PUBLICIDADE

Topo

Saúde

Sintomas, prevenção e tratamentos para uma vida melhor


Saúde

ONG quer melhorar atendimento de populações ribeirinhas do rio Tapajós

ONG Zoé
Imagem: ONG Zoé

Patricia Moribe

03/08/2021 09h45

Uma ONG formada por especialistas em saúde está na origem do projeto Zoé, cujo objetivo é melhorar o atendimento de ribeirinhos do rio Tapajós, que vivem longe de centros urbanos.

Uma ONG formada por especialistas em saúde está na origem do projeto Zoé, cujo objetivo é melhorar o atendimento de ribeirinhos do rio Tapajós, que vivem longe de centros urbanos.

O rio Tapajós é um afluente do rio Amazonas, uma estrada de água no meio da floresta. Ele é o meio de transporte e comunicação das comunidades ribeirinhas que se espalham ao longo do rio, no oeste do Pará.

O rio, fundamental para os ribeirinhos, é também a via de acesso ao hospital navio Abaré, primeira embarcação fluvial que desde 2006 atende populações que vivem em locais de difícil acesso na Amazônia.

Um grupo de médicos decidiu formar a Zoé, para oferecer novos tratamentos e cuidados para esse Brasil profundo.

"A ONG Zoé pretende prestar assistência de saúde de várias formas, levando especialistas que vão também orientar pessoas que estão em contato com os pacientes, como agentes comunitários, enfermeiros e médicos locais, a fim de melhorar a qualidade do atendimento", explica o Dr. Marcelo Averbach, cirurgião do aparelho digestivo do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo.

Expedições regulares, telemedicina e auxílio com insumos e equipamentos são algumas das propostas da Zoé. O nome vem da população isolada Zo'é, que vive entre os rios Cumunapanema e Erepecuru (região do noroeste do estado do Pará) e fala uma variação do tupi-guarani. "Zo'é" significa "nós".

A primeira expedição da Zoé aconteceu em novembro de 2019, em Belterra, onde a ONG pretende concentrar seus esforços, explica Averbach. "Na equipe estavam dois ultrassonografistas experientes, que fizeram quase 150 exames em alguns dias. Também fizemos contatos com a prefeitura de Belterra e com o Abaré".

"Tentamos ir até Aveiros, mas não conseguimos chegar lá por causa de uma pane. A Amazônia é imensa, são 5 milhões de km², temos oito Franças na Amazônia legal", diz o cirurgião. "Não temos a pretensão de cobrir toda essa extensão, mas escolhemos uma pequena região com três municípios do rio Tapajós - uma parte de Santarém, que é uma cidade grande, Belterra e Aveiros".

A Zoé pretende trabalhar com o Abaré, além de construir um centro cirúrgico em Belterra. "As pessoas moram de maneira salpicada, ao longo do rio, por isso a importância dessa embarcação. Se algo grave for constatado, as pessoas serão levadas para o hospital de Belterra", explica o médico.

Em busca de doações e divulgação

"Atualmente poucos doadores têm custeado nossas expedições. Há empresas que doam insumos de maneira geral, equipamentos pesados podem ser emprestados por empresas, mas o voluntariado é muito importante. Mas para que tudo isso aconteça é preciso divulgação, para isso temos uma equipe de marketing. Estamos configurando uma empresa para tal", segundo Averbach.

Como não podia deixar de ser, a pandemia também impactou os projetos da ONG.A região foi bastante afetada pela Covid-19. A segunda expedição estava prevista para fevereiro, mas a região foi bastante afetada pela Covid e por isso a viagem foi adiada para a segunda semana de agosto.

"Vamos oferecer tratamento de varizes, com dois cirurgiões vasculares voluntários, que vão fazer tratamento não cirúrgico, em provavelmente 120 a 150 pacientes", diz. Marcelo Averbach tem ainda encontro marcado com os responsáveis do Abaré e da reitoria da Ufopa (Universidade Federal do Oeste do Pará).

O médico quer otimizar o atendimento no Abaré: "o paciente chega, o prontuário vai ser aberto, ele é examinado pelo médico, faz os exames laboratoriais necessários, aguarda e sai do barco já com a medicação em mãos".

A ONG Zoé e seus voluntários têm outras ambições, como a de inaugurar um centro cirúrgico em Belterra. "Já conseguimos a doação de alguns aparelhos, como equipamento de anestesia e bisturi elétrico, que já foram enviados para lá. Vamos verificar as condições, ver o que falta", relata Marcelo Averbach.

Saúde