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Angeli encerra carreira por afasia; distúrbio tem cura?

Julia Moraes/Folhapress
Imagem: Julia Moraes/Folhapress

Letícia Naísa

De VivaBem, em São Paulo*

20/04/2022 12h07

O cartunista Angeli, 65, anunciou sua aposentadoria na manhã desta quarta-feira (20). O artista recebeu o diagnóstico de afasia, um distúrbio neurológico que compromete a comunicação do paciente de forma verbal ou escrita.

Recentemente, o ator Bruce Willis, 67, também foi diagnosticado com o problema e está com a carreira pausada. A condição do ator e do cartunista não é uma doença, mas uma manifestação de algum outro problema de base.

Não foi anunciada a causa da afasia de Angeli, mas sabe-se que a condição não tem cura e ocorre por lesões no cérebro, geralmente na região frontal do lado esquerdo, que é responsável pelo desenvolvimento da linguagem.

"As causas mais comuns geralmente são AVCs, seja hemorrágico ou isquêmico, que podem ser causados por histórico familiar, diabetes, hipertensão, estresse ou tabagismo", explica Wanderley Cerqueira, neurocirurgião e neurologista do Hospital Albert Einstein e da Rede D'Or e diretor da consultoria WCL Neurocirurgia.

A afasia pode acontecer também após um traumatismo cranioencefálico (TCE), um tumor cerebral, um aneurisma, infecções cerebrais ou alguns tipos de demência, segundo a Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia.

Existe tratamento para a afasia, que pode desacelerar a progressão dos sintomas. "Em muitos casos, como é para aqueles que sofreram um AVC, o paciente passa por terapia fonoaudiológica para trabalhar a linguagem, junto com fisioterapia para auxiliar no ganho de força, caso algum lado do corpo tenha sido prejudicado", diz a neurologista Thaís Augusta Martins, do Hospital Santa Lúcia, em Brasília.

"Ainda que o caso seja neurodegenerativo, o trabalho de reabilitação costuma ter o poder de diminuir a velocidade da progressão. Quanto mais próximo do início do problema o tratamento começar, melhor costuma ser o desfecho", explica a médica.

A afasia acomete pessoas mais idosas, segundo o neurologista Cerqueira, e um tratamento precoce pode desacelerar a progressão da perda da capacidade de comunicação.

Sintomas comuns do distúrbio

  • Dificuldade de selecionar palavras dentro da sua narrativa
  • Dificuldade de expressar o que deseja
  • Dificuldade de compreender o que é dito
  • Ler e escrever
  • Realizar alguns gestos

Existem vários tipos de afasia, segundo Cerqueira. Entre os principais, estão:

  • Afasia motora ou expressiva (ou afasia de Broca): o paciente tem dificuldade para falar, repetir e se expressar, com perda importante da fluência verbal, mas compreende o que os outros falam;
  • Afasia sensitiva ou receptiva (ou afasia de Wernicke): há dificuldade para entender, repetir palavras e frases. Nesse caso, a pessoa consegue falar, mas não consegue entender o que os outros falam;
  • Afasia de condução: o indivíduo consegue falar e compreender, mas tem dificuldade de repetir sentenças ou palavras;
  • Afasia transcortical motora: a pessoa tem dificuldade de falar, mas consegue repetir.

A prevenção envolve o controle da pressão, de diabetes, de obesidade, do sedentarismo, do tabagismo e outras condições que podem causar doenças neurodegenerativas ou AVCs.

Outros casos

Recentemente, a promoter Alicinha Cavalcanti morreu aos 58 anos depois de lutar desde 2015 contra uma afasia progressiva primária, um caso degenerativo e raro da doença, em que a pessoa perde a linguagem até atingir um quadro de demência.

A atriz Emilia Clarke, da série "Game of Thrones", também enfrentou afasia depois de sofrer um derrame por causa de dois aneurismas cerebrais. Sharon Stone e Kate Walsh também tiveram afasia depois de tratamentos de doenças cerebrais.

*Com informações de reportagem de Bruna Alves.

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