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OPINIÃO

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De Kia Rio a Tiggo 3x: veja carros que ficaram pouco tempo no mercado

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Felipe Carvalho

Felipe Carvalho é administrador de empresas, consultor e primeiro "caçador de carros" profissional do país. Seu canal no YouTube dedicado a avaliações de achados automotivos tem mais de 100 mil inscritos. www.youtube.com/CarrosdoPortuga

Colunista do UOL Carros

12/05/2022 04h00

Qual seria sua reação se a geladeira que você tem na cozinha saísse de linha? E se o mesmo acontecesse com o seu aparelho celular? Provavelmente você não daria muita importância, talvez nenhuma.

Não é o que acontece com os automóveis. Caros e cada vez menos acessíveis, são bens de grande valor para os brasileiros, que geralmente precisam de muitas horas de trabalho para conseguir comprar um. Não por acaso, desvalorização e custo de manutenção estão entre as principais preocupações no momento da escolha do modelo ideal.

Sendo assim, quando um fabricante de carro tira um modelo de linha, os proprietários desse modelo ficam preocupados, já que a desvalorização tende a ser maior e, com o passar do tempo, o custo de manutenção também, devido à inevitável falta de peças de reposição.

Quem acaba de passar por isso é o Caoa Chery Tiggo 3X, modelo que era fabricado na cidade de Jacareí, interior de São Paulo. O fabricante decidiu encerrar a produção do pequeno SUV e anunciou que, em seu lugar, vai investir em uma nova linha de montagem dedicada a modelos híbridos e elétricos.

Até aí, não temos nenhuma grande novidade, afinal de contas, carros "nascem e morrem" a todo momento. Mas no caso do Tiggo 3X, chamou nossa atenção o fato de o modelo não ter completado nenhum aniversário. As vendas começaram em junho do ano passado, portanto há menos de um ano.

Segundo a Fenabrave, 7.749 unidades foram emplacadas do lançamento até o mês de abril desse ano, média de aproximadamente 700 unidades por mês, que o colocaria por volta da 35ª posição no ranking de vendas.

Além do Tiggo 3X, outros carros também ficaram pouquíssimo tempo no nosso mercado, por diversos motivos. Seguem alguns deles:

Nissan Altima - Foto: Nissan | Divulgação - Foto: Nissan | Divulgação
Nissan Altima
Imagem: Foto: Nissan | Divulgação

Nissan Altima

A categoria dos sedãs já teve dias melhores no Brasil, inclusive com espaço para sedãs médio-grandes, como Ford Fusion, Chevrolet Malibu, Volkswagen Passat, Hyundai Sonata e Nissan Altima. Este último, um dos meus favoritos, não teve a devida atenção do fabricante no nosso país.

Bonito, bem equipado, com ótimo espaço interno e com mecânica simples e confiável, o Altima tinha tudo para vender bem. Porém, a Nissan pouco se esforçou para o sucesso do carro, que emplacou cerca de 1.145 unidades e durou apenas como modelo 2014.

Como não compartilha peças com nenhum outro Nissan, o receio de ter um carro tão exclusivo, afasta compradores no mercado de usados.

Jeep Commander 2006 - Divulgação - Divulgação
Jeep Commander 2006
Imagem: Divulgação

Jeep Commander

Calma, meu caro leitor. O novíssimo Jeep Commander, continua em linha, firme e forte. Mas, talvez você não saiba, que o Commander já se aventurou por aqui no ano de 2006. Com um estilo quadradão, um tanto tristonho e imponente, o Commander 2006 era completamente diferente do modelo atual.

Equipado com um motorzão V8 com 5,7 litros, tinha apetite de sobra e não conseguiu o espaço que justificasse sua permanência no nosso mercado. Talvez, se fosse nos dias atuais, onde picapes da RAM igualmente apetitosas estão com fila de espera, esse Commander V8 faria sucesso. Nada que um lançamento com escassez e preço especial de pré-venda não resolva.

Chevrolet Astra SW - Divulgação - Divulgação
Chevrolet Astra SW
Imagem: Divulgação

Chevrolet Astra SW

Um dos queridinhos do Brasil, o Astra ainda faz muito sucesso no mercado de usados, graças à simplicidade mecânica e fartura de peças em todo o país. Famoso nas carrocerias hatch e sedã, também teve carroceria perua no começo da sua trajetória por aqui, mas infelizmente durou pouco.

Foi somente como modelo 1995, quando ainda era importado, que a Chevrolet disponibilizou o Astra SW no Brasil. Numa época que a aceitação por peruas era grande, tinha tudo para dar certo, mas a alta no imposto de veículos importados que teve naquela época, inviabilizou sua operação.

Kia Rio - Divulgação - Divulgação
Kia Rio 2020
Imagem: Divulgação

Kia Rio

Nem me lembro quando foi o primeiro Salão do Automóvel que eu vi o Kia Rio, mas sei que em vários deles ele estava presente como uma promessa de lançamento. Porém, nem mesmo o nome carregado de brasilidade, fez com que sua comercialização fosse viável.

Até que no começo de 2020, pouco tempo antes de estourar a pandemia do covid-19, o Kia Rio teve finalmente sua grande chance no Brasil. Deu certo? Não, infelizmente foi um fiasco e emplacou pouco mais de 500 unidades em menos de dois de comercialização. Não tenho dúvidas que será um eterno mico no nosso mercado, mas pelo menos a mecânica é a mesma de outros modelos da Kia e Hyundai, o que facilita sua manutenção.

Hyundai Trajet - Divulgação - Divulgação
Hyundai Trajet
Imagem: Divulgação

Hyundai Trajet

O último aventureiro da lista, o Hyundai Trajet, eu tenho certeza que o leitor nem se lembrava dele. O modelo consta na Tabela Fipe nos anos de 2000 e 2001, e de vez quando, aparece algum anunciado em algum canto do Brasil. Foi um fracasso total, nem lembro quando vi algum nas ruas.

Porém, basta uma análise rápida para ver que era um carro bem legal. Com ótimo espaço para 7 passageiros e muita bagagem, contava com o motorzão V6 que viríamos no Tucson anos mais tarde. Certamente era um veículo interessante para viajar com a família, mas não deu certo por aqui.

A Hyundai daquela época estava longe de ser a que conhecemos hoje, que disputa liderança de mercado com outras grandes.