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Carros 'fora da caixa': 5 modelos que saíram de linha e são ótimos negócios

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Felipe Carvalho

Felipe Carvalho é administrador de empresas, consultor e primeiro "caçador de carros" profissional do país. Seu canal no YouTube dedicado a avaliações de achados automotivos tem mais de 100 mil inscritos. www.youtube.com/CarrosdoPortuga

Colunista do UOL

20/01/2022 10h00

Estou sempre procurando boas oportunidades nos classificados de carros usados. Mas mesmo eu, que trabalho e vivencio isso todos os dias, às vezes esqueço de algumas opções interessantes que ainda possam ser recomendadas. Basta observar a enorme quantidade de marcas e modelos disponíveis no nosso mercado para compreender o esquecimento.

No geral, quando me pedem sugestões, tenho algo na ponta da língua, mas sempre um modelo mais comum e que agrada a maioria. Por exemplo, alguém me pede indicação de um bom sedã médio e eu recomendo o Toyota Corolla. Tenho certeza que 100% dos leitores concordarão que essa é uma boa recomendação, ou alguém acha o Corolla ruim?

Mas francamente, essa é uma indicação preguiçosa, que deixa de pensar fora da caixa para oferecer alternativas, como um Kia Cerato. Ambos possuem porte e potência semelhantes, mas o modelo sul-coreano é muito mais barato. Mesmo ele não sendo a escolha da maioria, ainda pode ser a melhor escolha para alguns, portanto não pode ficar fora de uma discussão.

Na coluna dessa semana resolvi listar alguns desses modelos que estão fora da caixa - uma maneira de dizer que são carros que geralmente não estão no topo da escolha em suas categorias -, mas que ainda são excelentes alternativas no mercado de usados. Escolhi apenas modelos que saíram de linha nos últimos anos, portanto estão naquela primeira fase de esquecimento.

Chevrolet Cobalt - Divulgação - Divulgação
Chevrolet Cobalt 2019
Imagem: Divulgação

Chevrolet Cobalt 1.8 2017

Peguei tanto no pé da feiura do Chevrolet Cobalt que esqueço de considerá-lo como opção. É verdade que, na reestilização de 2016, a carroceria ficou bem mais atraente, principalmente quando vista de frente, o ponto mais fraco dos primeiros modelos. Mas a melhor escolha mesmo é a dos produzidos pós-2017, quando o motor 1.8 ganhou notáveis melhorias que o fizeram mais veloz e econômico.

Também foi nesse ano que a assistência da direção passou a ser elétrica e a transmissão manual a ter 6 marchas, igualando o que já tinha na transmissão automática. Para resumir, o Cobalt, que já era bom de ser guiado, ficou ainda melhor, com a vantagem de ainda preservar o baixo custo de manutenção, algo valorizado no mercado de usados.

Quanto aos preços do modelo 2017, variam entre R$ 56 mil na versão LTZ manual e R$ 62 mil para a Elite automática. São valores próximos de um Fiat Mobi zero-quilômetro, um carro inferior em praticamente tudo.

Fiat Punto - Divulgação - Divulgação
Fiat Punto - A história
Imagem: Divulgação

Fiat Punto 2017

No caso do Fiat Punto, aconteceu o oposto do caso do Cobalt. Nasceu como um carro belíssimo, desenhado pelo famoso estúdio Giugiaro, mas passou por uma reestilização não tão feliz, pelo menos na minha opinião. Ok, continuou sendo um carro bonito e por isso está aqui nessa lista como minha segunda indicação.

O Punto sempre foi aquele algo a mais em relação ao Palio, seu irmão menor. A vantagem estava principalmente no acabamento interno com materiais superiores, mas preservava a simplicidade mecânica na versão de entrada. Era o mesmo motor 1.4 que ainda hoje está presente no Fiorino, um veículo utilitário reconhecido pela robustez e baixo custo de manutenção. Ou seja, é moleza manter um Fiat Punto 1.4.

Considerando o ano de 2017, os preços ficam na faixa dos R$ 49 mil, bem abaixo de qualquer outro Fiat zero-quilômetro. Caso o motor 1.4 não agrade pela baixa potência, ainda tem a opção da versão Essence com o 1.6, da família E-Torq, a mesma que foi recentemente aposentada na variação 1.8 de Argo, Cronos, Toro e Renegade.

Só recomendo que opte pela transmissão manual, que custa cerca de R$ 51 mil para o modelo 2017.

Hyundai Elantra - Divulgação - Divulgação
Hyundai Elantra
Imagem: Divulgação

Hyundai Elantra 2016

O Elantra saiu de linha e aposto que o leitor nem notou. O modelo já teve dias melhores no Brasil, mas nunca emplacou de verdade na concorrida categoria dos sedãs médios. Ainda assim, o carro é excelente, tanto que vende muito bem em outros países, como o exigente mercado norte-americano.

Para essa lista, vou considerar o modelo 2016, o último da quinta geração, a mais bonita na minha opinião. Nesse ano, foi oferecido em versão única, a GLS, com o potente motor 2.0 da família Nu, o mesmo que ainda está presente no Hyundai ix35 e no Kia Cerato.

A relação peso/potência é de apenas 6,7 kg/cv, algo excelente para um veículo com proposta familiar. O preço fica na casa dos R$ 79 mil, que não é pouco para um carro com seis anos de vida, mas quando comparado com um Corolla Altis do mesmo ano, é uma pechincha.

O Toyota custa cerca de R$ 90 mil, não tem airbags de cortina, controles de estabilidade e tração - itens presentes no Elantra - além de ser bem menos potente. Quando comparado com um Hyundai zero-quilômetro, a diferença é ainda mais gritante, pois é preciso mais de R$ 81 mil para comprar um HB20S com motor 1.0 e transmissão manual.

Golf 1.6 - Divulgação - Divulgação
Golf Comfortline 1.6 MSI
Imagem: Divulgação

VW Golf 1.6 2016

Presente no nosso mercado desde os anos 90, o Golf sempre foi tido como um Volkswagen de nível superior. A sétima e última geração comercializado aqui deu um banho de tecnologia e segurança na categoria dos hatches médios, mas tem certa restrição no mercado de usados devido a sua complexidade, que exige custo de manutenção maior.

O que nem todos se lembram é que dá para ter Golf com manutenção mais simples, bastando para isso optar pela versão com motor 1.6, o mesmo que ainda equipa versões de Gol, Voyage, Polo e Virtus. É um motor muito bom, que entrega bom desempenho e baixo consumo, com a vantagem do custo de manutenção bem menor que o das versões com motores TSI.

Para nossa alegria, somente a mecânica é compartilhada com esses VW mais simples, ou seja, o Golf 1.6 saiu de série com sete airbags, controles de estabilidade e tração e o primoroso acabamento similar ao de um Passat. Vendido somente no ano de 2016, custa cerca de R$ 79 mil com transmissão automática e R$ 74 mil com a manual. Para efeitos comparativos, um Gol automático zero-quilômetro sai por mais de R$ 85 mil.

Kia Soul - Divulgação - Divulgação
Kia Soul
Imagem: Divulgação

Kia Soul 2016

Por último, um modelo controverso, do tipo ame ou odeie. O Kia Soul, conhecido como "carro design", é tão fora da caixa que não poderia ficar fora dessa lista. Sempre bem equipado, tem como vantagem o fato de compartilhar o conjunto de motor e câmbio com outros coreanos da Kia e Hyundai, como Cerato, HB20 e Creta.

Trata-se do motor 1.6 e da transmissão automática de seis marchas, que não são reconhecidos tanto pela eficiência, mas sim pela robustez e baixo custo de manutenção. A segunda e última geração comercializada aqui começou no modelo 2015 e ficou até 2019, com preços que variam entre R$ 71 mil e R$ 95 mil.

Barato ele não é, mas basta olhar para sua farta lista de equipamentos de conforto e segurança para entender que pode ser uma ótima opção, principalmente quando comparado com o mercado de novos. Com o valor do 2015, não dá nem para comprar o mais simples dos HB20, que começa em R$ 73 mil com motor 1.0 e câmbio manual.