom evitar os primeiros HB20 com transmissão automática, entre os modelos 2013 e 2015. Ele utilizava uma caixa de quatro marchas, pouco eficiente e que deixou o carro com fama de gastão. Já a partir do modelo 2016 passou a ter seis marchas e se tornou uma das referências do segmento.

Para quem quer um HB20 automático, vale a pena o esforço de considerar os modelos pós-2016, que tem preços que começam nos R$ 59 mil. Considerando que o mais barato dos HB20 automáticos tem preço de R$ 47 mil para o modelo 2013, a diferença de R$ 12 mil nem é tão grande diante dos benefícios.

Outros HB20 que podem ser evitados são os equipados com turbo entre os anos de 2016 e 2019. Longe de serem ruins, mas esses modelos tiveram vendas muito abaixo do esperado, sendo raros no mercado de usados. Raridade é bom entre os antigos, mas usados com poucos anos de vida são carros raros tendem ao esquecimento.

Oferecidos apenas com transmissão manual e sem injeção direta de combustível, ficaram ofuscados pelos mais eficientes TSI da Volkswagen. Foi somente na mudança de geração que esse motor ganhou injeção direta e transmissão automática, igualando o HB20 em modernidade com os concorrentes.

Por fim, é bom evitar os pacotes mais simples da versão Comfort do HB20 pelo simples motivo de terem o mesmo valor de Tabela Fipe de pacotes mais completos. Por exemplo, entre 2013 e 2019 um HB20 Comfort, Comfort Plus ou Comfort Style tem exatamente o mesmo valor de mercado, pelo menos na teoria.

Na prática, são pacotes diferentes, onde o Style é o mais completo, portanto mais desejado. Como não faz sentido pagar o mesmo por um carro mais simples, recomendo evitar, a não ser que seja uma excelente oportunidade com baixa quilometragem e bom estado de conservação.

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