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Hérnia, infecção: o que aparência, dor e cheiro do umbigo podem indicar?

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Imagem: iStock

Marcelo Testoni

Colaboração para VivaBem

26/04/2022 04h00

O umbigo, para muitos, pode não ter serventia alguma, ser percebido apenas como um buraquinho no meio da barriga. Ou registro de que, por um tempo, antes do seu nascimento, havia ali a presença de um cordão, pelo qual o organismo de sua mãe, durante sua gestação, lhe fornecia nutrientes, anticorpos, sangue oxigenado, entre outras coisas. Fonte de células-tronco, se esse cordão for congelado, ainda pode ser reaproveitado para tratar doenças.

Por falar nelas, saiba que o umbigo também serve para denunciar algumas, entre outros problemas, que podem acometer gente de diferentes gêneros e idades. Entretanto, para avançarmos nesse assunto, faz-se necessário explicar antes, de maneira sucinta, o que é ter um umbigo considerado "normal", saudável, para que, assim, você consiga perceber por meio dele eventuais anormalidades e busque ajuda médica.

Pois bem, no bebê, depois que o cordão umbilical é cortado, sobra um coto, que não gera dor quando tocado, pois não possui terminações nervosas. Em questão de poucos dias, ele perde o aspecto inicial (úmido e mole), seca e, após entre duas e três semanas, cai sozinho. Se a área for bem cuidada, mantida limpa e seca, a cicatrização ocorre naturalmente, sem necessidade de colocação de faixas, ou moedas, e o resultado é um umbigo oval, fundinho e verticalizado.

Quando a aparência é duvidosa

Entenda porque o umbigo é tão importante na espiritualidade - Getty Images - Getty Images
Imagem: Getty Images

O que determina a "cara" do umbigo é a genética, por isso submeter o do bebê a técnicas caseiras, com o objetivo de alcançar beleza, não resolve, como pode ser até perigoso, pois facilitam o risco de infecções locais.

A presença de sinais de inflamação ao redor do umbigo (inchaço, alteração na circulação do sangue quando o local é apertado, vermelhidão, calor) indica a suspeita de onfalite, uma infecção grave que necessita imediata avaliação médica.

Umbigo com protusão (saltado) desde o nascimento e que não se resolve nos primeiros anos, pode ser por deslocamento do intestino para a frente, pelo orifício na parede abdominal, caracterizando hérnia umbilical. Ou defeito congênito no fechamento da cicatriz, que leva à formação de um granuloma umbilical, um nódulo vermelho que se eleva do fundo do umbigo.

Agora, em adultos, umbigo alto pode ter relação com tumores (neoplasia de úraco), gestação, que faz a barriga crescer e pode provocar distensão e fraqueza muscular abdominal (diástase) e, de novo, hérnia umbilical, mais comum em homens.

Mas diferente do que ocorre nos bebês, ela surge devido ao aumento de pressão no umbigo, por excesso de peso (obesidade), líquido, que pode decorrer de uma doença hepática (ascite), e prática de esportes que exigem esforço.

Não deve doer, feder ou escorrer

Umbigo, cirurgia no umbigo, hérnia - Getty Images - Getty Images
Imagem: Getty Images

Para além de estufamento e alterações de cor, sensibilidade e temperatura no umbigo, há outros sinais nessa região para se atentar. A começar pelas dores, na hérnia umbilical podem aparecer ou piorar ao tossir ou erguer muito peso, tornando-se persistentes e vir junto de náuseas quando o quadro se agrava.

Dores também são sintomas de muitas outras condições, tais como prisão de ventre, gastroenterite, apendicite (principalmente se intensas, com febre).

Cheiros ruins, por sua vez, se exalados dessa região, sugerem infecções e sangramentos durante processos de cicatrização e falta de higienização. Como o umbigo é um furo, pode conter pelos e reter em suas dobrinhas sujeira, pele morta, suor, servindo de lar para fungos e bactérias, ele deve ser lavado diariamente no banho, com água e sabão, cotonete, se for muito profundo, e mantido seco. Em bebês, sua limpeza deve ocorrer após cada troca de fralda.

Quanto a secreções ou presença de muco, indicam que há corte aberto/inflamado, erupção cutânea ativa ou cisto excretando pus, conteúdo líquido, dentro dele. Às vezes, se houver contato contínuo entre um umbigo saliente e tecidos, botões, acabam aparecendo irritações e fissuras nessa região. Nesses casos, para evitar contato e fricção constantes é indicado o uso de roupas leves e confortáveis que não machuquem, além de hidratação local e curativos.

Como tratar problemas do umbigo

Se presentes quaisquer sintomas relatados, não deixe de se consultar com um médico. Porém, algumas situações configuram urgências, como apendicite, cuja dor pode irradiar para o umbigo, mas a origem do problema está no apêndice (órgão anexado ao canto inferior direito do intestino), que inflama, ou encarceramento e estrangulamento de hérnia, que pode obstruir o intestino e até cortar seu suprimento de sangue, levando à necrose dos tecidos.

Para demais casos, que não englobem dores fortes, náuseas, vômitos e febre ou exigem cirurgia às pressas, podem ser examinados e tratados em etapas e acompanhados em consultório.

Se for confirmada a presença de hérnia umbilical em estágio inicial, requer suturar a região para que o problema não volte e tratar eventuais causas. Defeitos congênitos e tumores podem ser igualmente resolvidos cirurgicamente, e sendo granuloma deve ser cauterizado pelo pediatra.

Gestantes devem reportar desconfortos, dores, alterações que atinjam o umbigo ao obstetra, para que trate os sintomas, e ao fisioterapeuta pélvico, que pode trabalhar a funcionalidade e fortalecimento corporal para que esses problemas sejam sanados rapidamente.

Já infecções e inflamações envolvendo fedor, secreções ou problemas com higiene, são contornados com uso de pomadas, antibióticos, analgésicos, revisão de hábitos, e devem envolver o dermatologista, que também pode tratar questões estéticas, como envelhecimento e flacidez desse local.

Fontes: Carolina Milanez, dermatologista e especialista pela SBD (Sociedade Brasileira de Dermatologia); Leonardo Canedo, cirurgião do Hospital Cárdio Pulmonar, da Rede D'Or, em Salvador; Malu Freitas, fisioterapeuta especialista em saúde da mulher pela FCM-SCSP (Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo); e Vanessa Prado, cirurgiã do Centro de Especialidades do Aparelho Digestivo, do Hospital Nove de Julho, em São Paulo.

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