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Qual a relação entre o vírus que infectou Anitta e a esclerose múltipla?

Reprodução/Instagram
Imagem: Reprodução/Instagram

Do VivaBem, em São Paulo

04/12/2022 11h00

Anitta disse que foi diagnosticada com o vírus Epstein-Barr há dois meses. A cantora falou sobre a infecção durante o lançamento do documentário "Eu", de Ludmila Dayer, neste sábado (3), em São Paulo.

"Quando chegaram os resultados eu estava com o mesmo vírus que a Ludmila, em fase inicial. Hoje em dia não existe coincidência. Por sorte, por destino, eu consegui nem chegar no estágio que a Ludmila chegou", disse. Ludmila anunciou em setembro que tem esclerose múltipla.

A relação entre o vírus e a esclerose múltipla ainda é nebulosa. A evidência mais forte até o momento é um estudo feito por cientistas da Universidade Harvard, nos Estados Unidos, publicado no periódico Science.

A pesquisa mostra que o vírus tem um papel fundamental no desenvolvimento da esclerose múltipla, embora nem todas as pessoas infectadas desenvolvam a doença.

Os cientistas acompanharam durante mais de 20 anos 10 milhões de adultos jovens do exército americano, dos quais 955 foram diagnosticados com esclerose múltipla. Segundo o estudo, quem foi infectado pelo Epstein-Barr teve um risco 32 vezes maior de ter a doença do sistema nervoso.

"Este é um grande passo que sugere que a maioria dos casos de esclerose múltipla pode ser prevenida com a interrupção da infecção pelo EBV e que pode levar à descoberta de uma cura para a esclerose múltipla", disse o pesquisador italiano Alberto Ascherio, professor de epidemiologia e nutrição de Harvard e principal autor da pesquisa.

A relação entre o vírus e a esclerose múltipla é estudada há anos, mas até então era difícil de demonstrar, pois o vírus é muito comum, e os sintomas da doença começam até 10 anos depois da infecção.

Vírus tem relação com outras doenças

O Epstein-Barr é extremamente comum, sendo encontrado em cerca de 95% dos adultos, e pode provocar outras doenças, como a mononucleose, conhecida como "doença do beijo".

Além disso, um estudo publicado em 2018 no periódico Nature mostrou que a exposição a esse vírus também aumenta o risco de desenvolver sete doenças autoimunes em pessoas com predisposição genética. As patologias são: lúpus, esclerose múltipla, artrite reumatoide, artrite idiopática juvenil, doença inflamatória intestinal, doença celíaca e diabetes tipo 1.